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Bobbio diz outra coisa. Para ele, a verdadeira diferença não é entre quem tem fé e quem não tem, mas entre quem se contenta com respostas fáceis e quem não se contenta. Se você acompanha esta coluna, deve achar que sou daqueles que não se contentam. Afinal, volta e meia importuno os leitores com assuntos religiosos. Mas não é assim. Sou do time das respostas fáceis. Até hoje, não perdi mais de dez minutos pensando sobre Deus ou o problema do bem e do mal. Falo tanto de religião simplesmente porque moro na Itália. Você não tem idéia do que isso significa. Veja as três primeiras notícias dos telejornais do dia 13 de setembro: 1) Missa pelas vítimas de uma enchente na Calábria. O padre criticou os políticos locais. 2) Pronunciamento do papa João Paulo II contra a condenação à morte de um americano de origem italiana no Estado americano da Virgínia. 3) Entrevista com o cardeal de Bolonha, que censurou o governo por permitir a entrada de imigrantes muçulmanos no país, quando deveria permitir apenas a dos católicos. No dia seguinte, o líder de um partido regional de direita, a Liga Lombarda, deu inteira razão ao cardeal de Bolonha, acrescentando que o candidato de centro-esquerda às próximas eleições não pode ser bem-visto pela Igreja, pois defende os homossexuais e sua família não é "certa", já que ele adotou um filho negro. Esse é somente um exemplo de como a religião ocupa espaços no dia-a-dia dos italianos, invadindo todos os campos, dos desastres naturais aos grandes temas éticos, da economia globalizada à política. Não é um acaso que a revista MicroMega tenha vendido 100 000 exemplares. A religião substituiu todo o resto. Porque Deus existe e é italiano.
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