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Carta ao leitor Até
quando?
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de VEJA de setembro do ano passado: narrativa do processo de autodestruição
ética do PT |
O Brasil está
a uma semana do primeiro turno da eleição presidencial. Mas o que
deveria ser a celebração da democracia ocorrerá sob a sombra
de um escândalo cuja conseqüência mais trágica pode ser
até a anulação do resultado das urnas. Fala-se aqui do episódio
batizado pela imprensa de "dossiêgate". Um grupo de petistas sem escrúpulos
e estúpidos, integrantes do comitê eleitoral de Lula e do núcleo
íntimo do Planalto, negociou com o chefe da máfia dos sanguessugas
a entrega do que seriam provas contra o ex-ministro da Saúde José
Serra. A intenção era destruir sua reputação e minar
sua candidatura ao governo de São Paulo, em benefício do candidato
do PT, Aloizio Mercadante. O plano foi abortado
graças à Polícia Federal, que prendeu os meliantes no fim
da semana passada. Um deles, ao ser indagado de onde provinham os milhares de
reais e dólares que portavam em dinheiro vivo um total equivalente
a 1,7 milhão de reais , respondeu que "do PT". Desde então,
o quadro só fez piorar, com a descoberta de que da quadrilha faziam parte
peixes graúdos do petismo. Entre eles, o presidente nacional do partido,
Ricardo Berzoini, que foi obrigado a se afastar do cargo de coordenador da campanha
eleitoral de Lula. O quadro piora e o espanto aumenta
na mesma proporção. Como é possível que o PT e Lula
não tenham aprendido a lição depois de tudo o que fizeram
no ano passado? Mensalão, dólares na cueca, desvio de dinheiro público...
Será que nada daquilo foi suficiente para afastar a escumalha do partido
e do próprio círculo íntimo do presidente? Até quando
isso continuará a ocorrer? Entre tantas perplexidades e dúvidas,
há duas certezas. A primeira delas é que o Partido dos Trabalhadores
é hoje uma agremiação em frangalhos, sem credibilidade, resultado
de um processo de autodestruição ética já apontado
por uma reportagem de capa de VEJA de setembro do ano passado. A outra certeza
é que, desta vez, a crise não poderá ser contida nos círculos
eminentemente políticos. A negociata que redundou no "dossiêgate"
é objeto de um processo conduzido pelo Tribunal Superior Eleitoral que
poderá, em última instância, levar até à impugnação
da candidatura de Lula ou à cassação de seu diploma de presidente,
caso venha a ser reeleito. A lei eleitoral não deixa dúvida: o candidato
é o responsável por todas as ilicitudes financeiras cometidas por
seu comitê de campanha. À luz da lei eleitoral não adianta
alegar que não sabia ou que afastou o companheiro depois do crime cometido.
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