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Como vender aviões
na China?
A Embraer
recorreu ao
tradutor
digital Babylon, que tem os brasileiros
como seus campeões de utilização
Adriana Carvalho
Daniela Picoral
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| Demonstração
de projeto na Embraer: tradutor da internet ajuda a comunicação
com clientes na China |
Eis um recorde
do qual pouco se ouve falar mas que, de certa forma, vale mais que alguns
feitos esportivos. Os brasileiros são recordistas de uso da internet
no que ela tem de mais produtivo, os serviços de tradução
automática de idiomas. Um dos serviços de tradução
mais utilizados no mundo é um programa de computador produzido
originalmente em Israel e que se chama Babylon. Ele traduz palavras e
expressões em mais de uma dezena de idiomas. Pois bem, os brasileiros
são os mais numerosos usuários do Babylon. Somos os campeões
entre todos os países que utilizam esse serviço. Cerca de
1,4 milhão de brasileiros se servem dos dicionários virtuais
do Babylon. Há mais usuários brasileiros do que alemães,
italianos, franceses, chineses ou americanos.
"O Brasil
é um país muito grande, envolvido em uma enorme gama de
negócios internacionais. E isso justifica a necessidade constante
de utilizar dicionários", explica Alon Carmeli, vice-presidente
da empresa israelense. Intrigados com a enorme procura pelos serviços
de seu tradutor digital no Brasil, os executivos da Babylon também
descobriram algo muito interessante. "O Babylon é uma ferramenta
mais útil para quem tem pelo menos o conhecimento básico
de línguas estrangeiras, como o inglês. Em relação
a usuários de outros grandes países, os do Brasil têm
um nível muito bom, acima do básico, no que se refere à
língua inglesa", diz Carmeli.
A ampliação
do comércio exterior do Brasil também ajuda a explicar o
sucesso do Babylon, que fornece ainda serviços profissionais de
tradução. Uma das grandes clientes brasileiras da empresa
israelense, a Embraer, precisou de uma ferramenta de entendimento instantâneo
com seus compradores na China. A Babylon desenvolveu um produto específico
para atender a essa necessidade. Já para a Petrobras e a Fundação
Getúlio Vargas, a Babylon está fazendo projetos-piloto para
a criação de dicionários de jargões técnicos
utilizados pelas duas instituições. Para uso pessoal, o
software foi gratuito até agosto. Desde então, quem usa
com freqüência o tradutor virtual tem de pagar o equivalente
a 18 dólares por uma licença anual. O sucesso do tradutor
digital israelense é uma mostra também de que a internet
se torna cada vez mais diversa. "Estamos assistindo a uma queda proporcional
acentuada de usuários em língua inglesa na rede", diz Gus
Schattenberg, vice-presidente da Ipsos-Reid, empresa especializada em
internet baseada no Canadá. Segundo a Ipsos-Reid, o número
de internautas assíduos que têm o inglês como seu primeiro
idioma era de 216 milhões em março de 2001. Naquele mesmo
período, os usuários freqüentes da rede que usavam
outros idiomas que não o inglês chegavam a 238 milhões.
"China e América Latina são as regiões onde a internet
proporcionalmente mais cresce", afirma Schattenberg. "Por isso, em breve,
para cada usuário de língua inglesa haverá dois que
se servem primariamente de outro idioma."
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