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Brasil Um
bom bode expiatório Lacerda, companheiro
de Mercadante, é um especialista na confecção de papéis
falsos  Victor
Martino e Heloisa Joly
Edimilson
Magalhaes/AE
 | LACERDA
E MERCADANTE Em campanha pelas ruas de São
Caetano: o candidato do PT ao governo paulista faz de tudo para afastar de si
esse cálice |
Há
um Lacerda na esquerda brasileira: o engenheiro Hamilton Lacerda, coordenador
da campanha do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. No meio
da semana passada, soube-se que o Lacerda petista foi o primeiro a procurar a
revista IstoÉ para oferecer o bem-bolado que incluía a entrevista
do chefão sanguessuga Luiz Antônio Vedoin em que este acusa Serra
de participar do esquema acusação tão fajuta quanto
o tal dossiê de 1,7 milhão de reais. Após o nome de Lacerda
ter saído das sombras, Mercadante o demitiu, alegando que seu subordinado
agira à revelia (é mesmo impressionante a desenvoltura dos "meninos").
Tudo esclarecido? Não. O nome de Lacerda voltou a ser invocado dias depois
por Jorge Lorenzetti, que negociara sem êxito o mesmo pacote com a revista
Época. O churrasqueiro de Lula decidiu fritar de vez Lacerda, dando
a entender que o coordenador da campanha de Mercadante é que havia idealizado
toda a operação. A jogada não poderia ser mais clara: ao
empurrar parte significativa da culpa para Lacerda, o diligente Lorenzetti tenta
afastar a lama do Palácio do Planalto e circunscrever a sujeira ao âmbito
paulista do Partido dos Trabalhadores.
Mercadante, claro, está nervosíssimo com o risco de tudo estourar
no seu colo. Mas o fato é que Lacerda se presta muito bem a ser o bode
expiatório do escândalo. Em seu currículo, há serviços
sujos. Sua especialidade é a engenharia de urdir, confeccionar e divulgar
documentos apócrifos. Só nos últimos dois anos, Lacerda participou
de três escândalos semelhantes. Em 2004, candidato a prefeito de São
Caetano do Sul, distribuiu cópias de uma página falsa do jornal
Diário do Grande ABC com a notícia de que ele assumira a
liderança nas pesquisas eleitorais. Há cinco meses, repetiu a dose.
Publicou um dossiê com reportagens falsas atribuídas ao mesmo jornal
que enalteciam o PT e manchavam a reputação do prefeito de São
Caetano, José Auricchio Júnior, que é do PTB. O panfleto
foi impresso em uma entidade criada por Lacerda. No ano passado, provou do próprio
veneno: proclamou ser vítima de um dossiê montado por outro petista,
em que era denunciado o envolvimento de sua mulher, a pedagoga Maria Isabel, num
escândalo na prefeitura de Guarulhos.
Lacerda entrou no PT há vinte anos pelas mãos do ex-ministro José
Dirceu (olha ele aí), a quem conheceu no fim dos anos 80, quando era líder
estudantil na Universidade de Campinas. Em 2002, depois do assassinato do prefeito
de Santo André Celso Daniel, tornou-se uma das principais lideranças
petistas do ABC paulista. O próprio Mercadante o convidou para coordenar
sua campanha neste ano. Questionado por VEJA sobre essa escolha, Mercadante tentou
amenizar o currículo de Lacerda dizendo que "ele já perdeu até
um olho na militância". Pois é, o Pirata da Perna de Pau também
perdeu uma perna, tinha um olho de vidro, mas continuou pirata. |