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Antes de continuar falando da novidade, vale uma explicação sobre o que é sistema operacional. Ele é o comandante-chefe do micro. Permite que os programas rodem, organiza os arquivos, faz a conexão com a impressora e outros periféricos, entre tantas funções essenciais. Sem sistema operacional, o computador não consegue receber as instruções mais elementares para funcionar. Para os usuários de PCs, existem algumas poucas opções de sistemas operacionais, e o Windows domina esse mercado de forma tão avassaladora que a Microsoft é seguidamente acusada de monopólio. O primeiro filhote da série, o Windows 3.0, explodiu no início da década de 90. De lá para cá, a empresa de Bill Gates trata de lançar uma nova versão quase a cada ano, reforçando seu reinado na área (veja quadro). O negócio é uma mina de ouro. Claro que não seria diferente em pleno ano 2000, que mereceu logo dois lançamentos. Um destinado ao uso em empresas e o Me, para micros domésticos. Para embarcar na era do Windows Me, o consumidor precisará gastar 439 reais na compra do sistema completo, 199 se tiver a edição 95 em sua máquina ou 99 reais se possuir a 98. O que faria o usuário colocar a mão no bolso? Para a Microsoft, a resposta é: recursos de entretenimento e, principalmente, os aguardados mecanismos de segurança para eliminar os travamentos. A munição de segurança do novo Windows Me é a seguinte:
Essas novidades sacramentam o fim do odiado "erro fatal" que trava o micro? Nas conversas de corredor, na sede da Microsoft do Brasil, em São Paulo, dá para ouvir executivos e técnicos jurando que sim. Mas, oficialmente, ninguém na empresa assume o compromisso. "O problema do travamento deve ser sensivelmente reduzido", diz a gerente de marketing Carolina Braga Vianna. "Mas não é possível cercar todas as possibilidades de uso indevido da máquina." Apesar de ter consumido doze meses para desenvolver o sistema, envolvendo 1 300 funcionários e testes com 15.000 usuários, a Microsoft quer esperar o produto chegar em grandes volumes à casa dos consumidores para ter uma idéia de sua aceitação. Se depender dos usuários americanos, isso não vai demorar muito. Nos Estados Unidos, 250.000 caixas do produto foram vendidas em quatro dias. A previsão de vendas é de 1 milhão de cópias até o final do ano. À medida que o uso doméstico se intensifica, os problemas no sistema devem aparecer. A Microsoft promete corrigi-los rapidamente, oferecendo as soluções por download gratuito via internet. No quesito entretenimento, o novo Windows traz de volta velhos joguinhos, como gamão e de damas, que acompanhavam versões anteriores. Com a diferença de que, agora, o usuário poderá jogá-los on-line com adversários de qualquer parte do mundo. Entre os recursos de multimídia do Me está o Windows Media Player 7.0, que permite ouvir músicas e ver clipes disponíveis na internet, além de rodar arquivos musicais em MP3 e outros formatos. Interessante, mas sem novidades, pois o Media Player pode ser copiado de graça do site da própria Microsoft. Outro recurso é o Movie Maker, que cria pequenos vídeos a partir de imagens capturadas de sites ou mesmo recolhidas pelo usuário com câmaras digitais. Além do elenco de itens de segurança e entretenimento, o novo sistema facilita a criação de redes domésticas de dois ou mais micros. A facilidade existe, mas não livra o usuário de abrir as máquinas, instalar placas e estender cabos pela casa. Para a Microsoft, o lançamento do Windows Me não poderia ser mais oportuno, em se tratando do mercado brasileiro. O usuário doméstico pilota de casa cerca de 3 milhões de computadores em operação no país. Sua participação no total das vendas de micros não pára de crescer. Era de 25% há dois anos e hoje passa de 35%. "A criação de linhas de crédito do Banco do Brasil e de outras instituições, para quem quer ter computador em casa, está dando forte impulso às vendas", diz Mity Kato, gerente de produtos da Dell Computer, que desde o dia 14 vende micros equipados com o Windows Me. "Uma semana antes do lançamento já recebíamos consultas de clientes interessados no novo sistema." Ainda que caia na simpatia do usuário, o Windows Me não vai resolver o crônico problema da pirataria. O próprio diretor de marketing da Microsoft, Marcelo Moncau, admite que oito em cada dez computadores domésticos são equipados com versões piratas do sistema. O estrago só não é maior porque os computadores novos que chegam ao mercado em sua maioria vêm com o programa oficial instalado.
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