Edição 1877 . 27 de outubro de 2004

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Price, em Dr. Phibes: mestre do terrir


Coleção Vincent Price
(PlayArte) – Entre os anos 50 e 70, já tendo abandonado as pretensões a ator dramático, o americano Vincent Price virou o grande nome do "terrir" – o terror com humor (ou escracho). Os três títulos dessa caixa estão entre a nata do gênero. O Corvo (1963), que tira seu mote do poema de Edgar Allan Poe, é uma produção até caprichada para os padrões do diretor Roger Corman, que completa o elenco com Peter Lorre, Boris Karloff e um Jack Nicholson quase imberbe. Em As Sete Máscaras da Morte (1973), Price é um ator que se vinga de forma escabrosa das críticas ruins que recebeu. O tema volta em O Abominável Dr. Phibes (1971), a jóia da coleção: mesmo estando mais morto do que vivo, o Dr. Phibes dá o troco aos nove médicos que despacharam sua mulher para o além.

Millennium – A Primeira Temporada (Estados Unidos, 1996. Fox) – No auge de Arquivo X, seu criador, Chris Carter, tentou capitalizar o sucesso com essa série ainda mais macabra. O plano não correu como o esperado: Millennium não tinha o charme de sua antecessora, e por isso durou só três anos, sem nunca ter atingido a popularidade de Arquivo X. O que não significa que seja inferior. Lance Henriksen, com seu rosto sempre triste e vincado, é Frank Black, um detetive com poderes paranormais. Aposentado do FBI por causa de um colapso nervoso, Black agora trabalha para um grupo que se dedica a caçar os autores de crimes hediondos – e ponha-se hediondo nisso –, ao mesmo tempo em que tenta identificar um perseguidor misterioso, que tem sempre sua família na mira.

 

LIVROS

O Segredo dos Flamengos, de Federico Andahazi (tradução de Sérgio Fischer; L± 206 páginas; 26 reais) – O psicanalista e escritor argentino Federico Andahazi ganhou fama com O Anatomista, romance baseado na vida de Mateo Realdo Colombo, cientista do século XVI que foi reputado como o primeiro a descrever uma parte fundamental da anatomia íntima feminina – o clitóris. Nesse novo livro, Andahazi volta à mesma época para criar uma envolvente história de crime e mistério nos estúdios de arte. A partir do assassinato do jovem aprendiz de um artista de Florença, a trama expõe a rivalidade entre os mestres florentinos, especialistas na perspectiva, e os flamengos, que dominavam a tecnologia das cores e tintas.

Contos e Novelas Reunidos, de Samuel Rawet (Civilização Brasileira; 490 páginas; 49,90 reais) – O livro reúne os principais títulos da obra desse autor que, há muito tempo ausente das livrarias, era um nome cult nos sebos. Tipo difícil e solitário, Rawet foi encontrado morto num apartamento em Sobradinho, em 1984. A morte na cidade-satélite de Brasília – capital que ele, como engenheiro, havia ajudado a construir – é emblemática de sua posição excêntrica na literatura brasileira. Nascido numa comunidade judaica na Polônia e criado num subúrbio carioca, Rawet construiu sua obra em torno do exílio e do estranhamento cultural. No conto A Prece, por exemplo, os vizinhos de uma família judaica confundem cerimônias fúnebres da religião com algum tipo de ritual satânico. Leia trechos.

 

EXPOSIÇÃO

Divulgação
Tela de Cícero Dias: surrealismo


Cícero Dias – Décadas de 20 e 30
(Em cartaz em São Paulo) – Morto em 2003, aos 95 anos, o pintor pernambucano Cícero Dias foi o último remanescente do modernismo nas artes plásticas do país. Essa mostra reúne quase oitenta pinturas de seu início de carreira. Está em exibição no museu da Faap e, em 2005, deverá passar por Curitiba, Recife e Paris – cidade adotada pelo artista a partir de 1937 e onde ele conviveu com figuras como o espanhol Pablo Picasso. No acervo destacam-se as aquarelas que, graças aos nus ousados para a época, chocaram o Rio de Janeiro dos anos 20 e 30. Também há o painel Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife, tela de 15 metros de largura por 2,5 de altura cujo flerte com o surrealismo lhe valeu a admiração nos círculos modernistas.
Veja fotos.

 

DISCOS

 

New Favorite e Live, Alison Krauss + Union Station (Atração) – Sobre a violinista e cantora americana repousa o mérito de levar o bluegrass (uma variante do country) para as massas. Alison entrou nas paradas de sucesso em 2000, quando participou da trilha do filme E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, dos irmãos Coen. Esses dois CDs dão uma boa amostra de seu talento. New Favorite, de 2001, é mais voltado para a canção tradicional americana, enquanto Live (um duplo que será vendido a preço de CD simples) mostra a versatilidade da artista, que também incursiona pelo rock e pelo jazz. Nesse último, ela dá uma canja a um integrante de sua banda. O músico canta I Am a Man of Constant Sorrow, que na fita dos Coen era interpretada pelo ator George Clooney. Ouça os discos.

Rachmaninoff: Piano Concerto Nº 3 e Piano Suíte Nº 2, Martha Argerich (Universal) – Para quem nunca viu os soberbos recitais da pianista argentina ao lado do brasileiro Nelson Freire, esse disco é um belo consolo. Martha toca duas peças do compositor romântico russo Rachmaninoff. Na primeira, ela é acompanhada pelo maestro italiano Ricchardo Chailly e pela Sinfônica da Rádio de Berlim. Trata-se de uma gravação ao vivo, de 1982, em que a performance da pianista é tida por especialistas como o registro definitivo da obra. No movimento final, os dedos de Martha parecem voar sobre o teclado. A suíte para piano foi gravada naquele mesmo ano, ao lado de Freire. Ambos mostram por que figuram na lista dos maiores pianistas do mundo.

 

TELEVISÃO

Divulgação

Straight Plan: eles dão duro para virar machões


Straight Plan for the Gay Man
(Estréia nesta terça, às 19h30, no GNT) – Esse programa é uma sátira de Queer Eye for the Straight Guy, reality show em que gays ensinam um machão a ser metrossexual – quer dizer, um homem de modos, digamos, refinados. Straight Plan vira a fórmula pelo avesso: um gay tido como irrecuperável enfrenta o desafio de virar machão por um dia, sob assessoria de quatro marmanjos que se esforçam para apagar de sua aparência e de seu estilo de vida tudo o que remeta à sua condição. Num episódio, um professor de ioga tem de dar uma de esportista. Em outro, um dançarino da Broadway que se diz "tão gay quanto framboesas" tenta se passar por galanteador – sem muito sucesso.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva , Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva, Sodiler, Submarino, Nobel.
 
 
 
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