No bolso da
CIA
Contreras,
chefe da Dina,
era
espião dos americanos
AFP
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| Contreras:
sete anos na cadeia |
O general Manuel Contreras, chefe da Dina, o serviço secreto
chileno, não era apenas o responsável pelo trabalho
sujo da ditadura de Augusto Pinochet. Ele também foi um espião
a soldo da CIA. A revelação é da própria
agência de espionagem americana, em relatório entregue
ao Congresso dos Estados Unidos, na segunda-feira passada. O documento
intitulado "Atividades da CIA no Chile" diz que o general se tornou
informante um ano depois do golpe de Estado de 1973, que depôs
o presidente Salvador Allende, mas não esclarece quanto ele
recebeu pela traição. Contreras ainda era assalariado
da CIA quando organizou o atentado a bomba que matou o ex-chanceler
chileno Orlando Letelier e sua secretária americana a apenas
2 quilômetros da Casa Branca, em 1976. A ousadia do crime
em solo americano escandalizou os Estados Unidos, que pediram a
extradição do responsável em 1978. Contreras
acabou julgado no Chile e desde 1994 cumpre uma sentença
de sete anos.
O
chefe da Dina é o único espião identificado,
mas a agência de espionagem americana admite ter recrutado
"outros militares chilenos implicados em sistemáticas violações
de direitos humanos". Contreras confirma o estreito relacionamento
entre os dois serviços secretos, mas nega ter estado na folha
de pagamento da CIA. Segundo ele, Pinochet lhe deu ordem expressa
de aceitar a oferta americana de treinar os agentes chilenos. Contreras
diz ter acertado os detalhes com o general americano Vernon Walters,
vice-diretor da CIA, numa viagem a Washington, em 1974. "Eu estava
em contato com Vernon. Também posso dizer que ele era meu
informante", defende-se o general preso. A Justiça chilena
estuda agora se vai processar Contreras por traição
à pátria.
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