Guerreiros
acuados
Fungos ameaçam corroer o famoso
exército
de argila de Xian, na China
AP
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| A
família Clinton durante visita ao conjunto chinês:
a respiração dos visitantes faz mal às
estátuas milenares |
Há 2 200 anos em posição de combate, o impressionante
exército de argila de Xian, na China, enfrenta finalmente
um inimigo. O oponente é um batalhão composto de mais
de quarenta tipos de fungos, que ameaça a integridade dos
6.000 guerreiros e cavalos moldados em tamanho natural. Até
1974, quando foram descobertas casualmente por um grupo de camponeses,
as esculturas encontravam-se soterradas. Isso permitiu que permanecessem
protegidas do ataque de vândalos e incólumes à
corrosão do tempo. Os fungos que agora as atacam se alimentam
da umidade provocada pela respiração dos milhares
de pessoas que visitam a atração a cada ano. De excursionistas
de pacote a personagens de alto coturno, como o presidente americano
Bill Clinton, não há um estrangeiro em viagem ao país
que deixe de ver o conjunto. Pode-se dizer que o exército
de Xian é hoje tão popular quanto a famosa Muralha
da China, a única construção humana possível
de ser vista da órbita terrestre. O problema que afeta as
esculturas é mais um causado pelo turismo de massa. Em diversas
latitudes, importantes patrimônios artísticos e culturais
também estão em perigo.
Das 6.000 peças, 1.400 estão contaminadas. Para limpá-las,
o governo chinês contratou a peso de ouro o laboratório
belga Janssen Pharmaceutical, o mesmo que foi sondado há
alguns anos para realizar trabalhos de conservação
nas cidades históricas de Minas Gerais. Os brasileiros não
utilizaram a tecnologia dos belgas porque o orçamento apresentado
era muito caro. A Janssen usará produtos químicos
especiais para retirar os fungos da superfície das esculturas.
Os técnicos da empresa estimam que o trabalho deverá
durar pelo menos um ano. Enquanto isso, a visitação
ao local será limitada.
O exército de argila de Xian, tombado em 1987 pela Unesco
como patrimônio da humanidade, é admirável tanto
pelo valor estético como histórico. Seus detalhes
revelam aspectos dos costumes na China do século III a.C.,
como os cortes de cabelo que diferenciavam os guerreiros vindos
de diferentes regiões. A concepção da obra
foi uma hábil jogada de Qin Shihuang, o primeiro governante
a unificar o país. Naquele tempo, era comum que, ao morrer
um nobre, fossem sacrificados seus escravos e soldados, sob o argumento
de que deveriam proteger seu senhor no além. A matança,
evidentemente, provocava revoltas na população. A
fim de colocar um ponto final nessa tradição bárbara
e, desse modo, evitar eventuais rachas no império que edificara,
Qin Shihuang mandou que um exército de argila fosse esculpido
antes de sua morte. Ele seria a sua tropa no outro mundo.
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Guerreiros
acuados
Fungos
derivados da umidade e da respiração dos turistas
também ameaçam o interior das pirâmides
do Egito. Por
isso, a visitação foi limitada e a umidade do
ar é controlada
Os
templos do complexo de Angkor Wat vêm sendo dilapidados
pelos cambojanos, que vendem as peças surrupiadas a
contrabandistas. Nesse caso, o pior inimigo é a pobreza
Apesar
da proibição do uso de flashes na Capela Sistina,
cuja luz desgasta os afrescos, a turistada continua a espocá-los
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