|
|

Nothas
O dramático aumento,
no mundo inteiro, de assaltos a bancos, joalherias e museus, ou a qualquer lugar
em que haja fortunas em jóias, quadros e outras preciosidades, é
assustador. Mas tem também o efeito colateral a vida dos receptadores
tornou-se estressante. Nos tempos de Sherlock Holmes todos os assaltantes eram
presos no fim da história, de modo que a solicitação ao esforço
físico e psíquico dos interceptadores não era tão
grande. Hoje, me disse um interceptador, aliás deputado sem fins lucrativos,
há, entre os profissionais, sério problema de armazenagem. E ponderou:
"Muitos, secretamente, acabam depositando tudo nos próprios bancos assaltados".
 |
A toda hora vocês são admoestados (!) a não
prejulgarem, esperarem que tudo seja apurado a respeito de alguns, ou muitos,
cidadãos que nos dirigem e sobre quem, reiteradamente, caem suspeitas de
tudo. Acho que o governo tem toda a razão. E dou mais razão ainda
quando vejo Lula, impertérrito, e todo o PT, imperterritíssimo,
sem pré ou pós-julgamento, trocarem beijos, abraços e figurinhas
com Newton Cardoso, Maluf, Jefferson (que não se perca pelo nome) e Quércia,
sobre os quais já há investigações, inquéritos,
processos e indiciamentos há mais de dez anos. E nada ficou provado. Só
não entendo o PT não ter incluído no grupo o Jader Barbalho
no momento em que mais precisamos dele.
 | Pois
é; a coisa anda preta, o mar tá brabo, o barco meio à deriva,
ninguém sabe mais quem comanda e, como a natureza, quem não sabe?,
abhorret vacuum, abomina o vazio, é preciso encontrar quem o preencha.
Por isso consulto meu pequeno livro de códigos, sinais e comportamentos
em caso de perigo, terremotos, maremotos e apagões. O código é
complexo não pensem que é simples não. Mas temos que
enfrentá-lo. Folheio, enquanto me pergunto, atarantado, perdido nesse marzão
de leis e ondas como tem onda! tsunamis gigantescas, kanagawes traiçoeiras,
capazes de engolir qualquer um sobre qual é o meu dever, como cidadão
e marinheiro (sou vice-campeão mundial da pesca do atum), e qual atitude
a tomar. Curiosamente, na lei do mar, ainda que pareça incrível,
o mais urgente não é salvar o barco nem enquadrar o comandante
medrou? foi incompetente?, relapso? bebeu mal? mas avisar os acionistas,
isto é, os donos, quase sempre de fora, alienígenas, absentee-landlords,
shiplords em suma, multinacionalmas. A lei do mar é, mais
do que qualquer outra, a lei da selva. Líquida e certa. Quem manda, dentro
e fora das águas, realística e metaforicamente, é o tubarão.
 |  |
|