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A beleza e o charme de Hu Jintao
Pintar o cabelo de preto retinto faz parte do uniforme do dirigente do partido comunista chinês. Raros são os que não recorrem à tintura. O secretário-geral do PC e presidente da China, Hu Jintao, capricha na manutenção. Além de eternamente negros, seus cabelos, repartidos para o lado, são artificialmente fixados num topete vistoso, em que se concentra 70% da massa capilar, de acordo com Yan Zhou, um cabeleireiro de Pequim cuja clientela é composta também de figurões. "O penteado atenua a forma arredondada do rosto do presidente, alongando-o. Cai-lhe muito bem", diz ele. Quanto à tintura, o cabeleireiro informa que uma das que têm mais saída chama-se "Beleza e Charme", com essência japonesa. Uma aplicação sai por 350 iuanes, o equivalente a 82 reais. "Os homens chineses gostam da cor preta, porque cria um bom contraste com a pele amarelada", informa Yan. E quanto ao acaju, a preferida dos políticos brasileiros? O cabeleireiro é implacável: "Aqui se chama cor de tabaco. Se um dirigente chinês usasse essa tintura, seria ridicularizado". Mario Sabino
A catuaba dos chineses A rede de farmácias Tongrentang é uma grande e bem-sucedida empresa: tem 400 pontos-de-venda no país e vinte no exterior, suas ações estão na Bolsa de Valores de Hong Kong e, no ano passado, ela faturou 395 milhões de dólares. Menos moderno do que o seu perfil é o seu cardápio de mercadorias. Inclui itens como formigas secas, lagartos desidratados e pênis de veado, além de bile de urso cristalizada, trompas de sapa e outros produtos aos quais a milenar medicina chinesa atribui virtudes estimulantes e curativas. A Tongrentang existe há mais de 300 anos e orgulha-se de ter servido a dinastia Qing por quase 200. Hoje, é freqüentada por chineses de todas as idades e classes sociais. Mas ninguém vai lá para resolver um grande problema. Lagartos e outros bichos, quase sempre auto-receitados, são consumidos com o mesmo espírito com que os brasileiros compram catuaba na feira. Thais Oyama
Pombos, banidos outra vez A criação de pombos é um dos passatempos mais antigos da China na dinastia Ming, eles eram usados como mensageiros do exército imperial. Até hoje, os chineses adoram esses pássaros: o país tem o maior número de criadores do mundo, 3 milhões. Em Pequim, algumas aves treinadas para participar de campeonatos de corrida chegam a custar até 10 000 dólares. A maior parte, no entanto, é criada por amadores e vive em péssimas condições de higiene nos telhados dos hutongs as vilas mais antigas, e hoje empobrecidas, da cidade. Por causa disso, o hábito de manter os pássaros em casa (que já havia sido banido durante a Revolução Cultural) entrou para a lista negra do Departamento de Civilização Espiritual de Pequim. Assim como cuspir nas calçadas, sair às ruas de pijama, furar fila e usar roupas com mais de três cores, criar pombos agora faz parte da relação dos comportamentos condenáveis e não se adequa ao novo código de elegância chinesa. Thais Oyama
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