Versão
polêmica
Historiador
judeu denuncia a utilização
da
memória do holocausto
Flávio
Moura
Rudolph Baldeo
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| Norman
Finkelstein: contra a elite judaica dos EUA e de Israel |
Se repisar a história do holocausto dos judeus contribuir
para que crimes dessa gravidade não sejam mais cometidos,
então é preciso voltar ao tema incessantemente. O
ensaísta americano de origem judaica Norman G. Finkelstein
acaba de lançar um livro bombástico sobre o assunto
na Inglaterra e nos Estados Unidos mas sua argumentação
vai numa direção inesperada e chocante. Em The
Holocaust Industry (A Indústria do Holocausto), que tem
lançamento no Brasil previsto para 2001 pela Record, Finkelstein
acusa a elite judaica americana e israelense de ter usurpado o espaço
dos que foram atingidos pela perseguição nazista.
"Dividendos consideráveis decorrem dessa vitimização
ardilosa", escreve Finkelstein. Segundo ele, ao fabricar uma mitologia
a partir de fatos históricos, e transformar o holocausto
em arma ideológica, políticos de Israel e judeus ricos
da América buscaram atingir duas metas: justificar políticas
imperialistas no Oriente Médio e obter indenizações
multimilionárias de governos e empresas da Europa.
O
autor tem credenciais insuspeitas para abordar o assunto por um
ângulo tão agressivo. Além de professor da City
University de Nova York, ele é filho de judeus que sobreviveram
aos horrores do campo de concentração de Auschwitz.
Seu livro não tem parentesco algum com essas teses revisionistas
de má-fé que negam a existência do holocausto.
Não é, tampouco, o primeiro a apontar a utilização
da memória do extermínio com finalidades políticas
ou por interesse pecuniário. Pesquisadores respeitados haviam
feito isso antes. Finkelstein é taxativo ao dizer que deseja
restituir à tragédia judaica sua dimensão moral.
"O melhor que se pode fazer pelos que morreram é preservar
sua memória, aprender com o que sofreram e deixá-los,
finalmente, descansar em paz", escreve. O que explica, então,
a controvérsia que vem causando?
Uma
das respostas está no tom empregado. A Indústria
do Holocausto foi redigido como um manifesto. E, como todo manifesto,
não prima pelo equilíbrio. Um terço do livro
é dedicado a examinar a maneira como organizações
judaicas negociaram a soma de 1,25 bilhão de dólares
que bancos suíços liberaram, em agosto de 1998, para
sobreviventes da opressão nazista. Finkelstein deixa de lado
toda sutileza ou moderação para qualificar a estratégia
dessas organizações. Elas teriam praticado, segundo
o autor, "extorsão". O dinheiro, na maior parte, teria sido
destinado a museus, cátedras e monumentos que apenas perpetuam
a "indústria do holocausto".
Os
ataques do autor não se restringem a instituições.
Elie Wiesel, um dos mais renomados defensores da causa judaica em
todo o mundo, e Daniel Goldhagen, autor de um livro sobre a Alemanha
nazista chamado Os Carrascos Voluntários de Hitler,
são massacrados implacavelmente. Sua argumentação
tem algo de teoria conspiratória. Pior ainda, acaba por fornecer
munição, mesmo que inadvertidamente, a grupos como
o dos neonazistas. É um livro perigoso, ainda mais no momento
em que o problema da intolerância racial recrudesce na Europa.
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