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Brasil Bruxaria
contra ministros do TSE Grampos telefônicos
mostram que a baixaria nesta eleição não tem limites

Diego Escosteguy
O
Tribunal Superior Eleitoral está desde a semana passada em estado de alerta.
Rastreamento feito por uma empresa de segurança detectou a existência
de grampos nas linhas telefônicas privativas dos gabinetes dos ministros
Marco Aurélio Mello, presidente do tribunal, Cezar Peluso, vice-presidente,
e Marcelo Ribeiro, encarregado de analisar infrações na propaganda
eleitoral na televisão. Os responsáveis pelo crime não foram
identificados e dificilmente serão , embora a ação
tenha deixado rastros evidentes sobre o objetivo dos autores. O voto de um desses
ministros pode levar à ruína interesses poderosos ou provocar a
impugnação de uma candidatura. A uma semana das eleições,
uma sentença conhecida com antecedência é mercadoria valiosa.
Por isso, entre os ministros, não há dúvida de que os grampos
têm ligação com as eleições de domingo. O ministro
Marco Aurélio se diz assustado com a ousadia e não descarta a possibilidade
de a ação ter como responsáveis pessoas diretamente interessadas
na disputa, seja na condição de candidato ou de partido político.
Segundo a empresa de segurança contratada pelo tribunal, a interceptação
foi trabalho de profissionais. Crítico ferrenho da reeleição
desde o início do processo, Marco Aurélio foi acusado de ser tendencioso
pela coordenação de campanha do PT.
A suspeita de que os telefonemas dos ministros estavam sendo bisbilhotados surgiu
há duas semanas, quando Cezar Peluso se queixou ao presidente de barulhos
estranhos nas ligações feitas de seu gabinete no Supremo Tribunal
Federal. Dos sete ministros do TSE, três são oriundos do Supremo.
Por isso, os técnicos resolveram estender a varredura aos gabinetes do
STF. Por meio de medições eletrônicas, os peritos descobriram
que as linhas privativas dos gabinetes de Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso
estavam realmente sendo monitoradas por alguém de fora do tribunal. Encontraram
também um grampo no aparelho de fax do ministro Marcelo Ribeiro, no TSE.
Essa, aliás, é a principal pista que revela o interesse dos criminosos.
Pelo fax o ministro transmite o voto de seu escritório para o gabinete.
"É o descalabro deste país, não se respeita mais nada", criticou
o presidente da OAB, Roberto Busato. "Evidentemente quem está disputando
as eleições sem fraudar a legislação não tem
interesse algum em grampear telefone de ministro. Quem grampeou é porque
está agindo à margem da lei." Na segunda-feira da semana passada,
o presidente do TSE pediu ao procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza, que acompanhe as investigações. "Se isso acontece com
ministros do Supremo, qual é a segurança do cidadão?", indagou
Marco Aurélio. Segundo os
técnicos da empresa responsável pela varredura, os grampos foram
colocados em algum ponto da rede, entre os prédios do STF e do TSE e a
central da companhia telefônica. Na quinta-feira, exatos quatro dias depois
de o tribunal ter anunciado a descoberta das escutas, uma equipe da Polícia
Federal vasculhou a central da Brasil Telecom, a operadora de telefonia responsável
pelo setor, e não encontrou nenhum vestígio de instalação
de equipamento de grampo. A empresa, por meio de nota, também informou
não ter constatado nenhuma violação na sua rede. É
óbvio que, diante da divulgação do caso, os criminosos, se
realmente eram profissionais, retiraram as escutas e apagaram os vestígios.
O ministro Marco Aurélio explicou que decidiu divulgar a descoberta dos
grampos antes de pedir a investigação oficial como forma de inibir
a ação dos criminosos. |