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Para
voltar a crescer
Roberto Castro/AE
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| Wolfensohn,
Lula e Palocci: a missão é baixar os juros |
Na
semana passada, os juros básicos da economia foram fixados em 22%
ao ano. Na vida real, os brasileiros já pagam os maiores juros
do planeta. Empresas e consumidores são asfixiados com juros três,
quatro e até cinco vezes maiores que a taxa básica. É
impossível conceber um sistema econômico viável com
essas taxas. Portanto, é com esperança que se vê os
dirigentes petistas colocarem como prioridade a criação
de condições para a derrubada dos juros. Isso implica fazer
as reformas que corrijam as pesadas distorções impostas
ao país nas áreas trabalhista, tributária e previdenciária,
entre outras. As empresas brasileiras pagam encargos de 103% sobre a folha
salarial. Nos Estados Unidos esse valor é de 9%. Os brasileiros
trabalham quatro meses do ano só para pagar impostos, um recorde
entre os países em desenvolvimento. A mais urgente das reformas
é a da previdência do setor público. O país
gasta mais de 30 bilhões de reais por ano com o pagamento de pensões
aos funcionários públicos, que recebem, em média,
oito vezes mais que os aposentados da iniciativa privada. O Brasil só
pode voltar a crescer quando essas distorções forem corrigidas.
Quando se apresentava com o discurso incendiário das rupturas impossíveis,
tudo que se esperava do PT é que não tivesse a chance de
testar suas idéias no governo. Com a eleição para
a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva e seu compromisso
com a estabilidade e as reformas, o anseio dos brasileiros agora é
que o PT realmente transforme seu discurso em prática. Os mercados
estão dando a trégua necessária. O Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) estão demonstrando
boa vontade com a nova administração, como ficou claro na
reunião de Lula e Antônio Palocci, coordenador da transição,
com James Wolfensohn, presidente do Bird. Só com a queda do dólar
para a vizinhança dos 3,50 reais, o estoque da dívida pública
ficou 4% menor. As boas notícias abrem espaço para que o
presidente Lula possa tomar as difíceis providências que
permitirão a queda dos juros e a retomada do crescimento. Veja
reportagens sobre a sucessão.
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