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Entrevista: Mônica
Dallari
"Eduardo destravou"
A namorada de Eduardo Suplicy diz
que o senador mudou para melhor
após a separação mas que o mesmo
não aconteceu com Marta

Cynara Menezes
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Roberto Setton

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"O Eduardo está até
falando melhor. O Suplicy de 1985 tinha de gravar a propaganda
eleitoral vinte vezes. Agora, é diferente" |
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Vem de berço a ligação
da jornalista Mônica Dallari com a política. Filha
do jurista Dalmo de Abreu Dallari militante na área
dos direitos humanos na época do regime militar e amigo do
presidente Lula desde quando ele era um líder operário
, ela começou a freqüentar o ambiente de esquerda
ainda criança. Aos 8 anos, perdeu a mãe e passou a
acompanhar o pai em suas andanças. Soa natural, portanto,
que se arrisque a analisar e criticar os rumos da
campanha (para ela "equivocada") da prefeita de São Paulo,
Marta Suplicy, ex-mulher de seu atual namorado, o senador Eduardo
Suplicy. Divorciada, 40 anos e mãe de três filhos,
Mônica uma morena bonita, esbelta, gentil e educada
conheceu o senador quando era ainda estudante. Hoje, um ano
e meio após o início do namoro, deixa claro que tem
por Suplicy, além de paixão, profunda admiração.
Acha lindo, por exemplo, e dá "o maior apoio", quando ele
se põe a cantar sua música preferida, Blowin' in
the Wind um costume que irritava a prefeita. Mônica
recebeu VEJA em sua casa, em São Paulo, para a seguinte entrevista.
Veja A senhora
e o senador Eduardo Suplicy mantiveram o namoro em sigilo por algum
tempo. É verdade que o presidente Lula pediu a ele que assumisse
o romance para não prejudicar a candidatura da prefeita Marta
Suplicy?
Mônica Existem algumas histórias que,
embora não sejam verdadeiras, viram verdade, e não
adianta brigar contra elas. Posso falar duzentas vezes que não
é verdade que não adianta. O que o Lula pediu foi
que o Eduardo ajudasse a Marta no que fosse preciso. Outra história
que andou circulando é a de que teria havido uma briga entre
o Supla (filho do senador e da prefeita) e o Favre (Luis
Favre, o atual marido de Marta). Volta e meia esse boato ressurge,
e não adianta desmentir.
Veja A senhora
pensou em votar em Luiza Erundina no primeiro turno. Por quê?
Mônica Meu pai e meu irmão foram secretários
dela. Pensei em votar na Luiza pelo que ela representava, mas não
gostei do acordo com o PMDB e das críticas que ela faz ao
governo Lula, que acho muito rancorosas. Votei na Marta e vou votar
nela no segundo turno absolutamente convicta de que é a melhor
candidata.
Veja A senhora
acha que Marta vai ganhar?
Mônica Está bem difícil, mas não
é impossível. O problema é que a campanha do
PT no segundo turno está equivocada, privilegiando ataques,
e não propostas.
Veja Se ela
perder, terá sido por causa dessa campanha equivocada?
Mônica Se perder, acho que terá sido
pela campanha equivocada e também por algumas posturas adotadas
por ela durante o governo, que criaram essa imagem de arrogância.
Veja Que posturas
são essas?
Mônica O relacionamento com a imprensa, por
exemplo. Episódios como a discussão que ela teve com
aquela dentista na época da enchente cristalizaram uma imagem
de que ela não estava aberta a críticas. Foi péssimo.
Acho que houve também uma mudança muito radical da
figura dela em relação ao que era antes de 2000.
Veja Que mudanças?
Mônica O comportamento, os lugares que passou
a freqüentar, as roupas que passou a vestir. Uma mudança
que não foi bem digerida.
Veja Acha que
ela passou a se vestir com mais ostentação?
Mônica Muito mais. Passou a ter outras amizades,
transformou o Antiquarius um dos cinco restaurantes mais
caros da cidade em seu ponto de encontro. Tudo isso conta.
Veja Há
influência do atual marido, Luis Favre, nisso?
Mônica Acho que sim. Parece que ele quer transformá-la
em uma Evita.
Veja A senhora
acha que Favre contribui para o alto índice de rejeição
de Marta entre os eleitores?
Mônica Acho que ele fica numa posição
em que, inevitavelmente, acaba sendo muito comparado ao Eduardo
uma pessoa muito querida, que tem história, uma confiança
das pessoas muito grande. É uma comparação
em que o Favre perde, não tem a menor dúvida. Eu diria
que ele perde em todos os quesitos.
Veja Até
nos físicos?
Mônica Para mim, especialmente nos físicos.
Em simpatia, ele também perde.
Veja O que a
senhora acha de a prefeita ter feito plástica, usar Botox?
Mônica Às vezes até assusta, e
as pessoas comentam muito: "Nossa, ela fez de novo". Ela sempre
foi bonita, acho que não teria necessidade de fazer tantas
coisas. Mas, se é feliz com isso, é o que vale.
Veja A senhora
faria?
Mônica Não. É óbvio que
a gente acorda com a cara amassada e pensa: "Poderia ter um nariz
assim, o olho daquele jeito..." Depois de três filhos, tirar
a barriguinha, as olheiras... Não vou falar que nunca vou
fazer, mas ainda não pensei nisso. Vai saber o que pode acontecer
daqui a cinco anos no ponto em que se aplicou Botox? Fica endurecido,
enrijece a musculatura.
Veja Quando
a senhora conheceu o senador?
Mônica No fim de 1984, há vinte anos,
por meio de um amigo comum. O Eduardo estava começando a
campanha para prefeito e precisava de alguém para ficar em
casa atendendo ao telefone de manhã, sem remuneração.
Eu estava no 2º ano de jornalismo e resolvi aceitar. De manhã,
ficava na casa dele atendendo ao telefone e, de tarde, saía
para fazer campanha.
Veja A senhora
já o achava um homem interessante?
Mônica Não, não teve isso. Foi
muito mais agora. Mas temos uma história parecida e uma facilidade
imensa de entendimento: ele vem de uma família italiana tradicional,
eu também. As irmãs dele estudaram no Des Oiseaux,
assim como a Marta. Minha mãe já havia estudado nesse
colégio, que é supertradicional aqui em São
Paulo. É uma formação parecida. Minha família
por parte de mãe é mineira, de sobrenome Pinheiro,
que tem uma longa tradição de políticos. Meu
pai teve uma militância muito forte na área de direitos
humanos. Ficou viúvo cedo, eu tinha 8 anos quando minha mãe
morreu. Desde pequena eu o acompanhava. Cresci no meio da política.
Veja O senador
já manifestou o desejo de concorrer à Presidência,
assim como a prefeita. É uma situação complicada,
não?
Mônica Ambos têm idéias parecidas,
mas a forma de fazer política é muito diferente. O
cenário da campanha em São Paulo é um exemplo.
A linha que está sendo adotada no segundo turno de
ataques a José Serra, de agressividade, de composição
política , isso é nitidamente o oposto do que
o Eduardo faria. Ele trabalharia numa linha muito mais propositiva
e seria mais crítico em relação a apoios como
o do Maluf, que tem um histórico complicado. Eu vi uma foto
no jornal que chama atenção: a Marta em uma Kombi
com um cartaz "Marta e Maluf juntos". É uma coisa difícil
de digerir. É assustador. E ela tem o que mostrar: o Eduardo
levantou muitos números. Ela tem um trabalho de inclusão
social que devia ser mostrado e não aparece na campanha.
Veja O que a
senhora acha da participação do senador na campanha?
Mônica Não acho que ele tinha de estar
em todos os cantos, 24 horas, mas tinha de participar. E uma coisa
que tem de ser dita é que ele sofreu um desgaste por isso.
Houve pessoas que admiraram esse comportamento, mas houve muita
crítica também. Muita gente falou: não voto
mais em você. Teve reclamação de eleitores que
achavam que ela não merecia o apoio dele, a dedicação.
É uma coisa impressionante a popularidade do Eduardo, como
ele é querido. Estivemos em Fortaleza recentemente em um
encontro com 3 000 pessoas e ele recebeu uma ovação
de dois minutos ininterruptos na hora em que entrou, com as pessoas
de pé. Na hora em que saiu, era uma aglomeração
para tirar fotos. As mulheres ficam enlouquecidas.
Veja O que o
senador tem que agrada tanto?
Mônica Eu perguntei a um amigo nosso: "O que
será que as mulheres vêem nele? Vêem a figura
de um pai ou de um filho?" E ele respondeu: "É a Santíssima
Trindade o pai, o filho e o Espírito Santo".
Veja A senhora
tem ciúme?
Mônica Quando é alguma coisa que ele
sabe que vai me chatear, normalmente conta antes, como foi o caso
do beijo na (senadora) Heloísa Helena. Sei da importância
que ela teve para ele no processo de separação, mas
levei o maior susto assim mesmo. Disse: "Mas, Eduardo, você
falou que era um beijinho e veio aquela foto enorme!" Pela posição
da foto, foi difícil acreditar que não era um beijo
de amor.
Veja E ciúme
da ex-mulher?
Mônica Não. Também passei por
um casamento que foi muito bom, a gente fica mais madura. Eu tenho
noção da importância da Marta na vida do Eduardo,
mas também estou certa de que isso passou. Tenho absoluta
segurança do quanto ele gosta de mim e de que hoje a questão
amorosa com ela está resolvida. Às vezes me irrito
com ela, e com o PT também, nos momentos em que ele é
tratado com desrespeito. Como naquele caso em que ela o mandou calar
a boca num evento público. Fiquei profundamente irritada.
Acho que ele não tinha se dado conta de que ia sair nos jornais
e relevou. E talvez ela esteja tão acostumada a tratá-lo
dessa maneira que também não se deu conta. Mas é
algo que não aconteceu mais e que não vai acontecer
mais. Ele tem de ser respeitado como pessoa, como senador. E é
incapaz de fazer coisas como essa. Sempre foi de uma extrema gentileza
para com Marta e deu muitas demonstrações de civilidade
inclusive quando enviou uma carta ao Lula para dizer que
ele se sentisse à vontade para aceitar o convite dela de
ser seu padrinho de casamento. Não tem nada que me irrite
mais do que quando eu vejo que o Eduardo está sendo desrespeitado.
Veja A senhora
deu bronca nele nesse dia?
Mônica Bronca, não, mas falei, irritada:
"Como é que acontece uma coisa dessas? É um absurdo,
não tem porquê esse tipo de comportamento deselegante
com você".
Veja Como é
sua relação com os filhos dele?
Mônica Eles já estão grandes.
Nós nos relacionamos socialmente.
Veja E a do
senador com os seus?
Mônica Agora estão convivendo mais. Ele
já foi ver uma peça infantil conosco, fomos a um show
de hip hop e ele deu um jogo de botão de presente aos meninos
no Dia das Crianças. Outro dia ficou chutando bola com eles.
Tem uma coisa de um apelo tremendo, que ajudou muito na escola:
eles falam que agora são irmãos do Supla. Acham o
máximo.
Veja O senador,
apesar de ser Matarazzo, não é um homem rico...
Mônica É uma coisa incrível. As
pessoas acham que o Eduardo é muito rico, mas ele vive numa
pindaíba danada. Tem um patrimônio que é a casa
deixada pelo pai, mas vive com o salário de senador. Não
tem folga financeira nenhuma. A casa em que morava com a Marta foi
posta à venda e ele está numa muito menor, pagando
aluguel. Vive no vermelho.
Veja Tem alguma
coisa que a surpreendeu nele?
Mônica Ao mesmo tempo que é superdistraído,
avoado, é muito organizado. Por exemplo: quando vai tirar
a roupa, põe direitinho no cabide.
Veja Quem seduziu
quem?
Mônica Acho que foi ele. O Eduardo fala que
sempre me achou muito bonita. A gente começou a sair, ir
ao cinema, ele olhava e falava: "Acho que Deus fez você para
mim". Achei tão bonito isso...
Veja Pensam
em se casar?
Mônica Decidimos que não vamos nos casar.
Eu tenho crianças pequenas, quero preservá-las. O
Eduardo tem uma vida superagitada. A dinâmica de uma casa
com criança é uma coisa, com político é
outra: um entra-e-sai o tempo todo, telefone tocando. Não
quero isso para os meus filhos. Namorar está ótimo.
Veja Ele fala
muito do projeto Renda Mínima com a senhora?
Mônica Muito. Mas, quando exagera, dou um chilique,
até porque tem tantas outras coisas que ele fez! Eu digo:
"Parece que você só pensa nisso". Dou um toque, porque
enche o saco.
Veja Depois
que passou a namorá-la, ele mudou em algum aspecto?
Mônica Sinceramente, mudou muito. Hoje, percebo
que escuta mais. Também é impressionante e
ele mesmo acha como depois da separação está
falando melhor. O Suplicy de 1985 tinha de gravar a propaganda eleitoral
vinte vezes para falar no tempo previsto. Agora, é completamente
diferente.
Veja Por que
isso aconteceu?
Mônica Acho que ele destravou. Na questão
de cantar, por exemplo. Aonde ele vai, pedem que cante Blowin'
in the Wind e ele canta. A impressão que eu tenho
é que ele se sentia receoso de cantar por um excesso de crítica
por parte da Marta e ficava se policiando. Hoje, ele tem mais tranqüilidade
de ação. E eu dou o maior apoio.
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