
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Melhor que o de colesterol
Surge
um novo exame, simples
e mais eficaz, para prevenir o
risco de um ataque cardíaco
Perca peso,
faça mais exercícios e, acima de tudo, mantenha o seu colesterol
lá embaixo. A receita vem sendo prescrita há décadas
pelos médicos para prevenir doenças cardíacas. O
problema com essa fórmula é que metade de todos os infartos
ocorre com pessoas cujos níveis de colesterol são perfeitamente
normais. Além do colesterol, os cientistas já identificaram
mais de 200 outros fatores de risco. Se apesar disso a fórmula
continua a ser repetida é porque não havia sido encontrado
nada melhor que os índices do colesterol bom e do ruim no sangue
para medir a saúde do sistema cardiovascular. Bom, não existia.
Em um megaestudo, publicado há duas semanas no The New England
Journal of Medicine, a bíblia dos avanços médicos,
pesquisadores americanos demonstraram que um outro exame de sangue, que
mede a intensidade dos processos inflamatórios nos vasos sanguíneos,
é tão bom e, em alguns casos, mais eficaz que o de colesterol.
O procedimento é simples, rápido e está disponível
há um ano em bons laboratórios brasileiros, pelo preço
médio de 60 reais.
O indicador
que substitui o colesterol é a quantidade no sangue de uma proteína,
a C-reativa. Não há nada de novo a respeito da existência
dela, conhecida desde os anos 30. A proteína é liberada
pelo fígado sempre que há uma infecção aguda
ou crônica no organismo. A novidade é a comprovação
de que há ligação entre os altos índices dessa
substância e o infarto. Ao tentar destruir a placa de gordura acumulada
nas paredes das artérias, o sistema imunológico acaba provocando
um processo inflamatório. Se for muito intenso, ele rompe a placa,
criando o coágulo que pode entupir a artéria e causar o
infarto. Quanto mais inflamada estiver a placa, maior quantidade de C-reativa
será encontrada no sangue. "Trata-se de um elemento definitivo
para confirmar a existência de arteriosclerose em qualquer pessoa",
diz Juarez Ortiz, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. "Pode-se
identificar o risco de arteriosclerose em pessoas que não têm
colesterol alto, não fumam, não têm diabetes nem pressão
alta."
A pesquisa,
conduzida pelo médico Paul Ridker, diretor do Brigham and Women's
Hospital, em Boston, com o apoio da Universidade Harvard, acompanhou 28.000
mulheres por oito anos. A conclusão foi que as mulheres com alta
concentração dessa proteína no sangue apresentavam
duas vezes mais risco de ter infarto ou derrame que as mulheres com colesterol
alto ou baixo. Há um único problema com o teste. A presença
da C-reativa pode aumentar até dez vezes em quem pega uma gripe
ou sofre de artrite. Por isso, o exame não deve ser realizado sem
acompanhamento médico. Também não deve substituir
a checagem dos índices de colesterol. Na verdade, ambos se completam.
O de colesterol indica a probabilidade de uma pessoa ter placas de gordura
acumuladas nos vasos sanguíneos e o de C-reativa mostra o risco
de um infarto. Não é preciso entrar em pânico se o
índice de C-reativa estiver alto. Ele pode ser controlado. "Nesse
caso, as receitas clássicas de prevenção aconselhadas
para evitar infarto devem ser levadas em consideração",
diz o cardiologista Whady Hued, do Instituto do Coração,
em São Paulo. Em outras palavras, largue o fumo, faça exercícios
e evite alimentos gordurosos. Uma aspirina por dia também ajuda.
De qualquer modo, é melhor consultar o médico primeiro.
|
|
 |
|
 |

|
 |