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A criança
que perdeu
80 quilos
Adolescentes
obesos começam
a recorrer à cirurgia de redução
do
estômago
Gabriela
Carelli
Álbum de família
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Antonio Milena
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Bernard aos 13 anos, com 170 quilos, e hoje, aos 18: "Posso até
comer um Big Mac, se quiser"
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Veja também |
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Bernard Ottoboni
de Andrade tem 18 anos, 1,60 metro e 90 quilos. Há cinco anos,
não chegava a 1,60 metro e pesava 170 quilos. Os 80 quilos de excesso
sumiram por obra do bisturi. Ele foi um dos primeiros adolescentes brasileiros
submetidos à cirurgia de redução do estômago,
recurso radical para solucionar casos de obesidade mórbida. É
quando o gordo está 45 quilos ou mais acima do peso ideal e sofre
de problemas de saúde decorrentes, como hipertensão, diabetes
e apnéia do sono. Nos últimos dois anos disparou a quantidade
de brasileiros com idade entre 12 e 17 anos que recorreram a esse tratamento
para perder peso foram mais de cinqüenta cirurgias. Isso ocorre
devido ao aumento da obesidade infantil no mundo. Quando a primeira cirurgia
em uma criança foi feita, no início dos anos 90 nos Estados
Unidos, tratava-se de um caso raro de obesidade causada por problemas
genéticos. Hoje, o excesso de peso deve-se à combinação
de alimentação de má qualidade, sedentarismo e herança
genética a tríade que fez a porcentagem de crianças
brasileiras acima do peso ideal saltar de 3% para 14%.
A cirurgia
garante emagrecimento muito mais rápido e duradouro que qualquer
dieta alimentar. Para os adultos que sofrem de obesidade mórbida,
pode ser a única saída. Como a cirurgia divide o estômago
em dois e forma uma câmara em que cabem de 20 a 40 mililitros de
alimento (um estômago normal tem espaço para até 2
litros de comida), o emagrecimento é muito rápido. Em um
ano, o peso cai 40% e, em conseqüência do emagrecimento, o
risco de infarto ou derrame diminui. Nos jovens, a perda de peso e a redução
do risco de doenças ocorrem da mesma forma. A diferença
é que não há estudos sobre as conseqüências
a longo prazo de um procedimento cirúrgico tão agressivo
num organismo em fase de crescimento. Para se ter uma idéia do
estrago, nesse tipo de cirurgia o estômago é cortado ou grampeado
e são excluídos até 4 metros de intestino.
É
consenso entre os médicos que cirurgias de redução
de estômago em jovens só devem ser feitas em casos em que
há risco para a vida e com o aval de uma junta médica. "Todos
os métodos, inclusive o uso de remédios e temporadas em
spas, devem ser tentados antes de se optar pela operação",
diz o cirurgião Arthur Garrido, que já operou 36 adolescentes.
A cautela explica-se também pelos aspectos psicológicos
e comportamentais da obesidade juvenil. Principalmente se a criança,
recém-saída da cirurgia com um estômago diminuto,
não conseguir frear sua compulsão alimentar. Foi o que aconteceu
com uma menina de São Paulo, operada aos 12 anos. Ela continuou
a se empanturrar de comida além da nova capacidade de seu estômago
e morreu em poucos meses, sufocada pelo próprio vômito. A
maioria das cirurgias com adolescentes tem resultados bem mais animadores.
A vida de Bernard Ottoboni de Andrade, que tinha problemas circulatórios
e depressão causados pelo excesso de peso, é hoje muito
melhor em todos os aspectos. Quando era gordão, ele almoçava
três Big Mac com batatas fritas. Hoje, precisa de uma estratégia
para digerir um único sanduíche. "Até consigo comer
um Big Mac se quiser", diz. "Divido o sanduíche em quatro e como
um pedaço a cada quinze minutos."
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