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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Como vender aviões
na China?

A Embraer recorreu ao tradutor
digital Babylon, que tem os brasileiros
como seus campeões de utilização

Adriana Carvalho

 
Daniela Picoral
Demonstração de projeto na Embraer: tradutor da internet ajuda a comunicação com clientes na China

Eis um recorde do qual pouco se ouve falar mas que, de certa forma, vale mais que alguns feitos esportivos. Os brasileiros são recordistas de uso da internet no que ela tem de mais produtivo, os serviços de tradução automática de idiomas. Um dos serviços de tradução mais utilizados no mundo é um programa de computador produzido originalmente em Israel e que se chama Babylon. Ele traduz palavras e expressões em mais de uma dezena de idiomas. Pois bem, os brasileiros são os mais numerosos usuários do Babylon. Somos os campeões entre todos os países que utilizam esse serviço. Cerca de 1,4 milhão de brasileiros se servem dos dicionários virtuais do Babylon. Há mais usuários brasileiros do que alemães, italianos, franceses, chineses ou americanos.

"O Brasil é um país muito grande, envolvido em uma enorme gama de negócios internacionais. E isso justifica a necessidade constante de utilizar dicionários", explica Alon Carmeli, vice-presidente da empresa israelense. Intrigados com a enorme procura pelos serviços de seu tradutor digital no Brasil, os executivos da Babylon também descobriram algo muito interessante. "O Babylon é uma ferramenta mais útil para quem tem pelo menos o conhecimento básico de línguas estrangeiras, como o inglês. Em relação a usuários de outros grandes países, os do Brasil têm um nível muito bom, acima do básico, no que se refere à língua inglesa", diz Carmeli.

A ampliação do comércio exterior do Brasil também ajuda a explicar o sucesso do Babylon, que fornece ainda serviços profissionais de tradução. Uma das grandes clientes brasileiras da empresa israelense, a Embraer, precisou de uma ferramenta de entendimento instantâneo com seus compradores na China. A Babylon desenvolveu um produto específico para atender a essa necessidade. Já para a Petrobras e a Fundação Getúlio Vargas, a Babylon está fazendo projetos-piloto para a criação de dicionários de jargões técnicos utilizados pelas duas instituições. Para uso pessoal, o software foi gratuito até agosto. Desde então, quem usa com freqüência o tradutor virtual tem de pagar o equivalente a 18 dólares por uma licença anual. O sucesso do tradutor digital israelense é uma mostra também de que a internet se torna cada vez mais diversa. "Estamos assistindo a uma queda proporcional acentuada de usuários em língua inglesa na rede", diz Gus Schattenberg, vice-presidente da Ipsos-Reid, empresa especializada em internet baseada no Canadá. Segundo a Ipsos-Reid, o número de internautas assíduos que têm o inglês como seu primeiro idioma era de 216 milhões em março de 2001. Naquele mesmo período, os usuários freqüentes da rede que usavam outros idiomas que não o inglês chegavam a 238 milhões. "China e América Latina são as regiões onde a internet proporcionalmente mais cresce", afirma Schattenberg. "Por isso, em breve, para cada usuário de língua inglesa haverá dois que se servem primariamente de outro idioma."



   
 
   
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