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Tales
Alvarenga
Chapeuzinho e o lobo
"Marta é melhor do que isso.
Vamos esperar
que essa fase malufista passe logo"
O presidente Lula agiu na semana passada com
autoridade e bom senso ao desautorizar declarações
estapafúrdias da candidata do PT à reeleição
para a prefeitura de São Paulo. Marta Suplicy, de cima dos
saltos altos que costuma usar até para visitar favelas, fez
afirmações que agridem não apenas o senso comum
dos brasileiros como o próprio caráter ético
e político do governo Lula. Depois de desmentida pelo Palácio
do Planalto, Marta Suplicy voltou a sugerir que o governo petista
dará menos verbas a São Paulo se o vencedor do segundo
turno da eleição municipal for seu adversário,
o tucano José Serra.
Guerra é guerra, mas há certas
coisas que não se fazem nem mesmo nas mais disputadas batalhas
pelo voto popular. Marta passou dos limites ao envolver pessoalmente
o presidente da República num projeto de punição
financeira a São Paulo em caso de vitória tucana.
Certamente, Lula não imaginaria tomar uma atitude tão
disparatada. E o Planalto já o declarou com todas as letras.
"Já disse que o governo não discriminou, não
discrimina nem vai discriminar nenhuma administração",
reafirmou o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política.
Deve-se ter um pouco de tolerância com
candidatos que podem estar desesperados ante o veredicto das urnas.
Em aliança esdrúxula com Paulo Maluf, aquele que ela
chamou no passado de "nefasto", a prefeita Marta Suplicy talvez
imagine que o eleitor não perceba esse tipo de incoerência.
Mas o acerto assusta até as criancinhas. Nem elas conseguem
imaginar Chapeuzinho Vermelho passeando no bosque de mãos
dadas com o lobo. Isso depois de flagrar a fera com as pernas da
vovó balançando para fora da boca.
As pessoas se deixam conhecer principalmente
quando estão sob pressão. Nesta campanha eleitoral
em que perdeu o primeiro turno para José Serra e está
bem atrás nas pesquisas de intenção de voto
para o segundo, Marta Suplicy guardou suas melhores características
no closet, junto com os vestidos caros e exibidos. Optou pelas piores.
No desembaraço com que tenta manipular a simpatia dos eleitores
a qualquer custo, ela está cada vez mais parecida com seu
atual paraninfo, Paulo Salim Maluf.
Maluf sempre procurou se apresentar como um
político fazedor. Nas suas campanhas, os atributos de que
se orgulhava eram o de colocar a polícia na rua e construir
avenidas, viadutos, pontes e túneis. Para fazer um sucessor
na prefeitura de São Paulo, o pupilo Celso Pitta, Maluf transformou
os derradeiros meses de sua gestão num festival jamais visto
de inaugurações. Marta está fazendo a mesma
coisa para se reeleger. Guardou tantas inaugurações
para os últimos meses antes da eleição que
deixou os paulistanos tontos e muito mal-humorados. A prefeita
transformou regiões inteiras em canteiros de obras. O trânsito
se tornou caótico. E lá ia ela, com seus tailleurs
chamativos, fazer vistoria na poeira com capacete de operário.
Na reta final, acelerou o cerco ao eleitor
com uma sem-cerimônia impressionante. Prometeu livrar os motoboys
de taxas e conseguir isenção de impostos para donos
de microônibus. Também se comprometeu com a regulamentação
do trabalho aos domingos para os comerciários e o congelamento
das tarifas de ônibus até o fim do ano que vem. São
truques eleitorais muito óbvios. Marta é melhor do
que isso. Vamos esperar que essa fase malufista passe logo.
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