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Travou?
Ele resolve

A nova versão do Windows promete
corrigir erros e diminuir a dor de cabeça
quando a máquina pára

Nilson Vargas


Reuters
Bill Gates: mina de dinheiro


A cena é familiar para os usuários de computadores. De repente, a máquina trava, deixa de obedecer aos comandos e provoca no operador um princípio de pânico. Temor número 1: perder os arquivos que estavam abertos no momento do crash – o texto, o desenho, a planilha, que muitas vezes consumiram horas de trabalho. Temor número 2: que o travamento afete o funcionamento da máquina, corrompendo suas configurações e os programas instalados. O problema maior por trás desses dois temores é ainda pior. No fundo, acontecimentos como esses abalam a própria confiança das pessoas nos computadores e nos softwares. É esse o mal que a Microsoft, maior fabricante mundial de softwares, pretende combater com sua mais nova versão do sistema operacional Windows, batizada de Millennium, apelidada de Windows Me e voltada para o uso doméstico.

Antes de continuar falando da novidade, vale uma explicação sobre o que é sistema operacional. Ele é o comandante-chefe do micro. Permite que os programas rodem, organiza os arquivos, faz a conexão com a impressora e outros periféricos, entre tantas funções essenciais. Sem sistema operacional, o computador não consegue receber as instruções mais elementares para funcionar. Para os usuários de PCs, existem algumas poucas opções de sistemas operacionais, e o Windows domina esse mercado de forma tão avassaladora que a Microsoft é seguidamente acusada de monopólio. O primeiro filhote da série, o Windows 3.0, explodiu no início da década de 90. De lá para cá, a empresa de Bill Gates trata de lançar uma nova versão quase a cada ano, reforçando seu reinado na área (veja quadro). O negócio é uma mina de ouro. Claro que não seria diferente em pleno ano 2000, que mereceu logo dois lançamentos. Um destinado ao uso em empresas e o Me, para micros domésticos.

Para embarcar na era do Windows Me, o consumidor precisará gastar 439 reais na compra do sistema completo, 199 se tiver a edição 95 em sua máquina ou 99 reais se possuir a 98. O que faria o usuário colocar a mão no bolso? Para a Microsoft, a resposta é: recursos de entretenimento e, principalmente, os aguardados mecanismos de segurança para eliminar os travamentos. A munição de segurança do novo Windows Me é a seguinte:

Proteção de arquivos do sistema: o Windows tem uma coleção de arquivos essenciais ao seu funcionamento. Nas versões anteriores, esses arquivos podiam ser deletados por uma trapalhada do próprio usuário ou alterados durante a instalação de um programa. O Me não permite que isso ocorra. Assim, os riscos de travamento da máquina caem sensivelmente.

Restauração do sistema: é uma espécie de fotografia que o usuário faz das configurações básicas do computador. É um dos instrumentos mais úteis que foram adicionados ao Windows. Antes de instalar um novo software, por exemplo, o usuário faz uma cópia dessas configurações. Se a operação for frustrada, o Me permite que tudo volte à situação anterior. Note que isso vale apenas para os arquivos críticos, que fazem o sistema funcionar. O recurso não protege textos, planilhas e outros arquivos das eventuais barbeiragens de quem está pilotando a máquina.

Essas novidades sacramentam o fim do odiado "erro fatal" que trava o micro? Nas conversas de corredor, na sede da Microsoft do Brasil, em São Paulo, dá para ouvir executivos e técnicos jurando que sim. Mas, oficialmente, ninguém na empresa assume o compromisso. "O problema do travamento deve ser sensivelmente reduzido", diz a gerente de marketing Carolina Braga Vianna. "Mas não é possível cercar todas as possibilidades de uso indevido da máquina." Apesar de ter consumido doze meses para desenvolver o sistema, envolvendo 1 300 funcionários e testes com 15.000 usuários, a Microsoft quer esperar o produto chegar em grandes volumes à casa dos consumidores para ter uma idéia de sua aceitação. Se depender dos usuários americanos, isso não vai demorar muito. Nos Estados Unidos, 250.000 caixas do produto foram vendidas em quatro dias. A previsão de vendas é de 1 milhão de cópias até o final do ano. À medida que o uso doméstico se intensifica, os problemas no sistema devem aparecer. A Microsoft promete corrigi-los rapidamente, oferecendo as soluções por download gratuito via internet.

No quesito entretenimento, o novo Windows traz de volta velhos joguinhos, como gamão e de damas, que acompanhavam versões anteriores. Com a diferença de que, agora, o usuário poderá jogá-los on-line com adversários de qualquer parte do mundo. Entre os recursos de multimídia do Me está o Windows Media Player 7.0, que permite ouvir músicas e ver clipes disponíveis na internet, além de rodar arquivos musicais em MP3 e outros formatos. Interessante, mas sem novidades, pois o Media Player pode ser copiado de graça do site da própria Microsoft. Outro recurso é o Movie Maker, que cria pequenos vídeos a partir de imagens capturadas de sites ou mesmo recolhidas pelo usuário com câmaras digitais. Além do elenco de itens de segurança e entretenimento, o novo sistema facilita a criação de redes domésticas de dois ou mais micros. A facilidade existe, mas não livra o usuário de abrir as máquinas, instalar placas e estender cabos pela casa.

Para a Microsoft, o lançamento do Windows Me não poderia ser mais oportuno, em se tratando do mercado brasileiro. O usuário doméstico pilota de casa cerca de 3 milhões de computadores em operação no país. Sua participação no total das vendas de micros não pára de crescer. Era de 25% há dois anos e hoje passa de 35%. "A criação de linhas de crédito do Banco do Brasil e de outras instituições, para quem quer ter computador em casa, está dando forte impulso às vendas", diz Mity Kato, gerente de produtos da Dell Computer, que desde o dia 14 vende micros equipados com o Windows Me. "Uma semana antes do lançamento já recebíamos consultas de clientes interessados no novo sistema."

Ainda que caia na simpatia do usuário, o Windows Me não vai resolver o crônico problema da pirataria. O próprio diretor de marketing da Microsoft, Marcelo Moncau, admite que oito em cada dez computadores domésticos são equipados com versões piratas do sistema. O estrago só não é maior porque os computadores novos que chegam ao mercado em sua maioria vêm com o programa oficial instalado.

 

A evolução do Windows

O que mudou desde a primeira versão do sistema que equipa nove em cada dez microcomputadores no mundo

Windows 3.0

Lançado em 1985, só explodiu no mercado em 1990. Sepultou as telas em que era preciso digitar comandos. O usuário passou a acessar janelas, o que inspirou o nome windows (janela em inglês). Abriu caminho para outra grande novidade: o mouse.

Windows 3.1

Lançado em 1991 nos Estados Unidos e em 1992 no Brasil, recauchutou os menus de acesso.

Windows 3.11

Mais adaptado a micros em rede, chegou em 1993. Permitiu interação entre softwares como Word e Excel e ofereceu mais tipos de letras.

Windows 95

Trouxe para o Windows o conceito de desktop, que permite "arrastar" arquivos usando o mouse. Introduziu o "plug & play", promessa nem sempre cumprida de tornar mais fácil ao leigo pilotar o micro.

 

Windows 98

O primeiro filhote do Windows integrado à internet facilitou o acesso à rede, em dobradinha com o navegador Explorer. Permitiu também a conexão do micro com novidades como câmaras digitais.

Windows 98 Segunda Edição

Compatível com arquivos de vídeo e áudio disponíveis na internet, como músicas em MP3. Abriu caminho para games mais sofisticados.

Windows Millennium

Voltado para o usuário doméstico, aposta no entretenimento e na segurança do sistema, com recursos para evitar que, por exemplo, a instalação desastrada de um software trave a máquina. Facilita a criação de uma rede doméstica e conecta o micro com o suporte e com as atualizações do sistema.

 

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