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Monica Weinberg, com sucursais

Antônio Natal Vitoriano, candidato a vereador pelo PSC de São Paulo, desistiu de concorrer na semana passada. Descobriu que fazer campanha eleitoral é um negócio muito caro. "Aqui no Brasil não tem jeito, não. Só elegem quem tem dinheiro. Só doam para quem tem dinheiro", lamenta-se ele. Como sua biografia inclui um processo judicial pela emissão, só do ano passado para cá, de 141 cheques sem fundo, está claro que Vitoriano não é homem de jogar dinheiro fora. Em Fortaleza, Ivá Monteiro, aspirante a um novo mandato de vereador pelo PTB, está fazendo o contrário. Aferra-se a sua candidatura com unhas, dentes e reclamações. A Justiça Eleitoral quer cassar-lhe o registro por considerar que sua vida pregressa não é lá um cartão de visitas. Processado por desviar 1,8 milhão de reais vendendo vagas nas escolas de Fortaleza, Monteiro já foi condenado a dois anos de cadeia. Atualmente, aguarda o julgamento de seu recurso contra a condenação. Queixa-se de que, "por causa dessa difamação", está fazendo uma campanha franciscana, mas nem pensa em renunciar.

O Brasil que vai às urnas no próximo domingo para escolher 5 656 prefeitos e 57 316 vereadores tem muitos Vitorianos e Monteiros, gente enrolada com a Justiça e sem nenhum constrangimento de aparecer em público na dupla condição de candidato e réu. Na semana passada, VEJA examinou a ficha criminal dos 6 157 candidatos a prefeito e vereador das nove capitais mais populosas do país (veja quadros). Descobriu-se que, nessas cidades, há 581 candidatos com processos na Justiça. Isso significa que quase 10% deles têm contas a ajustar com a lei, uma porcentagem altíssima, levando em conta que um postulante a representar o povo teria de ser, pelo menos no plano ideal, um cidadão exemplar, acima de qualquer suspeita. A grande maioria desses processados, felizmente, está encrencada por infrações leves, como injúria ou desacato à autoridade. Nesse pelotão, o crime mais comum é, de longe, a sonegação fiscal. Mas existe uma minoria, formada por 184 candidatos de norte a sul do país, sob acusação de cometer crimes pesadíssimos: assassinato, seqüestro, tortura, estupro, assalto, estelionato, extorsão, cárcere privado e – ufa! – falsidade ideológica. Significa que três em cada 100 candidatos são sujeitos perigosíssimos, que estão por aí à solta à espera de um mandato eletivo neste domingo. Entre os donos de processos cabeludos, o crime de maior incidência é o estelionato. Envolve 42% dos candidatos processados.

O empresário da noite carioca Braz Paulino da Silva, candidato a vereador pelo PT do B, é acusado de matar um cliente seu com dois tiros à queima-roupa e em plena luz do dia em 1985. Até hoje o processo está correndo na Justiça. Silva alega que agiu em legítima defesa. Afinal, diz ele, "o Rio de Janeiro é uma cidade muito violenta". José Idineis Demico, que quer ser vereador da capital paulista pelo PTB, conseguiu ser acusado de estelionato em treze casos, mas diz que é tudo perseguição. "Aqui no Brasil é assim: se não pagar propina para o delegado, você é indiciado", diz o candidato, que está sendo perseguido, pelo que se vê, pela 13ª vez. Em Belém, o cenário é pesado. Um candidato a prefeito, Leonardo Serra Braga, apelidado de Sheik, está em campanha atrás das grades, preso sob a acusação de abusar sexualmente das duas filhas. Outro, André Lobato, conhecido como Kaveira, é candidato a vereador e tem processos tão variados quanto as mercadorias de barracas de feira de rua: furto, homicídio, formação de quadrilha, lesão corporal, receptação. Em Manaus, há três candidatos a vereador sendo processados sob a acusação de estupro.

Num país tão pobre em estatísticas como o Brasil, é óbvio que nenhum órgão da Justiça Eleitoral tem dados nacionais sobre candidatos processados ou número de ações judiciais. Assim, ninguém tem idéia de quantos estão enrolados com a Justiça nas cidades do interior do país. Uma vista geral, no entanto, mostra que a situação é crítica nos municípios mais remotos. No Pará, também há candidato a prefeito pilotando uma campanha de dentro da cadeia, onde foi parar depois de confessar ter assassinado um segurança com três tiros. Em uma cidade de Mato Grosso, a família de um candidato se encarrega do corpo-a-corpo da campanha, pois o postulante sumiu do mapa ao ser acusado de mandar matar um desafeto, alvejado com quinze tiros. No interior da Bahia, há prefeito que já passou três meses na cadeia, sob acusação de mandar matar o vice, e agora tenta a reeleição. Em Itaíba, Pernambuco, tem um candidato à reeleição suspeito de planejar o assassinato de mais de uma dúzia de inimigos. Quinze, exatamente.

A presença nas campanhas de figuras com históricos tão incandescentes pode dar a impressão de que a lei eleitoral no Brasil transformou o pleito numa escandalosa disputa de réus. Mas não é bem assim. A legislação brasileira até que é correta e contém princípios semelhantes aos que regem os países mais civilizados e democráticos. Nos Estados Unidos, na Inglaterra ou na França, todos os cidadãos com processos judiciais também podem ser candidatos desde que, como no Brasil, não tenham sido condenados. Prevalece, nesses casos, o princípio de que um acusado é inocente até prova em contrário. É o que os juristas chamam de "presunção da inocência", direito instituído na legislação brasileira pela Constituição de 1988. Só em regimes autoritários, que gostam de muito sangue e nenhuma liberdade, é que as coisas são diferentes. No Brasil da ditadura militar, segundo uma lei editada em 1969, qualquer ação na Justiça que tivesse um mínimo de fundamento impedia o cidadão de tentar uma eleição. A idéia, porém, nunca funcionou, nem pretendia, para qualificar os eleitos. Era só uma forma de perseguição política. "A presunção da inocência é fruto da redemocratização brasileira e é justa", diz o ministro Walter da Costa Porto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De modo que a existência de um processo não é, em si, um dado capaz de desabonar o acusado, mesmo porque ele pode ser inocente.

No caso de vereadores e prefeitos, a legislação no Brasil tem ainda outra característica positiva. Ela não os presenteia com a imunidade parlamentar a que têm direito deputados, governadores, senadores e o presidente da República. Imunes, esses senhores não podem ser processados por nenhum tipo de crime sem autorização do Congresso ou da Assembléia Legislativa. Os vereadores e prefeitos, ao contrário, respondem à Justiça como qualquer cidadão comum. Só seus votos e discursos são invioláveis. Assim, o erro de eleger um criminoso – pelo menos para Câmaras Municipais e prefeituras – não se perpetua por todo o mandato. É por isso que, nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul, por exemplo, pôde levar 300 prefeitos aos tribunais para prestarem explicações sobre crimes administrativos. Desse batalhão, 108 foram condenados. Quem ainda estava no cargo o perdeu. Em São Paulo, foram 532 denúncias e quinze condenações. No Pará, 125 denunciados, a maioria por desvio de verbas públicas. Cinco foram condenados.

Documentos sumidos – É lamentável que nada parecido aconteça no mundo dos governadores, deputados estaduais e federais ou senadores, que, pela lei, são seres com direito a tratamento especial mesmo que o crime seja comum. No Congresso, nunca se autorizou a Justiça a processar um parlamentar, não importa qual tenha sido o crime. Entre 1995 e 1999, a Câmara recebeu 137 pedidos de autorização para processar deputados federais. Negou todos. A má notícia para os parlamentares que se escudam num mandato em busca de impunidade vem da Argentina: desde o mês passado, no rastro do vendaval produzido pelo escândalo de corrupção envolvendo 67 dos 69 senadores do país, a Justiça não precisa mais pedir autorização ao Congresso para processar deputado ou senador. "A situação dos senadores fez com que o governo corresse para mudar os termos da imunidade a crimes comuns. Ela era sinônimo de permissividade na Argentina", diz o diplomata argentino Juan Solo, ex-professor da Universidade de Brasília.

Apesar de democrática e judicialmente civilizada, a lei que rege as eleições municipais abre o flanco para casos que merecem uma reflexão. Exemplo: será que a presunção da inocência deveria ser aplicada sem restrições mesmo para aqueles que já foram condenados em primeira instância? O delegado José Magalhães Filho, candidato a vereador pelo PTB em Salvador, tem oito processos no currículo. Num, é acusado de acobertar o assassinato de um estudante por policiais sob seu comando. Segundo depoimento dos policiais envolvidos no caso, o delegado deu uma ordem inequívoca para apagar o rastro do crime: "Sumam com os documentos dele e apresentem o cadáver como se vocês o tivessem achado no meio da rua". Em 1993, Magalhães foi condenado a quatro anos de cana. Recorreu da sentença. Antes que o resultado saísse, elegeu-se deputado estadual na Bahia. Refugiado na imunidade do cargo, seu processo ficou quatro anos parado. Agora, é candidato a vereador. (Adendo: Magalhães também tem um processo com 41 denúncias de tortura e prisões arbitrárias contra si.)

A flexibilidade da lei também joga dúvida sobre casos mais sutis. Carlos Lacerda, candidato a prefeito de Porto Alegre pelo PRTB, é acusado de peculato, concussão e formação de quadrilha. Suspeita-se que Lacerda recebia dinheiro para proteger um esquema de desfalque entre uma agência da Caixa Econômica Federal e um hospital da capital gaúcha. Até hoje, ele não foi julgado nem em primeira instância. Mas a suspeita do crime, depois de investigada, resultou em sua expulsão da Polícia Federal. É claro que isso não pode ser considerado uma sentença condenatória, mas também não dá para ignorar que, no primeiro teste a que se submeteu, o candidato foi reprovado. Será que, em seu caso, a presunção de que é inocente deve ser aplicada com a mesma placidez que em outros casos? E no caso do policial Ricardo Mendes da Silva, candidato a vereador pelo PMN no Recife, que passou um mês no xilindró ao ser pego em flagrante tentando extorquir 500 reais de um vendedor ambulante?

Sentença de fumaça – "Nossa legislação deveria proibir a candidatura dos julgados em primeira instância em casos mais sérios, como assassinato, seqüestro, roubo a mão armada, crimes contra a fé pública e administração pública", opina o juiz José Percival Albano Nogueira, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo. "É melhor deixar de fora um possível inocente do que se arriscar a eleger um assassino." É uma ponderação que ganha relevância quando se sabe que o sistema jurídico brasileiro é tão generoso em recursos, agravos e outras quinquilharias protelatórias que um processo por homicídio leva, em média, seis anos para chegar ao fim. (Nos Estados Unidos e Inglaterra, normalmente não passa de um ano.) No Recife, Daniel Floriano da Silva, candidato a vereador pelo PSC, é acusado de estelionato e lesão corporal. Ele já foi preso, solto mediante fiança e condenado. Com as inúmeras brechas da legislação, recorreu da sentença e, enquanto seu lobo não vem, tenta conseguir uma vaga de vereador.

A lei que estabelece quem pode e quem não pode ser candidato, sancionada em 1990, prevê uma punição saudável. Diz que todo condenado pelo Tribunal de Contas da União por desvio de verbas deve ser impedido de participar de uma eleição. Pois bem. Em julho passado, o TCU produziu uma lista com 1.200 nomes de condenados e enviou-a à Justiça Eleitoral. Em tese, eles não poderiam registrar sua candidatura. Mas o que aconteceu? Todos conseguiram inscrever-se. A fórmula mágica: entraram com recurso contra a decisão do TCU e, assim, neutralizaram a condenação. Pior: a demora no julgamento do recurso é tal que nenhum chegará ao fim antes das eleições. E existe outro dado. Se a decisão do TCU for confirmada, os 1 200 políticos apontados na lista ficarão inelegíveis por cinco anos, com um detalhe: esse prazo começa a contar a partir da data da primeira decisão condenatória do TCU. Isso quer dizer que, se o processo, com todo o balé de recursos que resulta numa tramitação arrastada, levar mais de cinco anos para ser concluído, a sentença será só fumaça.

É preciso considerar que, mesmo que o mandato de vereador não dê direito à imunidade tão generosa como a de outros políticos, conquistar uma cadeira na Câmara Municipal tem lá suas quem quer fugir de punições. "Vereador com ficha suja ganha um escudo, que é o mandato dado pelo voto popular. Não tem imunidade legal, mas é um ótimo lugar para criar uma teia que facilite a relação com a sociedade e as autoridades", diz o professor Octaciano Nogueira, cientista político da Universidade de Brasília. Além disso, uma eleição para vereador é sempre um passo importante para tentar uma cadeira de deputado estadual, e, daí em diante, abre-se a porta da imunidade completa. Na Costa Rica, o fenômeno de bandidos migrando para a política com o objetivo de se safar da cadeia estava tomando um vulto tal que o governo decidiu colocar na Constituição um artigo vetando as reeleições consecutivas para a Câmara de Deputados e para a Presidência da República. Assim, entre um mandato e outro, a Justiça tem a chance de pegar a presa e levá-la aos tribunais antes de uma nova imunidade.

O caso mais emblemático de parlamentar beneficiado pela conjunção de leis defeituosas e burocracia judiciária é o do senador Ernandes Amorim, de Rondônia. Em 1994, ele foi pilhado em abuso de poder econômico na sua campanha. A lei pune esse crime com a inelegibilidade do réu. Ocorre que a pena só pode ser aplicada até três anos depois do crime. No caso dele, portanto, valia até 1997. Amorim foi condenado, mas isso só aconteceu alguns dias atrás. Criou-se assim uma situação absurda: o senador foi considerado inelegível, mas a punição não pôde ser levada a efeito e, hoje, Amorim é o feliz candidato a prefeito de Ariquemes, com boas chances de ser eleito. Felizmente, em setembro do ano passado foi sancionada uma lei dizendo que a punição por abuso de poder econômico na campanha é aplicada de imediato, sem delongas. Nessas eleições, a nova lei passará pelo primeiro teste. A conferir se evita novos Amorins. (Adendo: o senador em questão recorreu contra a inelegibilidade e ainda tem 26 processos, todos parados devido à imunidade parlamentar.)

"Estava falido" – A quantidade de candidatos com um olho nas urnas e outro no banco dos réus não é produto apenas de brechas legais, Justiça lenta e sistema jurídico permissivo. Deve-se, também, à fragilidade dos partidos políticos no país. Em Salvador, o PDT lançou a vereador um candidato que apresentou carteira de identidade dizendo chamar-se Bruno, outra informando que seu nome é Paulo e uma terceira com o nome de Roberto. Ele se chama Clei Lopes da Silva. Já passou uma noite no xadrez depois de ser preso em flagrante sob a suspeita de associar-se com um bando de criminosos. "Estava falido, minha agência de viagens estava para fechar e a saída foi dividir o aluguel com eles", explica o candidato, alegando que nada conhecia da atividade real de seus sócios. Hoje, Clei Lopes da Silva precisa abrir espaço na agenda de campanha para, de tempos em tempos, apresentar-se à Justiça e provar que não saiu da cidade à sorrelfa. Como ainda não foi julgado, ele pode ser inocente. Mas em outros países um candidato com esse perfil jamais teria a oportunidade de lançar-se para o julgamento popular.

"No Brasil os partidos operam de maneira perigosa", avalia o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). "Eles trazem religiosos, atrizes e homens de carisma para seus quadros sem se importarem com o passado deles, e sim com seu poder de atrair votos para a legenda." Na Argentina e no Uruguai, países com tradição de siglas fortes, a peneira partidária é um pouco mais eficaz, pois o eleitor vota numa lista de candidatos cuja ordem é definida pelo partido, não num nome. Assim, a presença de um assassino ou assaltante na lista pode manchar a imagem de todo o partido. Na Inglaterra, o voto distrital também ajuda na seleção, pois cada candidato concorre a uma determinada cadeira, num bairro ou numa cidadezinha, e não a qualquer cadeira, como no Brasil. Com isso, ele precisa estar mais exposto ao eleitor, e uma falha na biografia tende a aparecer rapidamente. Dessa forma, dificilmente um cidadão com ficha suja ganha abrigo num dos três principais partidos ingleses. Resta ao candidato tentar uma candidatura independente, na qual o sucesso é raro. Dos 659 membros da Câmara dos Comuns só um foi eleito sem partido. O ex-jornalista da BBC Martin Bell.

No Brasil, acontece uma situação parecida quando o assunto é eleição para prefeito, na qual também se disputa uma única cadeira e o grau de exposição dos candidatos é maior. Nas nove capitais pesquisadas por VEJA na semana passada, o número de candidatos a prefeito com rolos na Justiça é, proporcionalmente, um terço menor que o de candidatos a vereador com o mesmo problema. Carlos Lacerda, o acusado de acobertar o desfalque entre um hospital e a Caixa Econômica, é um dos raros candidatos a prefeito com ficha corrida. Mas já está pagando o preço. Até agora, em todas as pesquisas divulgadas para a sucessão na prefeitura de Porto Alegre, Carlos Lacerda é traço.

 

JOSÉ MAGALHÃES

Candidato a vereador em Salvador, delegado é acusado
de tentar ocultar as provas de um assassinato e tem
41 denúncias de tortura no currículo

Fernando Vivas


José Magalhães, candidato a uma vaga na Câmara de Vereadores de Salvador pelo PTB, é conhecido pelo lema "Eu faço a lei". Em 1993, os policiais de seu batalhão mataram um rapaz que, segundo eles, estava fugindo de um flagrante de roubo de carro. De acordo com o depoimento dos policiais, Magalhães foi direto: "Sumam com os documentos e apareçam com o cadáver como se tivessem achado no meio da rua". O delegado acabou com um processo por prevaricação e falsidade ideológica, do qual se livrou durante o período de imunidade proporcionado por um mandato de deputado estadual. Nesta semana, Magalhães volta ao banco dos réus. Contra ele tramitam ainda na Justiça cinco processos por abuso de autoridade e um por tortura, com 41 denúncias de ex-presos de sua delegacia. "Sou o delegado que mandou mais gente para o cemitério, mas também sou quem mais mandou gente para a prisão", ele afirma.

 

ANDRÉ LOBATO, O KAVEIRA

Defesa da maconha em carro de som e folha corrida diversificada, com furto, homicídio e até porte de granada

André Kaveira é um candidato pouco ortodoxo. A começar pela ficha criminal. Paralelamente à briga pela reeleição na Câmara de Vereadores de Belém, pelo PPS, Kaveira responde por formação de quadrilha, lesões corporais, porte de granada e homicídio culposo de um funcionário de sua boate gay, no ano passado. O currículo profissional não é menos variado. Kaveira é advogado, bacharel em geografia e ator. É defensor da liberação do uso da maconha e faz campanha pelas ruas da cidade com um carro de som escoltado por atores performáticos que simulam sexo grupal. Kaveira nega todas as acusações contra ele. "Sou um injustiçado", diz.

 

CARLOS LACERDA

Ex-agente da Polícia Federal responde por peculato,
concussão e formação de quadrilha

Candidato à prefeitura de Porto Alegre pelo PRTB, Carlos Lacerda tem na ficha criminal as acusações de formação de quadrilha, peculato e concussão. Ex-agente da Polícia Federal, da qual foi exonerado em 1994, é acusado de ter extorquido dinheiro da diretoria do Hospital Lazzarotto, na capital gaúcha. Segundo o processo que corre desde 1991 no Ministério Público, Lacerda levava o dinheiro para não denunciar um esquema de desvio de verbas que envolvia o hospital e a Caixa Econômica Federal.

 

LEONARDO BRAGA, O SHEIK

Candidato a prefeito de Belém está preso por
abuso sexual, mas continua no páreo

Há um mês atrás das grades sob a acusação de ter abusado sexualmente das duas filhas, de 11 e 12 anos, Leonardo Serra Braga não vai desistir da disputa pela prefeitura de Belém. A denúncia partiu da ex-mulher de Braga e foi confirmada pelas crianças. Sheik, nome de guerra que faz referência a seu inseparável turbante, contratou como advogado Eugênio Dias dos Santos, candidato a vereador pelo mesmo partido, o PAN. Eugênio também responde a ações na Justiça por estelionato e apropriação indébita, mas garante já ter ressarcido todos os prejudicados. Sheik bate ponto em todas as eleições na cidade como candidato, mas as urnas nunca concederam a ele o sonhado ingresso na vida pública.

 

JOÃO REIS

Candidato a vereador mineiro, este delegado é
acusado de promover sessões de tortura

Candidato a vereador pelo PMDB, o delegado João Reis tem em sua ficha criminal dois processos pesados. Em 1997, uma CPI que investigava o sistema carcerário em Minas Gerais revelou que o departamento de operações especiais da Polícia Civil promovia sessões de tortura em uma sala especial conhecida como "igrejinha". Um pau-de-arara, tradicional instrumento de tortura, foi encontrado no local. João Reis era chefe do departamento e foi acusado de abuso de autoridade juntamente com outros policiais. Antes disso, João Reis havia sido acusado de matar o caminhoneiro Jorge Xavier, mas foi absolvido no processo.

 

IVÁ MONTEIRO

CPIs revelaram que vereador de Fortaleza desviava
verbas do governo estadual


Diário do NE/Ag. Lumiar

Postulante à reeleição como vereador de Fortaleza, Ivá Monteiro, do PTB, luta na Justiça Eleitoral para não ter sua candidatura impugnada. A ficha de Ivá chamou a atenção da juíza eleitoral Sérgia Miranda, responsável pelas eleições na capital cearense. A juíza o julgou inelegível porque em seu currículo aparece um desvio de 1,8 milhão de reais da Secretaria de Educação do Estado, apontado por duas comissões parlamentares de inquérito. A maracutaia aconteceu quando Ivá dirigia uma entidade de escolas particulares. O andidato recorreu, e o caso está no Tribunal Superior Eleitoral.

 

PAULO CASTELO BRANCO

Ex-superintendente do Ibama é acusado de tentar
extorquir uma madeireira do Pará e anda de ônibus
durante a campanha dizendo que é um injustiçado

Janduari Simões


O ex-superintendente do Ibama no Pará Paulo Castelo Branco está na briga por uma cadeira na Câmara de Vereadores em Belém, pelo PV. O nome de Castelo Branco apareceu na mídia depois que a Polícia Federal armou contra ele um flagrante no Aeroporto de Brasília. Durante a operação, câmaras escondidas testemunharam o encontro de Castelo Branco com os executivos de uma madeireira japonesa, a Eidai. Eles carregavam uma maleta com 1,5 milhão de reais. Segundo depoimento de um dos japoneses, o dinheiro seria entregue a Castelo Branco em troca da anulação de dezenas de multas aplicadas contra a empresa. Castelo Branco foi parar na prisão, onde ficou catorze dias, e agora aguarda em liberdade o desenrolar do processo por tentativa de extorsão. Ele diz que foi vítima de um complô. Andando de ônibus durante a campanha eleitoral e amparado por 48 voluntários que trabalham por sua candidatura, não sai de casa sem a camiseta com a frase "Eu sou o ex-superintendente do Ibama".

 

RICARDO MENDES

Policial pernambucano foi pego em flagrante tentando
extorquir 500 reais de um camelô


Eduardo Queiroga/Ag. Lumiar


Candidato a vereador pelo PMN do Recife, Ricardo Mendes responde a um processo de tentativa de extorsão, ao lado de outros três agentes da Polícia Civil. Os quatro foram pegos em flagrante tentando arrancar 500 reais do camelô Heronides de Souza Barbosa Jr. Eles diziam que esse era o preço para liberar Heronides de uma investigação de roubo. Mendes passou um mês atrás das grades e pagou fiança de 390 reais para livrar-se da cadeia. Afastado da polícia, ele faz campanha e jura inocência.

 

SÉRGIO KRUGER

Candidato à Câmara de São Paulo é acusado de
participar do seqüestro de cinco pessoas

 


Presidente de uma congregação luterana em São Paulo, o candidato a vereador pelo PSB Sérgio Kruger está no meio de uma confusão. Ele é acusado, com outras três pessoas, de participar do seqüestro de um gerente do Bradesco, sua mulher e três filhos, em abril passado. Kruger está na mira da Justiça porque a casa que alugava na capital paulista serviu de cativeiro para as vítimas. Ele nega o seqüestro e diz que, na ocasião do crime, já havia alugado outra casa e estava praticamente de mudança. Kruger assume que chegou a ver os seqüestrados na garagem, mas achou que fossem conhecidos do dono da casa. Sua argumentação ainda não convenceu a Justiça e a acusação contra ele está mantida. Kruger não quer comentar o assunto.

 

BRAZ SILVA

Candidato a vereador no Rio de Janeiro é acusado de homicídio e acha a cidade muito violenta

Oscar Cabral


Há quinze anos, Braz Silva tinha uma loja de material de construção e cravou duas balas no peito de um cliente devedor, em plena luz do dia. O sujeito morreu na hora. Braz assume o crime e diz que agiu em legítima defesa. Enquanto o processo tramita morosamente na Justiça, ele já tentou a sorte nas eleições de deputado estadual e federal. Perdeu as duas. Agora quer ser vereador pelo PT do B. Casado e pai de três filhos adolescentes, Braz agita a bandeira da segurança. "Esta cidade está muito violenta", diz.

 


 

 

 

 

 

 

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