A
pedrada que vem
do céu
Cientistas
ingleses propõem esforço
global
para monitorar o
risco de asteróides e
cometas
caírem na Terra
AP
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Chuva
de cometas numa visão artística: à possibilidade
de uma tragédia é de uma em cada
100 000 anos
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As
probabilidades de que um asteróide ou cometa grande o bastante
para fazer estrago caia sobre a Terra são, em termos astronômicos,
relativamente elevadas: uma em cada 100.000 anos. O máximo
que a humanidade pôde fazer a respeito até agora foi
rezar para isso não acontecer. Na semana passada, um grupo
de cientistas ingleses propôs medidas práticas para
evitar tragédias vindas do céu. Os especialistas,
membros de uma força-tarefa criada no início do ano
pelo governo para estudar o assunto, acham necessário ampliar
a rede internacional de telescópios apontados para o espaço.
O objetivo seria monitorar o movimento dos corpos celestes, de modo
a se saber com antecedência se algum deles entrou em rota
de colisão com nosso planeta. A vigília estelar permitiria
antecipar em cinco ou em até 100 anos o risco de um choque.
Nesse meio tempo, seria possível projetar e até testar
formas de neutralizar asteróides e cometas ameaçadores.
O objetivo mais imediato da proposta inglesa é atenuar um
problema que atormenta astrofísicos: sabe-se muito pouco
sobre esses potenciais e temidos invasores do espaço terrestre.
Existem cerca de 17.000 dessas pedras cadastradas e com órbitas
bem definidas no chamado cinturão dos asteróides,
entre os planetas Marte e Júpiter. Só uma delas, Vesta,
é visível a olho desarmado. No mesmo espaço,
outras 50.000 já foram descobertas, mas suas trajetórias
excêntricas e irregulares em torno do Sol estão pouco
definidas. Não se tem idéia se poderiam em algum momento
do futuro cruzar com a rota de outros planetas. Os cometas, que
são corpos parcialmente formados de gás e gelo, também
orbitam no sistema solar e muitos deles se aproximam o suficiente
para ser observados a olho nu da Terra.
O perigo de colisão é real. Uma teoria que conta com
considerável respaldo entre especialistas diz que a pancada
de um asteróide ou cometa na superfície terrestre
causou a extinção dos dinossauros, há 65 milhões
de anos. O impacto abriu o atual Golfo do México, provocando
uma onda de destruição que se propagou por centenas
de quilômetros, arruinando 70% da vida sobre a Terra. Há
indícios de outra bomba celeste há 50.000 anos no
deserto do Estado americano do Arizona, que teria provocado uma
explosão com a força de um artefato nuclear como aquele
que destruiu Nagasaki. É praticamente certo que um asteróide
ou cometa caiu sobre Tunguska, uma área desértica
da Sibéria, devastando quase 2.000 quilômetros quadrados
de bosques, em 1908. O estrago que esse tipo de choque pode causar
foi bem documentado há seis anos, quando os observatórios
acompanharam a espetacular queda do cometa Shoemaker-Levy na superfície
de Júpiter. Especialistas apontam que as cicatrizes da violência
cósmica também estão registradas na superfície
repleta de crateras e depressões da Lua.
O que se pode fazer se um corpo celeste ameaçar a Terra?
Em dois filmes recentes com esse tema, o perigo foi eliminado ou
minimizado com o emprego de armamento nuclear. Na vida real é
bem possível que não funcione. Cogita-se ainda a utilização
de foguetes ou mísseis para desviar inimigos potenciais de
suas rotas. Essa estratégia poderia afastá-los em
até 8.000 quilômetros da superfície terrestre.
"Apesar das dúvidas, sabemos que não adiantaria simplesmente
explodir um asteróide", diz a astrofísica Daniela
Lázzaro, do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.
"Isso apenas dividiria o perigo em pedaços, cada um deles
com capacidade de causar grande devastação."
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