Hora de acabar
Pesquisadores
anunciam uma
fórmula para prever divórcio
Aida
Veiga
Fotos João
Raposo/Tibico Brasil
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TT
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| Alessandra
e Benício: quatro anos de paixão e muitas brigas
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Chitãozinho
e Adenair: no fim, tédio e pouca intimidade |
Seu
casamento merece uma chance ou é melhor chamar um advogado?
Dois pesquisadores americanos, John Gottman e Robert Levenson, das
universidades do Estado de Washington e de Berkeley, na Califórnia,
podem ter a resposta: eles chegaram a uma fórmula matemática
que permite distinguir com 93% de acerto os casais que viverão
felizes para sempre daqueles que vão engrossar a lista dos
divorciados. A fórmula, muito complexa, inclui desde o número
de vezes que a pessoa pensou em separação ou desconfiou
ter sido traída até a freqüência dos batimentos
cardíacos e quanto um cônjuge transpira quando está
discutindo com o outro. Só pode ser aplicada com a ajuda
de terapeutas profissionais, mas os autores garantem: é infalível.
"Fazemos um raio X do casamento nos seus primeiros anos", explica
o psicólogo Robert Levenson. "A partir do retrato emocional
do casal naquele período, é possível saber
se eles vão se divorciar e quando."
O
estudo começou em 1983, ano em que Gottman e Levenson destrincharam
o relacionamento conjugal de 79 casais com dois a três anos
de casados. Durante meses, cada casal comparecia diariamente a um
laboratório para uma conversa informal que era esquadrinhada
nos mínimos detalhes. Além de medir alterações
corporais, os pesquisadores contabilizavam o número de sorrisos
amarelos, franzidas de sobrancelhas e outras expressões faciais
e davam nota para as reações de marido e mulher. Quatro
anos depois, o grupo foi contatado novamente e 9% dos casais haviam
se separado. Passados mais dez anos, o índice tinha saltado
para 28%. Esses dados compõem a fórmula matemática
e serviram de base para uma lista de atitudes típicas do
pré-divórcio esta, acessível a todos.
"Conseguimos concluir qual é o modelo de comportamento que
leva à separação", explica Gottman.
Os
resultados alcançados (veja quadro) confirmam o senso
comum. Mostram, por exemplo, que casais com pouco tempo de convivência
que vivem brigando e criticando um ao outro se divorciam logo. É
o caso da atriz Alessandra Negrini, separada do ator Murilo Benício
após quatro anos de muita paixão. "A gente se gostava,
mas também brigava muito", conta Alessandra. Já os
que engolem sapos e preferem fingir que não sabem o que sabem,
ou não sentem o que sentem, divorciam-se mais tarde, quando
os filhos crescem, por acreditar que não há mais justificativa
para manter as aparências. O cantor Chitãozinho, ao
encerrar dezoito anos de casamento com Adenair Lima, pôs a
culpa no tédio e na pouca intimidade do casal àquela
altura. "Não tinha coragem de me separar porque sou apegado
à família", disse ele, quando confirmou a separação.
"Mas agora posso dizer: estou muito melhor separado do que casado."
Ah, sim, e na companhia de Márcia Alves, uma dançarina
22 anos mais jovem que ele certamente um dos fatores mais
poderosos de qualquer fórmula de separação.
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