Geral Patrimônio

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Ingleses querem monitorar risco de choque de asteróides
Fungos ameaçam exército de argila chinês
Os megatransatlânticos que navegam na costa brasileira
Sobe para 103 o número de vítimas do pneu com defeito
Um terço das crianças sofre de insônia e a culpa é dos pais
A dura vida das modelos em início de carreira
As fórmulas para prever que o divórcio está a caminho
As promessas do novo Windows
Chuva e prevenção reduzem as queimadas na Amazônia
Já se adotam crianças não-brancas e mais velhas
O maníaco da Universidade Federal de Minas
Indenização milionária por mala extraviada
Medalhas, celebridades e esperanças
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Guerreiros acuados

Fungos ameaçam corroer o famoso
exército de argila de Xian, na China


AP
A família Clinton durante visita ao conjunto chinês: a respiração dos visitantes faz mal às estátuas milenares


Há 2 200 anos em posição de combate, o impressionante exército de argila de Xian, na China, enfrenta finalmente um inimigo. O oponente é um batalhão composto de mais de quarenta tipos de fungos, que ameaça a integridade dos 6.000 guerreiros e cavalos moldados em tamanho natural. Até 1974, quando foram descobertas casualmente por um grupo de camponeses, as esculturas encontravam-se soterradas. Isso permitiu que permanecessem protegidas do ataque de vândalos e incólumes à corrosão do tempo. Os fungos que agora as atacam se alimentam da umidade provocada pela respiração dos milhares de pessoas que visitam a atração a cada ano. De excursionistas de pacote a personagens de alto coturno, como o presidente americano Bill Clinton, não há um estrangeiro em viagem ao país que deixe de ver o conjunto. Pode-se dizer que o exército de Xian é hoje tão popular quanto a famosa Muralha da China, a única construção humana possível de ser vista da órbita terrestre. O problema que afeta as esculturas é mais um causado pelo turismo de massa. Em diversas latitudes, importantes patrimônios artísticos e culturais também estão em perigo.

Das 6.000 peças, 1.400 estão contaminadas. Para limpá-las, o governo chinês contratou a peso de ouro o laboratório belga Janssen Pharmaceutical, o mesmo que foi sondado há alguns anos para realizar trabalhos de conservação nas cidades históricas de Minas Gerais. Os brasileiros não utilizaram a tecnologia dos belgas porque o orçamento apresentado era muito caro. A Janssen usará produtos químicos especiais para retirar os fungos da superfície das esculturas. Os técnicos da empresa estimam que o trabalho deverá durar pelo menos um ano. Enquanto isso, a visitação ao local será limitada.

O exército de argila de Xian, tombado em 1987 pela Unesco como patrimônio da humanidade, é admirável tanto pelo valor estético como histórico. Seus detalhes revelam aspectos dos costumes na China do século III a.C., como os cortes de cabelo que diferenciavam os guerreiros vindos de diferentes regiões. A concepção da obra foi uma hábil jogada de Qin Shihuang, o primeiro governante a unificar o país. Naquele tempo, era comum que, ao morrer um nobre, fossem sacrificados seus escravos e soldados, sob o argumento de que deveriam proteger seu senhor no além. A matança, evidentemente, provocava revoltas na população. A fim de colocar um ponto final nessa tradição bárbara e, desse modo, evitar eventuais rachas no império que edificara, Qin Shihuang mandou que um exército de argila fosse esculpido antes de sua morte. Ele seria a sua tropa no outro mundo.

 

Guerreiros acuados

Fungos derivados da umidade e da respiração dos turistas também ameaçam o interior das pirâmides do Egito. Por isso, a visitação foi limitada e a umidade do ar é controlada

Os templos do complexo de Angkor Wat vêm sendo dilapidados pelos cambojanos, que vendem as peças surrupiadas a contrabandistas. Nesse caso, o pior inimigo é a pobreza

Apesar da proibição do uso de flashes na Capela Sistina, cuja luz desgasta os afrescos, a turistada continua a espocá-los

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco