Ponto de vista

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Stephen Kanitz

O partido e o candidato

"Se você acha que o Estado decide melhor, eleja um partido com gente competente, que decidirá por você. Se acha que o indivíduo decide melhor,
escolha um partido que luta por Estados pequenos,
por programas de governo enxutos, que decidam
cada vez menos"


Ilustração Ale Setti


Às vésperas das eleições para a prefeitura, a maioria dos brasileiros ainda está na dúvida em quem votar. No mais honesto ou naquele que fala melhor? No melhor administrador, com melhor formação em administração, ou naquele que nem jogar SimCity – o jogo eletrônico que simula a administração de uma cidade – sabe?

A maior parte das cartilhas da internet que ensinam a votar dá ênfase ao candidato, e não ao partido: "Analise seu passado", "avalie suas propostas". Por isso nossos partidos são fracos e nossos políticos infiéis.

Escolher um partido requer outros critérios de escolha. No mínimo alguns conhecimentos de teoria política, que resumidamente irei simplificar abordando uma única questão. Uma questão básica, que todo cidadão precisa resolver. Uma questão para a qual, adianto, não existe resposta feita, nem comprovação científica clara, e por isso acaba sendo uma pergunta ideológica, de fé.

A pergunta crucial é esta: quem, na sua opinião, decide melhor, o Estado ou o indivíduo? Quem escolhe melhor nossos médicos, os professores de nossos filhos, as ações a comprar com nosso FGTS, quem aplica melhor nosso INSS para a aposentadoria?

Se você acha que o Estado decide melhor, então eleja um partido com gente competente, inteligente e honesta, que irá decidir e gastar seu dinheiro por você. Pague seus impostos e não reclame. E quando um idiota tomar o poder, algo que às vezes acontece, espere quatro anos e tente novamente.

Se você acha que o indivíduo decide melhor, então escolha um partido que luta por Estados pequenos, por programas de governo enxutos, que decidam cada vez menos, permitindo ao indivíduo decidir cada vez mais.

Com exceção dos anarquistas, todos os partidos políticos acreditam que em algumas questões o Estado decide melhor. Até neoliberal convicto acredita que Justiça e segurança ficam melhor na mão do Estado. Na maioria dos países os partidos acabaram convergindo para somente dois: o que acredita mais no Estado e o que acredita mais nos indivíduos.

Somos um país onde se acredita mais no Estado em inúmeras áreas de atuação, como saúde, educação, previdência, bancos estatais, petróleo e crédito imobiliário. Recentemente, o Estado decidiu que poderíamos, excepcionalmente, comprar ações com nosso FGTS, mas somente as da Petrobras, e muitos compraram a 40 reais o que poderiam ter adquirido no ano passado por 16.

Por que o leitor de VEJA não pode aplicar os 32% de seu salário que são depositados no INSS todo mês para sua própria aposentadoria? Porque quase todos os partidos políticos acreditam, nesta questão particular, que o Estado decide melhor como aplicar nosso dinheiro. Não somente todo esse dinheiro sumiu como o rombo anual equivale a mais 32% de nossos salários, ou seja, total de 64%.

Um dos grandes problemas da democracia é que as pessoas que se candidatam a um cargo eletivo tendem a ser justamente as que acreditam que o Estado decide melhor. Quem não acredita nisso simplesmente não se candidata: vai fazer o que num governo que acha que quem deve decidir são os indivíduos?

Este fato da sociologia política gera inexoravelmente um Estado cada vez maior, com impostos cada vez maiores e promessas eleitoreiras cada vez mais espetaculares.

Portanto, simplifique sua escolha de candidatos elegendo primeiro o partido que mais se aproxima de suas convicções sobre como devemos ser governados, seja fiel a elas e exija que o candidato também o seja.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco