Ajuste
virtual
Ao
decidir abandonar o Yahoo! e trabalhar com
a AOL, a Amazon busca um público mais fiel
Cristiana
Baptista
Divulgação/Whitney Cox
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Livraria
Barnes & Noble: o braço virtual da empresa ocupa
espaço no Yahoo!
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A
dança da vassoura no mundo pontocom está longe de
terminar. Depois da euforia inicial, esse universo está se
acomodando em busca de oportunidades de lucro. A última troca
de parceiros aconteceu na semana passada e esteve rodeada de boatos
e especulações. No primeiro minuto da madrugada de
terça-feira, a Amazon.com, maior livraria virtual do planeta,
deixou de ser um dos principais varejistas no portal do Yahoo! nos
Estados Unidos. Sua bandeira, agora, só aparece com destaque
na America Online (AOL). No Yahoo!, o espaço foi ocupado
pela livraria concorrente Barnesandnoble.com, braço virtual
da tradicional rede de lojas de livros americana.
Para
o usuário, a troca é pouco significativa, mas para
o mundo on-line pode ter sido um sinal de uma nova tendência.
A de que os investimentos publicitários na internet, que
neste ano devem chegar a 3 bilhões de dólares nos
Estados Unidos e a quase 70 milhões no Brasil, estão
mudando de direção. Muitos anunciantes estão
renegociando ou abandonando suas parcerias com portais depois de
descobrir que o número de novos clientes simplesmente não
justifica o custo de manter a bandeira na tela de um portal. Em
muitos casos, as empresas estão escolhendo sites nos quais
os usuários sejam mais fiéis. A AOL tem 23 milhões
de assinantes, que pagam pelo serviço e por isso fazem uma
parada obrigatória em suas páginas antes de se aventurar
pela web. Enquanto o Yahoo!, apesar de ter mais de 50 milhões
de visitas mensais, não estabelece vínculo com quem
entra e sai de seu site.
"Direcionando
seus esforços para a AOL, a Amazon.com poderá investir
mais no relacionamento com seus clientes e ter um retorno maior",
diz Daniel Domeneghetti, diretor da E-Consulting, uma consultoria
paulista. Essa é uma das possíveis explicações
para a troca de parceiros. Há outras. Fala-se em corte nos
gastos publicitários da Amazon.com, que nunca deu lucro e
tem uma dívida de mais de 2 bilhões de dólares.
Cogita-se também que a Amazon não conseguiu enfrentar
um ataque feito pela Barnesandnoble ao Yahoo!. O certo é
que empresas estritamente virtuais, como o Yahoo! e a Amazon.com,
estão aumentando suas áreas de atuação
no mundo off-line, ou seja, na velha economia.
Ao substituir a Amazon pela Barnesandnoble, o Yahoo! pisa em terra
firme. A partir de outubro, as 550 lojas da Barnes & Noble estarão
distribuindo a seus clientes um CD de acesso gratuito à internet,
patrocinado pelo Yahoo!. O site quer captar novos usuários.
"Estamos criando programas de marketing para alavancar nossa empresa
on-line, bem como nossos negócios off-line", disse Jeff Mallet,
presidente do Yahoo!.
O volume de publicidade na internet ainda é minúsculo
diante dos outros veículos de comunicação.
Representa 2,5% do total nos Estados Unidos e 1% no Brasil. Para
se ter uma idéia do que isso significa, o caquético
rádio tem 7% do dinheiro investido em propaganda no Brasil.
Os últimos dados sobre publicidade on-line mostram que o
Yahoo! pode estar numa maré fraca. O faturamento com anúncios
caiu em julho. Alguns analistas acreditam que isso pode ser um sinal
de que, nos Estados Unidos, as empresas andam apostando menos em
portais cuja sobrevivência depende apenas da publicidade.
A Amazon está focando seus anúncios num público
que julga cativo. O Yahoo! está oferecendo seu espaço
à conservadora Barnes & Noble exatamente atrás
de pessoas com a mesma característica: a fidelidade.
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