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A força das meninas
do Brasil

Seguindo a trilha de Gisele, brasileiras
brilham nos desfiles – sobretudo os
de pouca roupa

Bel Moherdaui

 
Fotos Reuters

SELEÇÃO NACIONAL
No disputado desfile da grife Victoria's Secret, onde só entram as mais lindas, dez eram brasileiras. Entre elas, Caroline Ribeiro (com asas de pavão), Michelle Alves (a cara da Gisele), Ana Hickmann, das pernas infindáveis, e Adriana Lima, de dourado e beicinho


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O protesto ecológico que tumultuou o desfile de Gisele Bündchen virou notícia no mundo todo, mas observadores menos comprometidos com a causa não desviaram os olhos do foco principal: a deslumbrante coleção de garotas parcamente vestidas deslizando como anjos sensuais, com asas e tudo, sobre a passarela montada em um antigo depósito militar de Nova York. O desfile anual da grife americana Victoria's Secret é um acontecimento ansiosamente esperado e acompanhado pelo público masculino por dois motivos: reúne uma seleção das melhores modelos do mundo, nos menores trajes permitidos pelos padrões de decência vigentes nos Estados Unidos. Por melhores, entenda-se as mais requisitadas e bem pagas. No desfile do último dia 14, nada menos que dez brasileiras faziam parte desse olimpo estético, o dobro do ano passado e o maior grupo de um único país no elenco de 28 beldades. As modelos brasileiras que integram a elite da categoria são lindas, sensuais e etnicamente diversificadas – além de beneficiadas pelo efeito Gisele, mérito que muitas delas reconhecem. "Antes da Gisele, havia modelos brasileiras trabalhando aqui, mas não eram valorizadas por serem brasileiras. A Gisele trouxe o Brasil com ela", diz a paraense Caroline Ribeiro, que soube usar muito bem a trilha aberta pela gaúcha.

Além de contar com biótipos privilegiados, as modelos brasileiras bem-sucedidas também são esforçadas e dotadas do tipo de dedicação que é bem pouco comum em países ricos. Largam a escola aos 13, 14 anos, com pleno apoio da família, para poder entrar no esquema de viagens constantes exigido pela carreira. Aos 18, são profissionais tarimbadas e disciplinadas, do jeito que os estilistas e os patrocinadores de campanhas milionárias pediram a Deus. Também conta pontos a desinibição para se mostrar em público com pouca roupa, talento desenvolvido desde os mais tenros anos nas praias e piscinas nacionais. O desfile da Victoria's Secret foi uma demonstração dessas qualidades. Atrás de Gisele, pisaram a passarela de vidro a própria Caroline, de asa de pavão ("Tão grande que, se dava dois passos mais rápidos, saía voando baixinho. Juro."). A paraense é uma espécie de versão amazônica e contemporânea de Audrey Hepburn, com seu narizinho arrebitado e elegância inata que valoriza qualquer roupa – até os conjuntinhos de calcinha e sutiã mostrados no desfile. Já a baiana de olhos verdes Adriana Lima deu um show de sensualidade explícita, como sempre, fazendo o beicinho que virou sua marca registrada. Ainda teve o corpo perfeito de Fernanda Tavares, as pernas infindáveis de Ana Hickmann, a surpresa provocada pela quase-Gisele Michelle Alves. E mais Alessandra Ambrosio, Raquel Zimmermann, Letícia Birkheuer e Ana Beatriz Barros. Os cachês variaram entre 25.000 e 50.000 dólares, altíssimos sob qualquer critério – esta, a maior vantagem de desfilar para a grife de lingerie.

De marca escondida, divulgada em catálogos que o correio entregava dentro de plástico opaco, a Victoria's Secret passou por uma revolução de imagem que hoje não só faz dela uma grife respeitável como colocou-a no ápice da ambição financeira de toda e qualquer modelo. Gisele, funcionária desde 2000, arrebanha 4 milhões de dólares a cada um dos cinco anos de contrato. Adriana, recém-contratada e queridinha do momento, ganha 3,8 milhões anuais. Ana Hickmann, por dois dias de trabalho em um catálogo, abocanhou 250.000 dólares. "Em qualquer época, há um total de apenas quinze supermodelos no mundo. Não existe outra área em que a elite seja formada por tão poucas pessoas, nem no mundo dos esportes. Não acho uma loucura o que elas ganham", justifica Ed Razek, diretor de criação e invejado selecionador de beldades da grife. Razek sabe escolher. "Hoje eles têm as melhores modelos do mundo. Todas as aspirantes sonham em trabalhar lá", diz José Augusto Novaes, sócio da agência Elite no Brasil. Muitas já conseguiram.

   
 
   
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