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A limpeza pelo voto

Mario Rodrigues
Urna eletrônica: a máquina de varrer corruptos da vida pública


No tantas vezes inglório processo de valorização da democracia e do respeito às leis no Brasil, predomina nas pessoas, na maior parte do tempo, um sentimento de impotência. Com razão. Com as honrosas exceções de sempre, a classe política é alienada dos problemas reais dos cidadãos. Mais do que isso. Está encastelada, fora do alcance da vontade popular, seja pela couraça do corporativismo, seja pelas leis de imunidade parlamentar. Na semana que vem se abre aos cidadãos uma janela de oportunidades para acertar contas diretamente com uma parcela ponderável de políticos, aqueles que buscam o voto popular nas eleições municipais do próximo domingo, 1º de outubro. Pelo menos nesse dia, quando 15 000 candidatos a prefeito e 370 000 candidatos a vereador tentam eleger-se ou reeleger-se em 5 600 municípios brasileiros, a bola está com o eleitor. Pelo poder do voto, os brasileiros serão capazes, nesse dia, de limpar as bancadas de vereadores e as prefeituras municipais de corruptos e administradores ineptos. É uma chance que não deve ser desperdiçada. Uma vez perdida, só restará lamentar-se pelos próximos quatro anos.

Com a reportagem especial que começa na pág. 40, VEJA dá sua contribuição a esse processo de limpeza pelo voto. Como se sabe, é complexo, difícil e raro tirar o mandato de um malfeitor que conseguiu esconder-se num cargo eletivo. Mais simples é impedir que ele chegue até lá. Com essa idéia na cabeça, uma equipe de jornalistas da revista, comandada por André Petry, chefe da sucursal de Brasília, examinou uma montanha de relatórios da Justiça Eleitoral relativos ao passado de mais de 6.000 candidatos a cargos municipais nas próximas eleições. O resultado da análise da equipe de VEJA é assombroso. Entre os candidatos se escondem alguns tipos de assustar. São pessoas acusadas de assassinato, seqüestro, estupro, tortura e assalto. Uma minoria, felizmente. Mas a presença dela nas chapas é um alerta eloqüente da necessidade de votar como quem usa uma vassoura para varrer o lixo.

 

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