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Será que dá
tempo?
Novos
produtos aceleram a
corrida de todo verão às clínicas
de tratamentos estéticos
Ariel Kostman

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Todo fim
de ano é igual: tendo diante de si o Natal, o réveillon
e as férias na praia, mulheres correm atrás de tratamentos
que as deixem em poucas semanas com a pele impecável e o corpo
com a forma que meses de despreocupação tinham apagado do
espelho. Na luta para não fazer feio dentro do biquíni e
para manter uma aparência jovial, vale até injeção
na testa. De Botox, é claro. Como, no entanto, são a largura
dos quadris e o diâmetro da cintura os problemas que mais atormentam
a alma feminina nessa época, as clínicas de estética
têm nome para o fenômeno: "boom corporal". Pois neste ano
o tal boom está atingindo proporções nunca vistas,
puxado pelo novo queridinho do mercado, o Lipostabil, nome comercial de
uma substância derivada da soja, a fosfatidilcolina, que tem a capacidade
aparentemente miraculosa de "derreter" gorduras localizadas (os resultados
a longo prazo ninguém ainda conhece, mas que mulher vai pensar
nisso na hora de encarar o espelho?).
Na clínica
da dermatologista Adriana Vilarinho, em São Paulo, o número
de tratamentos com Lipostabil pulou de quinze por dia, em agosto, para
32 atualmente. A farmacêutica Viviane Politarchis, do laboratório
Labase, que manipula a fosfatidilcolina, confirma: as vendas cresceram
50% nos últimos três meses. Isso, apesar do preço
e da dor. Cada aplicação custa entre 150 e 200 reais e são
necessárias de seis a dez sessões para atingir resultados
visíveis. E dói para danar o Lipostabil é
uma substância oleosa, que, enquanto não é absorvida
ou eliminada, torna bastante sensível o local da aplicação.
"Ao encostar em qualquer coisa, a pessoa tem a sensação
de estar sendo beliscada", avisa o dermatologista Alexandre Santana, de
São Paulo.
Santana
confirma a enorme procura pelo tratamento também em seu consultório,
onde o número de aplicações triplicou com a chegada
do calor. "No inverno, as pessoas se preocupam mais com o rosto", explica
Patricia Prieto, fisioterapeuta da clínica paulista Kyron. "Em
novembro, procuram melhorar o corpo." Isso não quer dizer que as
loucas por uma pele lisinha tenham perdido interesse pelo maior sucesso
em tratamentos estéticos dos últimos tempos: a toxina botulínica
contida no Botox, produto precursor e até hoje campeão de
vendas. O Allergan, laboratório que o produz, confirma que no Brasil,
seu segundo maior mercado mundial, a venda de Botox neste ano foi 60%
maior que em 2001 (que, por sua vez, já havia registrado salto
das mesmas proporções em relação ao ano anterior).
Também duplicou nos últimos meses a produção
nacional de DMAE, substância que, na forma de creme, rejuvenesce
a aparência da face ao recompor a elasticidade muscular, afetada
pelo passar dos anos. Igualmente, esta é a hora em que crescem
as filas de interessadas em preencher rugas e vincos que o rigoroso regime
para emagrecer outro sacrifício obrigatório da temporada
costuma aprofundar em rostos menos jovens. No consultório
da endocrinologista Débora Mainardi, a hora marcada para preenchimento
facial tem espera de dezoito dias, demora resultante, em parte, do crescente
número de homens que buscam o tratamento. "Eles já representam
quase 20% da minha clientela", diz Débora.
Ao lado
desses tratamentos de eficácia comprovada, ainda que passageira
(o efeito do Botox se esvai em cerca de seis meses; o do preenchimento,
em no máximo um ano; o do DMAE só dura enquanto se usa o
creme), as clínicas de estética costumam empurrar um arsenal
de ferramentas estéticas pouco mais que cosméticas, como
mesoterapia, endermologia e drenagem linfática, em pacotes de oito
a dez sessões, a preços estratosféricos. As mulheres
aceitam? Aceitam, pagam e elogiam. "Por melhor que esteja, toda mulher
se sente um pouco gorda", filosofa a médica Tsai I Shan, da clínica
Kyron. "E, para a mulher, nada é pior do que essa sensação."
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