Imagem da Semana
Prisioneiros do Cáucaso
Houve, sim, abusos, mas todos os
lados do conflito
Rússia-Geórgia exageram nos números de
vítimas

Vilma Gryzinski
Bela Szandelszky/AP
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Ninguém jamais acusou os russos
de delicadeza em situações de guerra, mas os
termos usados para descrever a invasão na Ossétia
do Sul e na Geórgia denotam preconceito e desinformação,
quando não pura manipulação. É
natural que as simpatias se inclinem para o lado mais fraco,
a Geórgia, e é previsível que a Rússia
seja julgada tanto à luz do que fez no passado quanto
do que se tema que venha a fazer no futuro. Mas o que está
fazendo no presente não inclui "atrocidades",
"barbaridades", "orgia de estupros" ou
"limpeza étnica". Até a foto de prisioneiros
georgianos no alto de um tanque russo incluiu uma boa
dose de encenação. Os mais fortes chegaram para
ocupar um porto, os mais fracos tiveram de fingir resistência
para salvar a honra; nada de combates aliás,
soldados sentados em cima de tanques indicam que ninguém
está atirando em ninguém. É certamente
errado exibir prisioneiros, ainda por cima amarrados e de
olhos vendados. Também foi sob responsabilidade da
Rússia que milícias de ossetas se lançaram
à milenar prática da vingança contra
os odiados vizinhos georgianos Simon Sebag Montefiore,
autor de uma biografia do mais notório dos georgianos,
Stalin, conta que na fase pós-soviética o conflito
no Cáucaso foi retomado por agricultores usando tratores
"transformados" em tanques. Da ação
das forças irregulares redundaram os maiores abusos:
saques, vilarejos incendiados e mortes. Quantas? Até
a semana passada, a Geórgia havia informado oficialmente
213, entre militares e civis. Já a Rússia, confrontada
com os fatos, fez uma rara adaptação à
realidade. Das 1 500, 1 800
ou 2 000 mortes denunciadas
no ataque militar da Geórgia à capital da Ossétia,
por onde tudo começou, recuou para 133 civis e sessenta
militares.