Ação
retardada
Vídeo
de assessor morto
liga
Chirac a escândalo
Fotos AFP
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| Jacques
Chirac: o presidente está cercado de suspeitas de corrupção
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Jean-Claude
Méry: de assessor a acusador de Chirac |
Como
é usual na alta hierarquia política francesa, Jacques
Chirac, presidente da República, conseguiu abafar os boatos
a respeito de seu estado de saúde. Na semana passada, o tradicional
jornal Le Monde estampou em duas páginas inteiras
uma bomba contra Chirac cujos efeitos ele não pôde
manter sob controle. O jornal publicou a transcrição
integral de uma "confissão" póstuma deixada por Jean-Claude
Méry, apontado como tesoureiro do caixa dois do RPR, partido
de centro-direita fundado por Chirac na década de 80. Jean-Claude
Méry seria uma espécie de versão francesa de
PC Farias. Morreu no ano passado, vítima de câncer.
Em 1996, ele gravou um vídeo contando sua versão de
como o partido do presidente arrecadava dinheiro de campanha. No
vídeo, Méry aparece como o principal articulador de
um esquema de comissões irregulares recebidas de empresas
privadas que teria levado para os cofres do RPR o equivalente a
mais de 10 milhões de reais por ano. Jean-Claude Méry
disse que agia sob as ordens de Jacques Chirac, na época
prefeito de Paris. "Estou indignado com a mentira, indignado pelo
ultraje", declarou um Chirac irado na quarta-feira à noite
a uma emissora de TV francesa.
A
divulgação da "confissão" de Jean-Claude Méry
acontece quase simultaneamente a outra encrenca que envolve a ex-vice-tesoureira
oficial do RPR. Yvonne Casetta está sendo julgada junto com
outras 26 pessoas por participar de esquema municipal de captação
de dinheiro de empreiteiras em troca de contratos de construção
de prédios públicos em Paris, durante a gestão
de Chirac. Nos últimos anos, vários políticos
ligados ao RPR têm tido o nome envolvido em escândalos.
Em março, o prefeito de Paris, Jean Tiberi, foi afastado
da liderança local do RPR depois que se descobriu uma lista
de eleitores fantasmas filiados ao partido. O próprio Jacques
Chirac já tinha sido acusado de desviar verbas públicas
para seu partido, mas, por decisão da Corte Constitucional
da França, não teve de prestar contas sobre o assunto.
No ano passado os juízes decidiram que o presidente da República
não pode ser processado, exceto em caso de alta traição.
Agora a decisão judicial está sendo contestada por
uma razão bastante forte. Ocorre que na época do anúncio
da decisão ratificada no início deste ano pelo
mesmo tribunal quem presidia a Corte era o ministro Roland
Dumas. É justamente Dumas que, em janeiro do ano que vem,
vai ser julgado por envolvimento em outro escândalo, o da
venda fraudulenta de seis fragatas francesas a Taiwan.
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