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Vitrine de ouro

Fotos Divulgação Nike/Reuters

A grande vitrine das Olimpíadas não poderia passar em branco para a Nike. Na semana passada, a empresa lançou em Sydney duas sapatilhas feitas para seus principais garotos-propaganda. Maurice Greene, atual recordista da prova dos 100 metros, ganhou um calçado azul e branco, com suas iniciais bordadas na lateral. Michael Johnson, campeão dos 400 metros, recebeu um par com microprismas de ouro de 24 quilates. As duas sapatilhas têm cordões embutidos para diminuir a resistência aerodinâmica. O suficiente para garantir ganho de 1 centésimo de segundo a cada 200 metros. Como Johnson e Greene são os superfavoritos de suas provas, vai ser difícil comprovar se as sapatilhas fizeram alguma diferença.

 

Não teve medalha de prata

Reuters


A última coisa que os australianos queriam ver era o nadador americano Gary Hall no pódio. Hall, falastrão destemperado, havia dito que a equipe americana destroçaria a da Austrália "como se quebra uma guitarra". Não apenas Hall chegou em primeiro lugar nos 50 metros nado livre como outro americano, Anthony Ervin, cravou rigorosamente a mesma fração de segundo – fato inédito na história da natação. Eles abocanharam duas medalhas de ouro de uma tacada só, impedindo que outro obtivesse a prata. Para a Austrália, uma cena indigesta.

 

 

Pele de peixe

 
Reuters
AFP

Na guerra das piscinas de Sydney, a grande vencedora foi a Speedo, criadora da fast skin, a roupa que promete aos atletas um ganho hidrodinâmico de 3%. A marca subiu ao pódio 88 vezes, nos seis primeiros dias de provas. Foram 28 ouros, 29 pratas e 31 bronzes, 81% do total de medalhas na modalidade. De quebra, nos cinco primeiros dias de competição, os atletas Speedo bateram 34 recordes – dez mundiais e 24 olímpicos. Agora, até Eric Moussambani, o martelo sem cabo da Guiné Equatorial, que quase se afogou ao disputar uma eliminatória dos 100 metros, ganhou o patrocínio da marca – só falta aprender a nadar.

 

Gigante na lona

A rede americana de televisão NBC aprendeu a alto custo que fazer a cobertura de uma olimpíada do outro lado do mundo não é uma tarefa tão simples. A apresentação de velhas imagens olímpicas da noite anterior condensadas em cinco horas de videoteipe não agradou ao público, que se debandou para as TVs a cabo e para a canadense CBC, com transmissão dos eventos ao vivo. Os executivos da emissora contavam conquistar perto de 18 pontos de audiência média. Ficaram em 14. Um soco no estômago dos patrocinadores, que pagaram caro pelo pacote – 900 milhões de dólares – e, pelo contrato, podem pedir ressarcimento parcial. O tropeço de Sydney pode contaminar as receitas da General Electric, proprietária da NBC, que desembolsou 3 bilhões de dólares pelos direitos de cobertura até o ano 2012.

 

Tecnologia a serviço de recordes


AllSport


Desde 1976, em Montreal, não se quebrava tanto recorde na natação. Naquele ano, 24 marcas foram superadas, duas a menos que em Munique, quatro anos antes. "Esta é a piscina mais rápida do mundo", declarou Gary Hall, ouro nos 50 metros nado livre, impressionado com a tecnologia que encontrou no Sydney International Aquatic Centre. A água, esterilizada e tratada com ozônio para ganhar mais estabilidade, é mantida numa temperatura compatível com a do ambiente, de modo a não provocar perda de energia no momento da entrada do nadador. Com 3 metros de profundidade, saída lateral de água, o que elimina os ralos, estabilizadores eletronicamente controlados e raias especiais, a piscina foi construída para melhorar o desempenho dos atletas. E parece que funcionou.

 

Caíram do cavalo


AP


O aparelho de salto sobre cavalo, na ginástica artística, tem uma altura milimetricamente regulamentada: 1,20 metro. Em Sydney, por erro, ele foi montado 5 centímetros mais baixo. Resultado: no lugar de corpos piruetando harmoniosamente no ar, uma queda após a outra. Quando o erro foi finalmente detectado – e uma segunda oportunidade de salto oferecida às atletas que já haviam competido –, o dano psicológico estava feito. A atual czarina da ginástica mundial, Svetlana Khorkina, com a concentração em frangalhos, não conseguiu erguer-se para tentar o ouro, que lhe parecia garantido. Caiu, também, da barra assimétrica.

 

Os grandes dizem adeus


Reuters


Estes devem ser os últimos jogos de algumas feras olímpicas. A cubana Mireya Luis, rainha do vôlei, ouro em 1992 e 1996, deve abandonar as quadras aos 33 anos. Também às portas da aposentadoria: Teresa Edwards (EUA), 36 anos, três medalhas de ouro (1984, 1988 e 1996) e um bronze (1992). Os cubanos Javier Sotomayor, 32 anos, ouro em 1992 no salto em altura, e o pugilista Félix Savón, 32 anos, ouro em 1992 e 1996. O nadador russo Alexander Popov, 28 anos, quatro medalhas de ouro (1992 e 1996) e uma de prata (2000). Por fim, o fenômeno ucraniano de salto com vara, Sergei Bubka (foto), 36 anos, ouro em 1988.

 

Farra e vaia para o Dream Team

O que fazer quando se chega às Olimpíadas com a tediosa perspectiva de ir direto ao pódio? Na semana passada, depois de destroçar os italianos por uma diferença de quase 30 pontos, os jogadores de basquete dos Estados Unidos caíram na farra numa boate. O placar: seis horas de bebedeira, finalizadas com uma voraz degustação de hambúrgueres. Dois dias depois, os fora-de-série venceram a pouco expressiva Lituânia por uma diferença de apenas 9 pontos – a menor registrada desde que os astros da NBA começaram a disputar os jogos – e levaram vaias generalizadas. Prova de que a ressaca é o único adversário que pode tirar o ouro do Dream Team.

 

 

 

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