Cresce
a lista
Sobe para 103 o número de mortes
atribuídas ao defeito de fabricação
nos pneus da Firestone
AP
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| Acidente
com a Ford Explorer: dois terços dos pneus defeituosos
eram
equipamentos de
fábrica do carro |
No
mês passado, a Firestone anunciou um defeito de fabricação
em 14,4 milhões de pneus de peruas e convocou um dos maiores
recalls da história dos Estados Unidos para substituí-los.
A partir daí, as queixas de acidentes no país relacionados
ao problema não pararam de crescer. No início eram
menos de 200 reclamações. Somaram-se a elas outras
2.000. Na terça-feira passada, funcionários do governo
americano anunciaram que as mortes subiram de 21 para 103 e os feridos
já são mais de 400. Como o caso ainda não está
concluído, esses números podem ser ainda maiores.
Os dados são alarmantes. Estima-se que quase metade dos pneus
defeituosos ainda esteja em circulação em diversos
países. A grande maioria deles saiu das fábricas da
Ford como equipamento de série da perua Ford Explorer, a
vedete da montadora, responsável por 25% de seus lucros.
Iniciou-se uma troca de denúncias como nunca se viu entre
a Ford e a Firestone, parceiras há quase 100 anos. A montadora
chegou a acusar formalmente a fabricante de pneus de conhecer os
defeitos muito antes do recall, tendo-se calado a respeito do assunto.
Dificilmente algo pode abalar mais a reputação
e os cofres de uma empresa do que ter o nome associado a
acidentes. Já é possível verificar os efeitos
práticos do caso Firestone sobre as empresas do ramo. Estão
mais atentas. Na semana passada, a Continental, maior fabricante
alemã de pneus, anunciou a substituição de
160.000 unidades produzidas pela sua filial americana antes de qualquer
determinação legal. Segundo a Continental, foram detectados
pequenos defeitos na banda de rodagem dos pneus, a parte que fica
em contato com o solo, a mesma que apresentou problemas nos pneus
da Firestone. Ao que indicam as evidências até o momento,
há uma diferença grande na proporção
do defeito. Nos pneus da Firestone, a banda de rodagem se desfazia.
Nos da Continental, o problema parece se resumir a vibrações
no veículo e rompimento de pequenas partes da borracha dos
pneus. A empresa alemã afirma que o recall faz parte de seu
programa de satisfação do cliente. A estratégia
pode livrar a empresa de problemas futuros, mas coloca a Ford novamente
em maus lençóis: a montadora usou a maior parte dos
pneus defeituosos da Continental para equipar os modelos 1998 e
1999 do utilitário esportivo Lincoln Navigator.
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