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Edição 1 779 - 27 de novembro de 2002
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Será que dá tempo?

Novos produtos aceleram a
corrida de todo verão às clínicas
de tratamentos estéticos

Ariel Kostman


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Todo fim de ano é igual: tendo diante de si o Natal, o réveillon e as férias na praia, mulheres correm atrás de tratamentos que as deixem em poucas semanas com a pele impecável e o corpo com a forma que meses de despreocupação tinham apagado do espelho. Na luta para não fazer feio dentro do biquíni e para manter uma aparência jovial, vale até injeção na testa. De Botox, é claro. Como, no entanto, são a largura dos quadris e o diâmetro da cintura os problemas que mais atormentam a alma feminina nessa época, as clínicas de estética têm nome para o fenômeno: "boom corporal". Pois neste ano o tal boom está atingindo proporções nunca vistas, puxado pelo novo queridinho do mercado, o Lipostabil, nome comercial de uma substância derivada da soja, a fosfatidilcolina, que tem a capacidade aparentemente miraculosa de "derreter" gorduras localizadas (os resultados a longo prazo ninguém ainda conhece, mas que mulher vai pensar nisso na hora de encarar o espelho?).

Na clínica da dermatologista Adriana Vilarinho, em São Paulo, o número de tratamentos com Lipostabil pulou de quinze por dia, em agosto, para 32 atualmente. A farmacêutica Viviane Politarchis, do laboratório Labase, que manipula a fosfatidilcolina, confirma: as vendas cresceram 50% nos últimos três meses. Isso, apesar do preço e da dor. Cada aplicação custa entre 150 e 200 reais e são necessárias de seis a dez sessões para atingir resultados visíveis. E dói para danar – o Lipostabil é uma substância oleosa, que, enquanto não é absorvida ou eliminada, torna bastante sensível o local da aplicação. "Ao encostar em qualquer coisa, a pessoa tem a sensação de estar sendo beliscada", avisa o dermatologista Alexandre Santana, de São Paulo.

Santana confirma a enorme procura pelo tratamento também em seu consultório, onde o número de aplicações triplicou com a chegada do calor. "No inverno, as pessoas se preocupam mais com o rosto", explica Patricia Prieto, fisioterapeuta da clínica paulista Kyron. "Em novembro, procuram melhorar o corpo." Isso não quer dizer que as loucas por uma pele lisinha tenham perdido interesse pelo maior sucesso em tratamentos estéticos dos últimos tempos: a toxina botulínica contida no Botox, produto precursor e até hoje campeão de vendas. O Allergan, laboratório que o produz, confirma que no Brasil, seu segundo maior mercado mundial, a venda de Botox neste ano foi 60% maior que em 2001 (que, por sua vez, já havia registrado salto das mesmas proporções em relação ao ano anterior). Também duplicou nos últimos meses a produção nacional de DMAE, substância que, na forma de creme, rejuvenesce a aparência da face ao recompor a elasticidade muscular, afetada pelo passar dos anos. Igualmente, esta é a hora em que crescem as filas de interessadas em preencher rugas e vincos que o rigoroso regime para emagrecer – outro sacrifício obrigatório da temporada – costuma aprofundar em rostos menos jovens. No consultório da endocrinologista Débora Mainardi, a hora marcada para preenchimento facial tem espera de dezoito dias, demora resultante, em parte, do crescente número de homens que buscam o tratamento. "Eles já representam quase 20% da minha clientela", diz Débora.

Ao lado desses tratamentos de eficácia comprovada, ainda que passageira (o efeito do Botox se esvai em cerca de seis meses; o do preenchimento, em no máximo um ano; o do DMAE só dura enquanto se usa o creme), as clínicas de estética costumam empurrar um arsenal de ferramentas estéticas pouco mais que cosméticas, como mesoterapia, endermologia e drenagem linfática, em pacotes de oito a dez sessões, a preços estratosféricos. As mulheres aceitam? Aceitam, pagam e elogiam. "Por melhor que esteja, toda mulher se sente um pouco gorda", filosofa a médica Tsai I Shan, da clínica Kyron. "E, para a mulher, nada é pior do que essa sensação."

   
 
   
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