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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Melhor que o de colesterol

Surge um novo exame, simples
e mais eficaz, para prevenir o
risco de um ataque cardíaco

Perca peso, faça mais exercícios e, acima de tudo, mantenha o seu colesterol lá embaixo. A receita vem sendo prescrita há décadas pelos médicos para prevenir doenças cardíacas. O problema com essa fórmula é que metade de todos os infartos ocorre com pessoas cujos níveis de colesterol são perfeitamente normais. Além do colesterol, os cientistas já identificaram mais de 200 outros fatores de risco. Se apesar disso a fórmula continua a ser repetida é porque não havia sido encontrado nada melhor que os índices do colesterol bom e do ruim no sangue para medir a saúde do sistema cardiovascular. Bom, não existia. Em um megaestudo, publicado há duas semanas no The New England Journal of Medicine, a bíblia dos avanços médicos, pesquisadores americanos demonstraram que um outro exame de sangue, que mede a intensidade dos processos inflamatórios nos vasos sanguíneos, é tão bom e, em alguns casos, mais eficaz que o de colesterol. O procedimento é simples, rápido e está disponível há um ano em bons laboratórios brasileiros, pelo preço médio de 60 reais.

O indicador que substitui o colesterol é a quantidade no sangue de uma proteína, a C-reativa. Não há nada de novo a respeito da existência dela, conhecida desde os anos 30. A proteína é liberada pelo fígado sempre que há uma infecção aguda ou crônica no organismo. A novidade é a comprovação de que há ligação entre os altos índices dessa substância e o infarto. Ao tentar destruir a placa de gordura acumulada nas paredes das artérias, o sistema imunológico acaba provocando um processo inflamatório. Se for muito intenso, ele rompe a placa, criando o coágulo que pode entupir a artéria e causar o infarto. Quanto mais inflamada estiver a placa, maior quantidade de C-reativa será encontrada no sangue. "Trata-se de um elemento definitivo para confirmar a existência de arteriosclerose em qualquer pessoa", diz Juarez Ortiz, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. "Pode-se identificar o risco de arteriosclerose em pessoas que não têm colesterol alto, não fumam, não têm diabetes nem pressão alta."

A pesquisa, conduzida pelo médico Paul Ridker, diretor do Brigham and Women's Hospital, em Boston, com o apoio da Universidade Harvard, acompanhou 28.000 mulheres por oito anos. A conclusão foi que as mulheres com alta concentração dessa proteína no sangue apresentavam duas vezes mais risco de ter infarto ou derrame que as mulheres com colesterol alto ou baixo. Há um único problema com o teste. A presença da C-reativa pode aumentar até dez vezes em quem pega uma gripe ou sofre de artrite. Por isso, o exame não deve ser realizado sem acompanhamento médico. Também não deve substituir a checagem dos índices de colesterol. Na verdade, ambos se completam. O de colesterol indica a probabilidade de uma pessoa ter placas de gordura acumuladas nos vasos sanguíneos e o de C-reativa mostra o risco de um infarto. Não é preciso entrar em pânico se o índice de C-reativa estiver alto. Ele pode ser controlado. "Nesse caso, as receitas clássicas de prevenção aconselhadas para evitar infarto devem ser levadas em consideração", diz o cardiologista Whady Hued, do Instituto do Coração, em São Paulo. Em outras palavras, largue o fumo, faça exercícios e evite alimentos gordurosos. Uma aspirina por dia também ajuda. De qualquer modo, é melhor consultar o médico primeiro.

   
 
   
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