Navios à
vista
Chegada
de megatransatlânticos acrescenta
novos
atrativos aos cruzeiros no Brasil
Gabriela
Carelli
Fotos divulgação
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| Splendour
of the Seas: navio para 1 800 passageiros e roteiro no litoral
nacional |
Ao
aportar em Santos, às vésperas do Natal, o megatransatlântico
Splendour of the Seas trará muito mais que luxo e
glamour. O navio é o primeiro desse porte destacado para
roteiros turísticos na costa brasileira e sinaliza uma nova
fase nesse tipo de passeio. O brasileiro mostra-se cada dia mais
disposto a trocar as temporadas na praia pelo cruzeiro marítimo.
A procura dobrou nos últimos três anos. Perto de 260.000
pessoas subiram a bordo na temporada passada, entre novembro e março,
e as estimativas da Embratur são de que o número alcance
os 390.000 neste ano. O potencial de
negócios no Brasil saltou aos olhos das empresas internacionais
de cruzeiros. Foi o que motivou a Royal Caribbean, construtora do
Splendour e segunda no ranking mundial, a apostar no roteiro
nacional. "Depois do Splendour, todos os grandes que estão
no Caribe virão atrás do Brasil", prevê Eduardo
Nascimento, diretor-presidente da Sun & Sea, representante da
Royal no país.
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| Um
transatlântico de
luxo: 8 000 metros quadrados de vidro |
A embarcação,
do tamanho de três campos de futebol, adornada por 8.000
metros quadrados de vidro e com capacidade para 1.800
pessoas, faz parte de uma seleta fornada feita sob medida para os
lucrativos portos do Caribe e Mediterrâneo. É o tipo
de navio que antes só ultrapassava a linha do Equador em
rápidas incursões. A Costa Cruzeiros, braço
da Carnival Cruise, a maior empresa de turismo marítimo,
também está redesenhando suas rotas para incluir o
litoral brasileiro. O Costa Romântica, um de seus tops,
com 1.700 lugares, chegará ao
Brasil em 2001. Em breve, serão vistos nos portos outros
titãs, como o Voyager of the Seas, para 3.100
turistas. Os navios de lazer que circulam por aqui tinham, até
agora, capacidade para no máximo 800 pessoas. A descoberta
do potencial brasileiro não diz respeito apenas aos turistas
nacionais. Os reis da navegação de lazer almejam trazer
americanos e europeus para cá e mostrar-lhes um novo roteiro
tropical.
Uma
das razões que levam tantos navios a virar o leme em direção
ao Atlântico Sul é a saturação do Caribe,
destino de 42% dos turistas. Hoje, são 232 transatlânticos
circulando pelos mares, com 8 milhões de passageiros e o
impressionante faturamento de 28 bilhões de dólares
por ano. Com um crescimento anual de 8,3%, a expectativa é
de que mais 48 grandes navios (cada um com capacidade de até
3.000 passageiros) sejam lançados
ao mar até 2005. "Não dá para colocar todos
eles no Caribe", diz René Hermann, diretor-geral da Costa
no país. "O Brasil pode ser a solução para
essa nova safra." Para que o país se torne um destino importante
dos cruzeiros marítimos ainda serão necessários
alguns ajustes na infra-estrutura portuária. Na semana passada,
foi inaugurado o primeiro terminal marítimo de passageiros,
em Itajaí, Santa Catarina. Mas pontos belíssimos da
costa, como Porto Seguro, nem sequer têm local para a atracação
de navios de turismo. É preciso levar os passageiros em lanchas
para a cidade.
A
infra-estrutura para o turismo marítimo é deficiente,
em parte, porque até 1996 navios estrangeiros eram proibidos
de fazer o transporte de passageiros entre portos nacionais. "Ainda
não houve tempo para adaptar nossas instalações
a esse novo tipo de utilização", diz o coordenador
de Turismo Náutico da Embratur, Fábio de Freitas.
Quarenta transatlânticos são esperados neste verão,
seis deles com roteiros inteiramente no litoral nacional. O preço
da viagem já está 5% menor que no ano passado. O turista
interessado nas instalações luxuosas dos navios
teatros, cinemas, academias de ginástica, danceterias, restaurantes,
pistas de cooper e, em alguns deles, até campos de golfe
paga a partir de 700 dólares por oito dias ao mar.
A passagem inclui seis refeições, shows e atividades.
Só ficam de fora bebidas, jogatina nos cassinos e compras
nas lojas a bordo. Colocando tudo na ponta do lápis, é
mais ou menos o que se gasta num bom hotel de praia. É um
prato cheio para quem busca sombra, água fresca e conforto
nos meses de verão.
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