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Edição 1975 . 27 de setembro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
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VEJA Recomenda

DVDs

Divulgação
Uma Vida que Te Espera: conflito nos rincões rurais da Espanha


Uma Vida que Te Espera
(La Vida que Te Espera,
Espanha, 2004. Paramount) – Num vale da região espanhola da Cantábria, dois camponeses se desentendem por causa de uma vaca, e a briga acaba em homicídio. O filho da vítima volta ao interior para o enterro do pai e para assuntar as circunstâncias de sua morte – e, conversa vai, conversa vem, acaba se envolvendo com a filha do suposto assassino (o excelente Juan Diego). Com sua direção vigorosa e sem firulas, Manuel Gutiérrez Aragón justapõe três temas distintos: um romance com algo de Romeu e Julieta, uma bela trama sobre o amor paterno e a dificuldade que os homens às vezes têm em demonstrá-lo, e um comentário sobre a resistência dos rincões rurais às novas regras do jogo econômico europeu.


Hulton Archive/Getty Images
Munique 1972: um ótimo documentário


Munique, 1972 – Um Dia em Setembro
(One Day in September,
Inglaterra/Suíça/Alemanha, 1999. Versátil) – Com seu Munique, Steven Spielberg fez muito por divulgar a história do assassinato de onze atletas israelenses por terroristas palestinos, nas Olimpíadas de 1972. Esse documentário que o precedeu também tem mérito: num trabalho excepcional de garimpo de imagens, o diretor escocês Kevin Macdonald reconstitui passo a passo aquelas 21 horas de pesadelo, com um senso de ritmo e de suspense capaz de rivalizar com a melhor das ficções. Além disso, localizou, e entrevistou, Jamal Al Gashey, o único terrorista ainda vivo.

Totalmente Kubrick (Colour Me Kubrick, Inglaterra/França, 2005. Califórnia) – O desocupado Alan Conway pouco sabia sobre a vida ou a obra do diretor Stanley Kubrick. Não obstante, ele emplacou uma série de golpes na Londres dos anos 90 fazendo-se passar pelo cineasta – que então rodava seu último filme, De Olhos Bem Fechados. De desfalques em restaurantes a estadas em hotéis, Conway (interpretado com uma saudável dose de canastrice por John Malkovich) descolou inúmeras facilidades, aproveitando-se do fato de que Kubrick era um recluso do qual não havia nenhuma foto recente. Só foi desmascarado quando tentou enganar um crítico do The New York Times. Curiosidade: quem assina essa ótima comédia é Brian W. Cook, que foi diretor assistente e co-produtor de De Olhos Bem Fechados. Veja cenas.

 

LIVROS

 

Derek Shapton
McCarthy: Oeste atualizado  

Onde os Velhos Não Têm Vez, de Cormac McCarthy (tradução de Adriana Lisboa; Objetiva/Alfaguara; 252 páginas; 38,90 reais) – O americano Cormac McCarthy atualizou a paisagem do Oeste com a sua "trilogia da fronteira": Todos os Belos Cavalos, A Travessia e Cidades da Planície. Seu novo livro traz elementos do policial noir para o cenário desolado do deserto do Texas. Nos anos 80, um caçador depara, perto do Rio Grande, com a cena de um crime: corpos crivados de balas, um carregamento de heroína e mais de 2 milhões de dólares. Ele leva o dinheiro e passa a ser perseguido por um assassino profissional – o qual, por sua vez, é seguido pelas forças da lei. No meio desses jogos de gato e rato, McCarthy trama um poderoso drama moral. Leia trecho.

 

Marcel Mochet/AFP
Bioy Casares: absurdos plausíveis  

Histórias Fantásticas, de Adolfo Bioy Casares (tradução de José Geraldo Couto; Cosac Naify; 304 páginas; 46 reais) – Como seu amigo Jorge Luis Borges, o argentino Bioy Casares (1914-1999) era um mestre da literatura fantástica. Seu primeiro romance, A Invenção de Morel, é um clássico do gênero no século XX. Publicados entre 1948 e 1969, os catorze contos desse livro são povoados de deuses, demônios e engenhocas fantásticas (como uma máquina capaz de absorver e eternizar a alma de uma pessoa). Bioy Casares era eclético: recorria tanto a antigas lendas celtas como à ficção científica para compor suas histórias. Todos os contos trazem um enredo que se imaginaria absurdo – mas que a narrativa habilidosa do autor torna estranhamente plausível. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Divulgação
Thievery Corporation: som eletrônico sem "pancadão"

The Richest Man in Babylon, Babylon Rewound e The Cosmic Game, Thievery Corporation (Deckdisc) – O grupo ancorado pelos DJs e produtores Eric Hilton e Rob Garza é uma excelente alternativa para quem gosta de música eletrônica mas não suporta o pancadão típico das raves. Os três discos que estão sendo lançados no Brasil trazem estilos bem diversos. The Richest Man in Babylon é indicado para fãs de reggae e música indiana e traz a participação de Shinehead, um dos astros do gênero jamaicano. Babylon Rewound, por sua vez, é repleto de climas psicodélicos. O destaque do pacote é The Cosmic Game, que tem como convidado especial o cantor David Byrne. Ele faz os vocais de The Heart's a Lonely Hunter, canção que funciona em qualquer pista de dança.

Half the Perfect World, Madeleine Peyroux (Universal) – Nesse seu terceiro disco, a cantora ainda emula os vocais anasalados de Billie Holiday, mas seleciona um repertório de acordo com sua idade (tem 33 anos) e com seu talento. Madeleine escolheu músicas de poetas contemporâneos, como Tom Waits, Leonard Cohen – autor da faixa-título – e Serge Gainsbourg. Em seguida, "envelheceu" as canções, interpretando-as como se elas tivessem sido criadas no início do século passado. Um dos pontos altos é seu dueto com k.d. lang em River, composição da canadense Joni Mitchell. Os fãs do jazz tradicional têm seu tostão de alegria na recriação de Smile, de Charles Chaplin.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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