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Brasil O
guarda-malas do planalto Assessor especial
do presidente Lula envolvido com a compra do dossiê tucano era responsável
pela segurança do ex-tesoureiro Delúbio Soares
 Policarpo
Junior
Monalisa
Lins/AE
 | DUPLA
MILITÂNCIA Amigo e ex-segurança
do presidente Lula, Freud Godoy tem uma empresa cuja especialidade é dar
proteção a operações de risco
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O
assessor especial do presidente Lula, Freud Godoy, era, até a semana passada,
um ilustre desconhecido. Além de amigo e ex-segurança do presidente,
pouco se sabia sobre suas atividades, a não ser o fato de que era uma espécie
de faz-tudo no Palácio do Planalto. Freud Godoy, sabe-se agora, era muito
mais que um mordomo de luxo. Apontado como o homem encarregado de supervisionar
a parte final da operação de compra do dossiê tucano, ele
se demitiu. Antes, confirmou que esteve com o ex-policial preso com as malas de
dinheiro, mas disse que nada sabia sobre a história do dossiê. Suas
atividades no Palácio, afirmou, se limitavam às tarefas típicas
de qualquer empregado doméstico. Não eram. Freud é um personagem
capital do submundo petista. Além de ter recebido 98 500 reais do valerioduto,
Freud é responsável, entre outras coisas, pela segurança
de todas as operações consideradas de risco do PT, principalmente
as que envolvem dinheiro. Até explodir o escândalo do mensalão,
em maio do ano passado, o ex-assessor especial do presidente coordenava pessoalmente
a segurança do tesoureiro Delúbio Soares o homem da mala
da república petista.
Freud
Godoy tinha seu gabinete no mesmo andar que o presidente da República.
Ele também é dono da Caso, empresa de segurança de São
Paulo, em cuja sede não há funcionários nem expediente regular.
Há anos seu cliente é o PT. Ao se instalar no Palácio do
Planalto, Freud passou o comando da empresa para sua mulher, Simone Godoy, mas
continuou atuando como homem de segurança do partido. Em 2004, foi encarregado
de cuidar da guarda pessoal de Delúbio. Selecionou pessoalmente seis policiais
militares em São Paulo para integrar a equipe de proteção.
Pagava a eles entre 1 000 e 1 300 reais. Foi a partir dessa época que Delúbio
passou a andar por São Paulo em carro blindado, escoltado por policiais
motoqueiros. O partido justificava o esquema de segurança montado por Freud
como procedimento normal de prevenção. A preocupação
era outra. Delúbio estava em pleno exercício de suas funções
de tesoureiro, um frenesi de ilegalidades que mais tarde seria parcialmente revelado
por investigações do Congresso. Adriano
Machado/AE
 | Lia
Lubambo
 | VISITA
ESPERADA Os seguranças contratados por
Freud acompanharam Delúbio Soares à sede do Banco Santos. O banco
estava fechado, mas o tesoureiro saiu de lá carregando uma mala
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VEJA ouviu dois seguranças
que trabalharam com Delúbio nesse período. Na presença de
três testemunhas e antes da eclosão do escândalo do dossiê,
eles disseram ter sido contratados pela empresa de Freud. Como são militares
da ativa, tinham a segurança de Delúbio como "bico". Por isso, não
havia registro em carteira. Os seguranças só concordaram em conversar
na condição de não ter o nome revelado. Temem uma punição
funcional. Cuidadosos, eles anotavam os roteiros percorridos. Há registro
de encontros "sigilosos" de Delúbio com o presidente Lula em São
Bernardo do Campo. O que mais chama atenção nas histórias
narradas pelos seguranças, porém, é a presença quase
constante de malas de dinheiro, o que se tornou um símbolo da atuação
dos petistas no governo. Os seguranças contam que a comitiva do tesoureiro
do PT se deslocava com freqüência ao Aeroporto de Congonhas para pegar
e levar malas. Desconhecem o destino das que iam ou a origem das que chegavam,
mas sempre havia uma mala para pegar ou levar ao aeroporto.
Os roteiros anotados mostram que na véspera da intervenção
federal no Banco Santos a comitiva de Delúbio fez uma visita ao prédio.
O tesoureiro permaneceu no banco por alguns minutos e voltou com uma mala. Embora
não tenham examinado o conteúdo, os seguranças foram avisados
de que estava cheia de dinheiro. Eles anotaram a operação como "transporte
de dinheiro". É curioso que isso tenha acontecido. No horário da
visita do tesoureiro, o banco já havia encerrado o atendimento aos clientes.
Em outra operação, em vez de mala, o dinheiro andava em envelopes.
Um dos seguranças contou que recebeu a missão de levar um envelope
com dinheiro a um homem que aguardava na suíte de um hotel. A data, o hotel,
o número do quarto estão anotados na agenda dos seguranças.
Alguma semelhança com o escândalo da compra do dossiê? A diferença
é que, nesse caso, ninguém foi preso. O esquema de segurança
de Delúbio foi desativado por Freud depois do escândalo que revelou
que "nosso Delúbio", como a ele ainda se refere o presidente Lula, era
um trambiqueiro. Ele, suas malas e seu guarda-malas. |