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E
já vai tarde
"Osama
bin Laden prometeu atacar
a Itália. Alguns de seus alvos estão
em Veneza, onde eu moro.
O Museu
Guggenheim, perto da minha casa,
está no topo da lista. Olha o Diogo
indo pelos ares!"
Osama bin Laden está vivo. Em sua última fita, prometeu
atacar a Itália. Vem bomba por aí. O governo italiano decretou
o estado de alerta. Foram identificados 4.481 potenciais alvos de atentados
em todo o país. Alguns deles se encontram em Veneza, onde eu moro.
O Museu Guggenheim, fundado por uma família americana e judia,
certamente está no topo da lista. Fica a 50 metros da minha casa.
Passo diante dele diversas vezes por dia. Olha o Diogo indo pelos ares!
Outro possível objetivo do terrorismo islâmico é a
Igreja de San Petronio, em Bolonha. Em agosto, quatro marroquinos chegaram
a ser presos, acusados de planejar um atentado contra a igreja, mas, como
tudo na Itália, o caso se revelou uma farsa, porque os pobres coitados
eram simples turistas. A comunidade islâmica hostiliza a Igreja
de San Petronio por causa de um afresco do século XV, de Giovanni
da Modena. Inspirado no canto XXVIII da Divina Comédia,
de Dante Alighieri, o afresco mostra o profeta Maomé no inferno,
no fosso dos semeadores de discórdia, nu, torturado por um diabo,
que o dilacera continuamente com uma espada, do queixo até a virilha,
expondo-lhe as vísceras. É um dos trechos mais cruentos
da Divina Comédia, suprimido por todos os tradutores muçulmanos.
O destino de Maomé é pior que o de Ulisses, eternamente
envolto em chamas. Ou o de Cleópatra, arrastada por uma tempestade.
Ou o de Alexandre Magno, mergulhado num rio candente.
Como nos tempos de Dante Alighieri, os italianos ainda usam seus talentos
retóricos para ofender os muçulmanos. Logo depois dos atentados
de 11 de setembro, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi afirmou que a
cultura ocidental era superior à maometana. E Oriana Fallaci, a
mais célebre jornalista do país, publicou um manifesto contra
o mundo árabe. Na falta do que fazer, costumo consultar os sites
dos fundamentalistas islâmicos na internet. Em meio a anúncios
de vídeos com títulos dantescos sobre a guerra na Chechênia
(Inferno Russo I, II e III 49,95 dólares),
sempre encontro promessas de atentados sanguinários contra a Itália.
A figura mais aterrorizadora da Divina Comédia é
o conde Ugolino. Condenado ao inferno por ter devorado os cadáveres
dos filhos, sua pena é uma fome insaciável de carne humana.
Na semana passada, cientistas italianos finalmente conseguiram identificar
sua ossada numa igreja de Pisa, através de um exame de DNA, o mesmo
usado pelos americanos em Tora Bora, na fracassada tentativa de encontrar
os restos mortais de Osama bin Laden. Enquanto os cientistas italianos
encontravam a ossada do conde Ugolino, a filha da terrorista Ulrike Meinhof
encontrava o cérebro da mãe, que cientistas alemães
conservavam numa bacia de formol na Universidade de Magdeburg. Os cientistas
alemães foram acusados de dar sumiço no cérebro de
outros três terroristas do grupo Baader-Meinhof, que se suicidaram
na cadeia nos anos 70 e tiveram seus corpos dilacerados como o do Maomé
dantesco, com o objetivo de submetê-los a estudos. A conclusão
foi que o cérebro dos terroristas é igual ao de todo mundo.
Olha o Diogo indo pelos ares! Vai tarde!
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