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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Com esse objetivo no horizonte, Gisele vem reduzindo a participação em desfiles. Hoje, não faz mais de vinte por ano. Seu cachê é de 8.000 a 10.000 dólares por hora. A título de esclarecimento: o tempo começa a contar a partir do momento em que ela chega ao local do evento. Como permanece, em média, duas horas à disposição dos organizadores, isso significa que ela não sai de um desfile com menos de 16.000 dólares. Os estilistas pagam com prazer. Tê-la na passarela é garantia de fotos publicadas em revistas e jornais do mundo inteiro. Invariavelmente, as imagens são acompanhadas por adjetivos derramados. Gisele é The Body (O Corpo), na definição do estilista inglês Alexander McQueen. Encarna um novo padrão de beleza, o "padrão Bündchen", segundo a revista W, uma das bíblias da moda. É "a garota mais bonita do mundo", na acepção direta da revista Rolling Stone.

Antes de assinar contrato com a americana IMG, uma agência especializada em trabalhar para celebridades, como o jogador de golfe Tiger Woods, Gisele fazia parte do elenco da Elite, a agência que a descobriu. O rompimento, em 1999, foi conturbado. Irritado com a saída de Gisele, justamente no momento em que a carreira dela decolava, John Casablancas, o então dono da Elite, chamou a brasileira de gananciosa e avara. "Ela é uma menina mimada e provavelmente a criatura mais egoísta que conheci", disse. Falou ainda que Gisele só conseguia entrar na passarela se fumasse maconha antes. Ela não deu pelota para Casablancas. A IMG não demorou a abrir uma filial brasileira, para garimpar novas beldades. Aliás, esse foi um efeito do sucesso de Gisele: chamar a atenção para o Brasil. A top das tops abriu as portas dos desfiles e campanhas internacionais para modelos como Caroline Ribeiro, Adriana Lima e Fernanda Tavares, entre outras (veja reportagem). Além disso, Gisele ajudou estilistas brasileiros a ganhar espaço no exterior. Carlos Miele, da M. Officer, Tufi Duek, da Forum, e Amir Slama, da Rosa Chá, foram beneficiados pelo fascínio despertado por ela nos grandes centros da moda.

Como ocorre em relação a qualquer celebridade, a vida particular de Gisele desperta curiosidade. Especialmente quando o assunto é companhia masculina. A verdade é que, de tão focada na carreira, a modelo deixou os namoros para terceiro plano. Gisele prefere "ficar", para usar o jargão dos adolescentes. Seu relacionamento mais sério foi com o ator Leonardo DiCaprio. Durou dois anos – mais cheios de idas que de vindas. Ela já foi vista aos beijos com o empresário João Paulo Diniz, herdeiro do Grupo Pão de Açúcar, e andou jantando com o ator Rodrigo Santoro, de quem parece ser apenas amiga. Recentemente, conheceu – em mais de um sentido – o playboy Ricardinho Mansur, filho do enroladíssimo empresário Ricardo Mansur. Consta que o moço está apaixonado. Mas, para tristeza de Ricardinho, por enquanto só mesmo a cachorrinha "Vida" tem lugar cativo na cama de Gisele. Quem disse que ela não gosta de animais?

 

Não é fácil ser Gisele


DESDE 1998, QUANDO FOI LANÇADA AO ESTRELATO, GISELE JÁ PASSOU...
13 000 horas em estúdios de fotografia
2 000 horas sentada em uma cadeira de cabeleireiro
4 dias mergulhada em espuma, fotografando para uma campanha da francesa Dior

... JÁ DESFILOU...
4 800 modelos de roupas

... E JÁ PERCORREU...
em mais de 600 desfiles, cerca de 200 quilômetros nas passarelas, o equivalente à metade do percurso entre Rio de Janeiro e São Paulo. E de salto alto

 

 

As mil faces de Gisele

 
Um dos aspectos que mais agradam a fotógrafos e maquiadores é a sua capacidade de transmutação. Seu rosto, que não tem nada daqueles traços de bonequinha de luxo e apresenta como marca principal o nariz proeminente, permite que ela assuma os ares de diversos tipos de mulher nos ensaios fotográficos e desfiles que protagoniza

 

Gisele não namora, fica

 

COMO VEIO, FOI

Ela e o empresário paulista João Paulo Diniz já eram amigos quando rolou um clima. Eles ficaram juntos algumas vezes – numa delas, a top apareceu de seios nus na sacada da casa de praia dele
Ronaldo Ceravolo
   

SE ELE NÃO QUER, ELA MUITO MENOS

Com o galã Leonardo DiCaprio, o namoro durou dois anos. No Carnaval passado, ela trouxe a mãe dele para visitar o Brasil. Dizem que foi a modelo quem pôs fim à relação, em junho último. A gota d'água? DiCaprio dispensou a companhia da bela para se divertir com amigos
AP
   

VAI OU NÃO VAI?

Se dependesse da torcida, a modelo já teria casado com o ator Rodrigo Santoro. Eles ensaiam um romance desde o Carnaval do ano passado. Recentemente, a boataria ganhou mais força, quando estrelaram juntinhos uma campanha de um cartão de crédito
Rafael Campos
   

RICARDINHO ESTÁ NO PÁREO
O mais novo aspirante a namorado de Gisele é o playboy Ricardinho Mansur. O rapaz tem-se esforçado. Faltou à própria festa de aniversário só para levar a namorada ao aeroporto. Ela foi, ele ficou
Regina de Grammont/Glamurama

 

"O que fizeram comigo não foi ético"

Na quinta-feira passada, de um estúdio fotográfico em Nova York, Gisele Bündchen falou por telefone à subeditora Anna Paula Buchalla sobre sua participação na campanha dos casacos de pele da Blackglama e os protestos dos ecologistas da ONG Peta. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Veja – Por que você aceitou participar de uma campanha de um fabricante de casacos de pele?
Gisele – É importante que as pessoas saibam que eu estava apenas fazendo o meu trabalho. Os Estados Unidos são um país livre, onde todos têm o direito de opinar e cada um faz o que quer com a sua vida. Os manifestantes da Peta têm o direito de defender a sua causa, e eu tenho o direito de trabalhar no que bem entender.

Veja – O que passou pela sua cabeça no momento em que as ativistas invadiram a passarela?
Gisele – É lógico que foi uma surpresa muito desagradável. De repente, apareceram aquelas mulheres raivosas, com cartazes nas mãos. Sinceramente, mal consegui ler o que estava escrito. Só vi o meu nome e pensei: "Mas o que é isso?" Só me restava manter a concentração e continuar desfilando. Foi o que fiz.

Veja – A indústria das peles é considerada uma das mais cruéis. Isso não a incomoda?
Gisele – Eu adoro bichos. Tenho três cachorros e dois cavalos que são minhas paixões. Agora, se matam os minks, o que eu posso fazer? Matam galinhas e vacas e ninguém fala nada. Por que não protestam contra essas pessoas também? Só sei que o que fizeram comigo não foi nada ético. Além disso, invadiram o desfile de uma grife, a Victoria's Secret, que não tem nada a ver com a história das peles. No fim, eles é que fizeram papel ridículo.

Veja – Mas mesmo depois dessa confusão você não se arrepende de ter posado com casaco de pele?
Gisele – Para mim, esse foi um trabalho como qualquer outro. Mas estou aberta ao diálogo. Fui informada de que a Peta procurou a minha agência, a IMG, em Nova York. Estou disposta a ouvir a reclamação deles e a colaborar no que for preciso.

Veja – É verdade que, além de 500 000 dólares de cachê, você ganhou dois casacos para estrelar a campanha da Blackglama?
Gisele – Eu jamais falo sobre os valores de meus contratos. Agora, essa história de ganhar casaco como forma de pagamento é a coisa mais ridícula que já ouvi. Justo eu? Em primeiro lugar, não preciso disso. Em segundo, nunca usei casaco de pele. Esse tipo de roupa não faz o meu estilo. Sou adepta do jeans, camiseta e tênis. Salto alto, só para trabalhar, porque o meu pé dói. Fora do trabalho, ninguém jamais me viu ou vai me ver usando um casaco de pele.

 

   
 
   
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