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Monica
Weinberg, com sucursais
Antônio Natal Vitoriano, candidato a vereador pelo PSC de
São Paulo, desistiu de concorrer na semana passada. Descobriu
que fazer campanha eleitoral é um negócio muito caro.
"Aqui no Brasil não tem jeito, não. Só elegem
quem tem dinheiro. Só doam para quem tem dinheiro", lamenta-se
ele. Como sua biografia inclui um processo judicial pela emissão,
só do ano passado para cá, de 141 cheques sem fundo,
está claro que Vitoriano não é homem de jogar
dinheiro fora. Em Fortaleza, Ivá Monteiro, aspirante a um
novo mandato de vereador pelo PTB, está fazendo o contrário.
Aferra-se a sua candidatura com unhas, dentes e reclamações.
A Justiça Eleitoral quer cassar-lhe o registro por considerar
que sua vida pregressa não é lá um cartão
de visitas. Processado por desviar 1,8 milhão de reais vendendo
vagas nas escolas de Fortaleza, Monteiro já foi condenado
a dois anos de cadeia. Atualmente, aguarda o julgamento de seu recurso
contra a condenação. Queixa-se de que, "por causa
dessa difamação", está fazendo uma campanha
franciscana, mas nem pensa em renunciar.
O
Brasil que vai às urnas no próximo domingo para escolher
5 656 prefeitos e 57 316 vereadores tem muitos Vitorianos e Monteiros,
gente enrolada com a Justiça e sem nenhum constrangimento
de aparecer em público na dupla condição de
candidato e réu. Na semana passada, VEJA examinou a ficha
criminal dos 6 157 candidatos a prefeito e vereador das nove capitais
mais populosas do país (veja quadros).
Descobriu-se que, nessas cidades, há 581 candidatos com
processos na Justiça. Isso significa que quase 10% deles
têm contas a ajustar com a lei, uma porcentagem altíssima,
levando em conta que um postulante a representar o povo teria de
ser, pelo menos no plano ideal, um cidadão exemplar, acima
de qualquer suspeita. A grande maioria desses processados, felizmente,
está encrencada por infrações leves, como injúria
ou desacato à autoridade. Nesse pelotão, o crime mais
comum é, de longe, a sonegação fiscal. Mas
existe uma minoria, formada por 184 candidatos de norte a sul do
país, sob acusação de cometer crimes pesadíssimos:
assassinato, seqüestro, tortura, estupro, assalto, estelionato,
extorsão, cárcere privado e ufa! falsidade
ideológica. Significa que três em cada 100 candidatos
são sujeitos perigosíssimos, que estão por
aí à solta à espera de um mandato eletivo neste
domingo. Entre os donos de processos cabeludos, o crime de maior
incidência é o estelionato. Envolve 42% dos candidatos
processados.
O
empresário da noite carioca Braz Paulino da Silva, candidato
a vereador pelo PT do B, é acusado de matar um cliente seu
com dois tiros à queima-roupa e em plena luz do dia em 1985.
Até hoje o processo está correndo na Justiça.
Silva alega que agiu em legítima defesa. Afinal, diz ele,
"o Rio de Janeiro é uma cidade muito violenta". José
Idineis Demico, que quer ser vereador da capital paulista pelo PTB,
conseguiu ser acusado de estelionato em treze casos, mas diz que
é tudo perseguição. "Aqui no Brasil é
assim: se não pagar propina para o delegado, você é
indiciado", diz o candidato, que está sendo perseguido, pelo
que se vê, pela 13ª vez. Em Belém, o cenário
é pesado. Um candidato a prefeito, Leonardo Serra Braga,
apelidado de Sheik, está em campanha atrás das grades,
preso sob a acusação de abusar sexualmente das duas
filhas. Outro, André Lobato, conhecido como Kaveira, é
candidato a vereador e tem processos tão variados quanto
as mercadorias de barracas de feira de rua: furto, homicídio,
formação de quadrilha, lesão corporal, receptação.
Em Manaus, há três candidatos a vereador sendo processados
sob a acusação de estupro.
Num
país tão pobre em estatísticas como o Brasil,
é óbvio que nenhum órgão da Justiça
Eleitoral tem dados nacionais sobre candidatos processados ou número
de ações judiciais. Assim, ninguém tem idéia
de quantos estão enrolados com a Justiça nas cidades
do interior do país. Uma vista geral, no entanto, mostra
que a situação é crítica nos municípios
mais remotos. No Pará, também há candidato
a prefeito pilotando uma campanha de dentro da cadeia, onde foi
parar depois de confessar ter assassinado um segurança com
três tiros. Em uma cidade de Mato Grosso, a família
de um candidato se encarrega do corpo-a-corpo da campanha, pois
o postulante sumiu do mapa ao ser acusado de mandar matar um desafeto,
alvejado com quinze tiros. No interior da Bahia, há prefeito
que já passou três meses na cadeia, sob acusação
de mandar matar o vice, e agora tenta a reeleição.
Em Itaíba, Pernambuco, tem um candidato à reeleição
suspeito de planejar o assassinato de mais de uma dúzia de
inimigos. Quinze, exatamente.
A
presença nas campanhas de figuras com históricos tão
incandescentes pode dar a impressão de que a lei eleitoral
no Brasil transformou o pleito numa escandalosa disputa de réus.
Mas não é bem assim. A legislação brasileira
até que é correta e contém princípios
semelhantes aos que regem os países mais civilizados e democráticos.
Nos Estados Unidos, na Inglaterra ou na França, todos os
cidadãos com processos judiciais também podem ser
candidatos desde que, como no Brasil, não tenham sido condenados.
Prevalece, nesses casos, o princípio de que um acusado é
inocente até prova em contrário. É o que os
juristas chamam de "presunção da inocência",
direito instituído na legislação brasileira
pela Constituição de 1988. Só em regimes autoritários,
que gostam de muito sangue e nenhuma liberdade, é que as
coisas são diferentes. No Brasil da ditadura militar, segundo
uma lei editada em 1969, qualquer ação na Justiça
que tivesse um mínimo de fundamento impedia o cidadão
de tentar uma eleição. A idéia, porém,
nunca funcionou, nem pretendia, para qualificar os eleitos. Era
só uma forma de perseguição política.
"A presunção da inocência é fruto da
redemocratização brasileira e é justa", diz
o ministro Walter da Costa Porto, do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). De modo que a existência de um processo não
é, em si, um dado capaz de desabonar o acusado, mesmo porque
ele pode ser inocente.
No caso de vereadores e prefeitos, a legislação no
Brasil tem ainda outra característica positiva. Ela não
os presenteia com a imunidade parlamentar a que têm direito
deputados, governadores, senadores e o presidente da República.
Imunes, esses senhores não podem ser processados por nenhum
tipo de crime sem autorização do Congresso ou da Assembléia
Legislativa. Os vereadores e prefeitos, ao contrário, respondem
à Justiça como qualquer cidadão comum. Só
seus votos e discursos são invioláveis. Assim, o erro
de eleger um criminoso pelo menos para Câmaras Municipais
e prefeituras não se perpetua por todo o mandato.
É por isso que, nos últimos cinco anos, o Rio Grande
do Sul, por exemplo, pôde levar 300 prefeitos aos tribunais
para prestarem explicações sobre crimes administrativos.
Desse batalhão, 108 foram condenados. Quem ainda estava no
cargo o perdeu. Em São Paulo, foram 532 denúncias
e quinze condenações. No Pará, 125 denunciados,
a maioria por desvio de verbas públicas. Cinco foram condenados.
Documentos
sumidos É lamentável que nada parecido
aconteça no mundo dos governadores, deputados estaduais e
federais ou senadores, que, pela lei, são seres com direito
a tratamento especial mesmo que o crime seja comum. No Congresso,
nunca se autorizou a Justiça a processar um parlamentar,
não importa qual tenha sido o crime. Entre 1995 e 1999, a
Câmara recebeu 137 pedidos de autorização para
processar deputados federais. Negou todos. A má notícia
para os parlamentares que se escudam num mandato em busca de impunidade
vem da Argentina: desde o mês passado, no rastro do vendaval
produzido pelo escândalo de corrupção envolvendo
67 dos 69 senadores do país, a Justiça não
precisa mais pedir autorização ao Congresso para processar
deputado ou senador. "A situação dos senadores fez
com que o governo corresse para mudar os termos da imunidade a crimes
comuns. Ela era sinônimo de permissividade na Argentina",
diz o diplomata argentino Juan Solo, ex-professor da Universidade
de Brasília.
Apesar de democrática e judicialmente civilizada, a lei que
rege as eleições municipais abre o flanco para casos
que merecem uma reflexão. Exemplo: será que a presunção
da inocência deveria ser aplicada sem restrições
mesmo para aqueles que já foram condenados em primeira instância?
O delegado José Magalhães Filho, candidato a vereador
pelo PTB em Salvador, tem oito processos no currículo. Num,
é acusado de acobertar o assassinato de um estudante por
policiais sob seu comando. Segundo depoimento dos policiais envolvidos
no caso, o delegado deu uma ordem inequívoca para apagar
o rastro do crime: "Sumam com os documentos dele e apresentem o
cadáver como se vocês o tivessem achado no meio da
rua". Em 1993, Magalhães foi condenado a quatro anos de cana.
Recorreu da sentença. Antes que o resultado saísse,
elegeu-se deputado estadual na Bahia. Refugiado na imunidade do
cargo, seu processo ficou quatro anos parado. Agora, é candidato
a vereador. (Adendo: Magalhães também tem um processo
com 41 denúncias de tortura e prisões arbitrárias
contra si.)
A flexibilidade da lei também joga dúvida sobre casos
mais sutis. Carlos Lacerda, candidato a prefeito de Porto Alegre
pelo PRTB, é acusado de peculato, concussão e formação
de quadrilha. Suspeita-se que Lacerda recebia dinheiro para proteger
um esquema de desfalque entre uma agência da Caixa Econômica
Federal e um hospital da capital gaúcha. Até hoje,
ele não foi julgado nem em primeira instância. Mas
a suspeita do crime, depois de investigada, resultou em sua expulsão
da Polícia Federal. É claro que isso não pode
ser considerado uma sentença condenatória, mas também
não dá para ignorar que, no primeiro teste a que se
submeteu, o candidato foi reprovado. Será que, em seu caso,
a presunção de que é inocente deve ser aplicada
com a mesma placidez que em outros casos? E no caso do policial
Ricardo Mendes da Silva, candidato a vereador pelo PMN no Recife,
que passou um mês no xilindró ao ser pego em flagrante
tentando extorquir 500 reais de um vendedor ambulante?
Sentença de fumaça "Nossa legislação
deveria proibir a candidatura dos julgados em primeira instância
em casos mais sérios, como assassinato, seqüestro, roubo
a mão armada, crimes contra a fé pública e
administração pública", opina o juiz José
Percival Albano Nogueira, da 1ª Zona Eleitoral de São
Paulo. "É melhor deixar de fora um possível inocente
do que se arriscar a eleger um assassino." É uma ponderação
que ganha relevância quando se sabe que o sistema jurídico
brasileiro é tão generoso em recursos, agravos e outras
quinquilharias protelatórias que um processo por homicídio
leva, em média, seis anos para chegar ao fim. (Nos Estados
Unidos e Inglaterra, normalmente não passa de um ano.) No
Recife, Daniel Floriano da Silva, candidato a vereador pelo PSC,
é acusado de estelionato e lesão corporal. Ele já
foi preso, solto mediante fiança e condenado. Com as inúmeras
brechas da legislação, recorreu da sentença
e, enquanto seu lobo não vem, tenta conseguir uma vaga de
vereador.
A lei que estabelece quem pode e quem não pode ser candidato,
sancionada em 1990, prevê uma punição saudável.
Diz que todo condenado pelo Tribunal de Contas da União por
desvio de verbas deve ser impedido de participar de uma eleição.
Pois bem. Em julho passado, o TCU produziu uma lista com 1.200 nomes
de condenados e enviou-a à Justiça Eleitoral. Em tese,
eles não poderiam registrar sua candidatura. Mas o que aconteceu?
Todos conseguiram inscrever-se. A fórmula mágica:
entraram com recurso contra a decisão do TCU e, assim, neutralizaram
a condenação. Pior: a demora no julgamento do recurso
é tal que nenhum chegará ao fim antes das eleições.
E existe outro dado. Se a decisão do TCU for confirmada,
os 1 200 políticos apontados na lista ficarão inelegíveis
por cinco anos, com um detalhe: esse prazo começa a contar
a partir da data da primeira decisão condenatória
do TCU. Isso quer dizer que, se o processo, com todo o balé
de recursos que resulta numa tramitação arrastada,
levar mais de cinco anos para ser concluído, a sentença
será só fumaça.
É
preciso considerar que, mesmo que o mandato de vereador não
dê direito à imunidade tão generosa como a de
outros políticos, conquistar uma cadeira na Câmara
Municipal tem lá suas quem quer fugir de punições.
"Vereador com ficha suja ganha um escudo, que é o mandato
dado pelo voto popular. Não tem imunidade legal, mas é
um ótimo lugar para criar uma teia que facilite a relação
com a sociedade e as autoridades", diz o professor Octaciano Nogueira,
cientista político da Universidade de Brasília. Além
disso, uma eleição para vereador é sempre um
passo importante para tentar uma cadeira de deputado estadual, e,
daí em diante, abre-se a porta da imunidade completa. Na
Costa Rica, o fenômeno de bandidos migrando para a política
com o objetivo de se safar da cadeia estava tomando um vulto tal
que o governo decidiu colocar na Constituição um artigo
vetando as reeleições consecutivas para a Câmara
de Deputados e para a Presidência da República. Assim,
entre um mandato e outro, a Justiça tem a chance de pegar
a presa e levá-la aos tribunais antes de uma nova imunidade.
O
caso mais emblemático de parlamentar beneficiado pela conjunção
de leis defeituosas e burocracia judiciária é o do
senador Ernandes Amorim, de Rondônia. Em 1994, ele foi pilhado
em abuso de poder econômico na sua campanha. A lei pune esse
crime com a inelegibilidade do réu. Ocorre que a pena só
pode ser aplicada até três anos depois do crime. No
caso dele, portanto, valia até 1997. Amorim foi condenado,
mas isso só aconteceu alguns dias atrás. Criou-se
assim uma situação absurda: o senador foi considerado
inelegível, mas a punição não pôde
ser levada a efeito e, hoje, Amorim é o feliz candidato a
prefeito de Ariquemes, com boas chances de ser eleito. Felizmente,
em setembro do ano passado foi sancionada uma lei dizendo que a
punição por abuso de poder econômico na campanha
é aplicada de imediato, sem delongas. Nessas eleições,
a nova lei passará pelo primeiro teste. A conferir se evita
novos Amorins. (Adendo: o senador em questão recorreu contra
a inelegibilidade e ainda tem 26 processos, todos parados devido
à imunidade parlamentar.)
"Estava
falido" A quantidade de candidatos com um olho nas urnas
e outro no banco dos réus não é produto apenas
de brechas legais, Justiça lenta e sistema jurídico
permissivo. Deve-se, também, à fragilidade dos partidos
políticos no país. Em Salvador, o PDT lançou
a vereador um candidato que apresentou carteira de identidade dizendo
chamar-se Bruno, outra informando que seu nome é Paulo e
uma terceira com o nome de Roberto. Ele se chama Clei Lopes da Silva.
Já passou uma noite no xadrez depois de ser preso em flagrante
sob a suspeita de associar-se com um bando de criminosos. "Estava
falido, minha agência de viagens estava para fechar e a saída
foi dividir o aluguel com eles", explica o candidato, alegando que
nada conhecia da atividade real de seus sócios. Hoje, Clei
Lopes da Silva precisa abrir espaço na agenda de campanha
para, de tempos em tempos, apresentar-se à Justiça
e provar que não saiu da cidade à sorrelfa. Como ainda
não foi julgado, ele pode ser inocente. Mas em outros países
um candidato com esse perfil jamais teria a oportunidade de lançar-se
para o julgamento popular.
"No
Brasil os partidos operam de maneira perigosa", avalia o cientista
político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário
de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). "Eles trazem religiosos,
atrizes e homens de carisma para seus quadros sem se importarem
com o passado deles, e sim com seu poder de atrair votos para a
legenda." Na Argentina e no Uruguai, países com tradição
de siglas fortes, a peneira partidária é um pouco
mais eficaz, pois o eleitor vota numa lista de candidatos cuja ordem
é definida pelo partido, não num nome. Assim, a presença
de um assassino ou assaltante na lista pode manchar a imagem de
todo o partido. Na Inglaterra, o voto distrital também ajuda
na seleção, pois cada candidato concorre a uma determinada
cadeira, num bairro ou numa cidadezinha, e não a qualquer
cadeira, como no Brasil. Com isso, ele precisa estar mais exposto
ao eleitor, e uma falha na biografia tende a aparecer rapidamente.
Dessa forma, dificilmente um cidadão com ficha suja ganha
abrigo num dos três principais partidos ingleses. Resta ao
candidato tentar uma candidatura independente, na qual o sucesso
é raro. Dos 659 membros da Câmara dos Comuns só
um foi eleito sem partido. O ex-jornalista da BBC Martin Bell.
No Brasil, acontece uma situação parecida quando o
assunto é eleição para prefeito, na qual também
se disputa uma única cadeira e o grau de exposição
dos candidatos é maior. Nas nove capitais pesquisadas por
VEJA na semana passada, o número de candidatos a prefeito
com rolos na Justiça é, proporcionalmente, um terço
menor que o de candidatos a vereador com o mesmo problema. Carlos
Lacerda, o acusado de acobertar o desfalque entre um hospital e
a Caixa Econômica, é um dos raros candidatos a prefeito
com ficha corrida. Mas já está pagando o preço.
Até agora, em todas as pesquisas divulgadas para a sucessão
na prefeitura de Porto Alegre, Carlos Lacerda é traço.
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JOSÉ
MAGALHÃES
Candidato
a vereador em Salvador, delegado
é acusado
de tentar ocultar as provas de um assassinato e tem
41 denúncias de tortura no currículo
Fernando Vivas
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José Magalhães, candidato a uma vaga na Câmara
de Vereadores de Salvador pelo PTB, é conhecido pelo
lema "Eu faço a lei". Em 1993, os policiais de seu
batalhão mataram um rapaz que, segundo eles, estava
fugindo de um flagrante de roubo de carro. De acordo com o
depoimento dos policiais, Magalhães foi direto: "Sumam
com os documentos e apareçam com o cadáver como
se tivessem achado no meio da rua". O delegado acabou com
um processo por prevaricação e falsidade ideológica,
do qual se livrou durante o período de imunidade proporcionado
por um mandato de deputado estadual. Nesta semana, Magalhães
volta ao banco dos réus. Contra ele tramitam ainda
na Justiça cinco processos por abuso de autoridade
e um por tortura, com 41 denúncias de ex-presos de
sua delegacia. "Sou o delegado que mandou mais gente para
o cemitério, mas também sou quem mais mandou
gente para a prisão", ele afirma.
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ANDRÉ LOBATO, O KAVEIRA
Defesa da maconha em carro de som e folha corrida diversificada,
com furto, homicídio e até porte de granada
André
Kaveira é um candidato pouco ortodoxo. A começar
pela ficha criminal. Paralelamente à briga pela reeleição
na Câmara de Vereadores de Belém, pelo PPS, Kaveira
responde por formação de quadrilha, lesões
corporais, porte de granada e homicídio culposo de
um funcionário de sua boate gay, no ano passado. O
currículo profissional não é menos variado.
Kaveira é advogado, bacharel em geografia e ator. É
defensor da liberação do uso da maconha e faz
campanha pelas ruas da cidade com um carro de som escoltado
por atores performáticos que simulam sexo grupal. Kaveira
nega todas as acusações contra ele. "Sou um
injustiçado", diz.
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CARLOS
LACERDA
Ex-agente da Polícia Federal responde por peculato,
concussão e formação de quadrilha
Candidato
à prefeitura de Porto Alegre pelo PRTB, Carlos Lacerda
tem na ficha criminal as acusações de formação
de quadrilha, peculato e concussão. Ex-agente da Polícia
Federal, da qual foi exonerado em 1994, é acusado de
ter extorquido dinheiro da diretoria do Hospital Lazzarotto,
na capital gaúcha. Segundo o processo que corre desde
1991 no Ministério Público, Lacerda levava o
dinheiro para não denunciar um esquema de desvio de
verbas que envolvia o hospital e a Caixa Econômica Federal.
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LEONARDO
BRAGA, O SHEIK
Candidato
a prefeito de Belém está preso por
abuso sexual, mas continua no páreo
Há
um mês atrás das grades sob a acusação
de ter abusado sexualmente das duas filhas, de 11 e 12 anos,
Leonardo Serra Braga não vai desistir da disputa pela
prefeitura de Belém. A denúncia partiu da ex-mulher
de Braga e foi confirmada pelas crianças. Sheik, nome
de guerra que faz referência a seu inseparável
turbante, contratou como advogado Eugênio Dias dos Santos,
candidato a vereador pelo mesmo partido, o PAN. Eugênio
também responde a ações na Justiça
por estelionato e apropriação indébita,
mas garante já ter ressarcido todos os prejudicados.
Sheik bate ponto em todas as eleições na cidade
como candidato, mas as urnas nunca concederam a ele o sonhado
ingresso na vida pública.
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JOÃO
REIS
Candidato
a vereador mineiro, este delegado é
acusado de promover sessões de tortura
Candidato
a vereador pelo PMDB, o delegado João Reis tem em sua
ficha criminal dois processos pesados. Em 1997, uma CPI que
investigava o sistema carcerário em Minas Gerais revelou
que o departamento de operações especiais da
Polícia Civil promovia sessões de tortura em
uma sala especial conhecida como "igrejinha". Um pau-de-arara,
tradicional instrumento de tortura, foi encontrado no local.
João Reis era chefe do departamento e foi acusado de
abuso de autoridade juntamente com outros policiais. Antes
disso, João Reis havia sido acusado de matar o caminhoneiro
Jorge Xavier, mas foi absolvido no processo.
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IVÁ
MONTEIRO
CPIs
revelaram que vereador de Fortaleza desviava
verbas do governo estadual
Diário do NE/Ag. Lumiar
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Postulante à reeleição como vereador
de Fortaleza, Ivá Monteiro, do PTB, luta na Justiça
Eleitoral para não ter sua candidatura impugnada. A
ficha de Ivá chamou a atenção da juíza
eleitoral Sérgia Miranda, responsável pelas
eleições na capital cearense. A juíza
o julgou inelegível porque em seu currículo
aparece um desvio de 1,8 milhão de reais da Secretaria
de Educação do Estado, apontado por duas comissões
parlamentares de inquérito. A maracutaia aconteceu
quando Ivá dirigia uma entidade de escolas particulares.
O andidato recorreu, e o caso está no Tribunal Superior
Eleitoral.
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PAULO CASTELO BRANCO
Ex-superintendente
do Ibama é acusado de tentar
extorquir uma madeireira do Pará e anda de ônibus
durante a campanha dizendo que é um injustiçado
Janduari Simões
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O ex-superintendente do Ibama no Pará Paulo Castelo
Branco está na briga por uma cadeira na Câmara
de Vereadores em Belém, pelo PV. O nome de Castelo
Branco apareceu na mídia depois que a Polícia
Federal armou contra ele um flagrante no Aeroporto de Brasília.
Durante a operação, câmaras escondidas
testemunharam o encontro de Castelo Branco com os executivos
de uma madeireira japonesa, a Eidai. Eles carregavam uma maleta
com 1,5 milhão de reais. Segundo depoimento de um dos
japoneses, o dinheiro seria entregue a Castelo Branco em troca
da anulação de dezenas de multas aplicadas contra
a empresa. Castelo Branco foi parar na prisão, onde
ficou catorze dias, e agora aguarda em liberdade o desenrolar
do processo por tentativa de extorsão. Ele diz que
foi vítima de um complô. Andando de ônibus
durante a campanha eleitoral e amparado por 48 voluntários
que trabalham por sua candidatura, não sai de casa
sem a camiseta com a frase "Eu sou o ex-superintendente do
Ibama".
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RICARDO MENDES
Policial
pernambucano foi pego em flagrante tentando
extorquir 500 reais de um camelô
Eduardo Queiroga/Ag. Lumiar
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Candidato a vereador pelo PMN do Recife, Ricardo Mendes responde
a um processo de tentativa de extorsão, ao lado de
outros três agentes da Polícia Civil. Os quatro
foram pegos em flagrante tentando arrancar 500 reais do camelô
Heronides de Souza Barbosa Jr. Eles diziam que esse era o
preço para liberar Heronides de uma investigação
de roubo. Mendes passou um mês atrás das grades
e pagou fiança de 390 reais para livrar-se da cadeia.
Afastado da polícia, ele faz campanha e jura inocência.
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SÉRGIO KRUGER
Candidato à Câmara de São Paulo
é
acusado de
participar do seqüestro de cinco pessoas
Presidente
de uma congregação luterana em São Paulo,
o candidato a vereador pelo PSB Sérgio Kruger está
no meio de uma confusão. Ele é acusado, com
outras três pessoas, de participar do seqüestro
de um gerente do Bradesco, sua mulher e três filhos,
em abril passado. Kruger está na mira da Justiça
porque a casa que alugava na capital paulista serviu de cativeiro
para as vítimas. Ele nega o seqüestro e diz que,
na ocasião do crime, já havia alugado outra
casa e estava praticamente de mudança. Kruger assume
que chegou a ver os seqüestrados na garagem, mas achou
que fossem conhecidos do dono da casa. Sua argumentação
ainda não convenceu a Justiça e a acusação
contra ele está mantida. Kruger não quer comentar
o assunto.
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BRAZ
SILVA
Candidato a vereador no Rio de Janeiro é acusado de
homicídio e acha a cidade muito violenta
Oscar Cabral
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Há quinze anos, Braz Silva tinha uma loja de material
de construção e cravou duas balas no peito de
um cliente devedor, em plena luz do dia. O sujeito morreu
na hora. Braz assume o crime e diz que agiu em legítima
defesa. Enquanto o processo tramita morosamente na Justiça,
ele já tentou a sorte nas eleições de
deputado estadual e federal. Perdeu as duas. Agora quer ser
vereador pelo PT do B. Casado e pai de três filhos adolescentes,
Braz agita a bandeira da segurança. "Esta cidade está
muito violenta", diz.
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