|
|
VEJA Recomenda DVDs
Divulgação
 | | Uma
Vida que Te Espera: conflito nos rincões
rurais da Espanha |
Uma
Vida que Te Espera (La Vida que Te Espera, Espanha, 2004. Paramount)
Num vale da região espanhola da Cantábria, dois camponeses se desentendem
por causa de uma vaca, e a briga acaba em homicídio. O filho da vítima
volta ao interior para o enterro do pai e para assuntar as circunstâncias
de sua morte e, conversa vai, conversa vem, acaba se envolvendo com a filha
do suposto assassino (o excelente Juan Diego). Com sua direção vigorosa
e sem firulas, Manuel Gutiérrez Aragón justapõe três
temas distintos: um romance com algo de Romeu e Julieta, uma bela trama
sobre o amor paterno e a dificuldade que os homens às vezes têm em
demonstrá-lo, e um comentário sobre a resistência dos rincões
rurais às novas regras do jogo econômico europeu.
Hulton
Archive/Getty Images
 | | Munique
1972: um ótimo documentário |
Munique,
1972 Um Dia em Setembro (One Day in September, Inglaterra/Suíça/Alemanha,
1999. Versátil) Com seu Munique, Steven Spielberg fez muito
por divulgar a história do assassinato de onze atletas israelenses por
terroristas palestinos, nas Olimpíadas de 1972. Esse documentário
que o precedeu também tem mérito: num trabalho excepcional de garimpo
de imagens, o diretor escocês Kevin Macdonald reconstitui passo a passo
aquelas 21 horas de pesadelo, com um senso de ritmo e de suspense capaz de rivalizar
com a melhor das ficções. Além disso, localizou, e entrevistou,
Jamal Al Gashey, o único terrorista ainda vivo.
Totalmente
Kubrick (Colour Me Kubrick, Inglaterra/França, 2005. Califórnia)
O desocupado Alan Conway pouco sabia sobre a vida ou a obra do diretor
Stanley Kubrick. Não obstante, ele emplacou uma série de golpes
na Londres dos anos 90 fazendo-se passar pelo cineasta que então
rodava seu último filme, De Olhos Bem Fechados. De desfalques em
restaurantes a estadas em hotéis, Conway (interpretado com uma saudável
dose de canastrice por John Malkovich) descolou inúmeras facilidades, aproveitando-se
do fato de que Kubrick era um recluso do qual não havia nenhuma foto recente.
Só foi desmascarado quando tentou enganar um crítico do The New
York Times. Curiosidade: quem assina essa ótima comédia é
Brian W. Cook, que foi diretor assistente e co-produtor de De Olhos Bem Fechados.
Veja
cenas. LIVROS Derek
Shapton
 |  | | McCarthy:
Oeste atualizado | |
Onde
os Velhos Não Têm Vez, de Cormac McCarthy (tradução
de Adriana Lisboa; Objetiva/Alfaguara; 252 páginas; 38,90 reais)
O americano Cormac McCarthy atualizou a paisagem do Oeste com a sua "trilogia
da fronteira": Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidades da Planície.
Seu novo livro traz elementos do policial noir para o cenário desolado
do deserto do Texas. Nos anos 80, um caçador depara, perto do Rio Grande,
com a cena de um crime: corpos crivados de balas, um carregamento de heroína
e mais de 2 milhões de dólares. Ele leva o dinheiro e passa a ser
perseguido por um assassino profissional o qual, por sua vez, é
seguido pelas forças da lei. No meio desses jogos de gato e rato, McCarthy
trama um poderoso drama moral. Leia
trecho. Marcel
Mochet/AFP
 |  | | Bioy
Casares: absurdos plausíveis | |
Histórias
Fantásticas, de Adolfo Bioy Casares (tradução de
José Geraldo Couto; Cosac Naify; 304 páginas; 46 reais) Como
seu amigo Jorge Luis Borges, o argentino Bioy Casares (1914-1999) era um mestre
da literatura fantástica. Seu primeiro romance, A Invenção
de Morel, é um clássico do gênero no século XX.
Publicados entre 1948 e 1969, os catorze contos desse livro são povoados
de deuses, demônios e engenhocas fantásticas (como uma máquina
capaz de absorver e eternizar a alma de uma pessoa). Bioy Casares era eclético:
recorria tanto a antigas lendas celtas como à ficção científica
para compor suas histórias. Todos os contos trazem um enredo que se imaginaria
absurdo mas que a narrativa habilidosa do autor torna estranhamente plausível.
Leia
trecho. DISCOS Divulgação
 | | Thievery
Corporation: som eletrônico sem "pancadão" |  |
The Richest Man in Babylon, Babylon Rewound
e The Cosmic Game, Thievery Corporation (Deckdisc) O grupo
ancorado pelos DJs e produtores Eric Hilton e Rob Garza é uma excelente
alternativa para quem gosta de música eletrônica mas não suporta
o pancadão típico das raves. Os três discos que estão
sendo lançados no Brasil trazem estilos bem diversos. The Richest Man
in Babylon é indicado para fãs de reggae e música indiana
e traz a participação de Shinehead, um dos astros do gênero
jamaicano. Babylon Rewound, por sua vez, é repleto de climas psicodélicos.
O destaque do pacote é The Cosmic Game, que tem como convidado especial
o cantor David Byrne. Ele faz os vocais de The Heart's a Lonely Hunter,
canção que funciona em qualquer pista de dança. Half
the Perfect World, Madeleine Peyroux (Universal)
Nesse seu terceiro disco, a cantora ainda emula os vocais anasalados de
Billie Holiday, mas seleciona um repertório de acordo com sua idade (tem
33 anos) e com seu talento. Madeleine escolheu músicas de poetas contemporâneos,
como Tom Waits, Leonard Cohen autor da faixa-título e Serge
Gainsbourg. Em seguida, "envelheceu" as canções, interpretando-as
como se elas tivessem sido criadas no início do século passado.
Um dos pontos altos é seu dueto com k.d. lang em River, composição
da canadense Joni Mitchell. Os fãs do jazz tradicional têm seu tostão
de alegria na recriação de Smile, de Charles Chaplin.
|