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Panorama
"Todo mundo gosta de mim"
O senhor achava que ia ganhar? Eu tinha certeza que ia perder. Tanto que estou recebendo alguns amigos aqui em casa e não botei champanhe na geladeira. Fiquei com a medalha de prata mais uma vez. Vai tentar de novo? Se pintar chance, sim, mas só em circunstâncias favoráveis. Tenho 75 anos. Minha aventura é brincar com os netos, escrever e conviver com a minha geração, que está na Academia. O senhor alegou ter sido perseguido pela ditadura e ganhou uma indenização de 1 milhão de reais. Isso atrapalhou a campanha? Não recebi nada. Pode ser que demore anos para receber. Aliás, me candidatei por causa dessa história. Se não disputasse, ia parecer que aceitava essa acusação da imprensa. E a sua intenção de ser vice-prefeito do Rio? Foi outra invenção. Imagina se eu preciso ser candidato a vice de alguma coisa, minha filha? Todo mundo gosta de mim. Para que eu vou dividir as pessoas que gostam de mim em partidos? Sou muito mais importante que qualquer deputado. Que outra pretensão política o senhor tem? Nenhuma. Minha pretensão é ver se este país fica menos canalha.
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