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Edição 2075

27 de agosto de 2008
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Prisioneiros do Cáucaso

Houve, sim, abusos, mas todos os lados do conflito
Rússia-Geórgia exageram nos números de vítimas


Vilma Gryzinski


Bela Szandelszky/AP

Ninguém jamais acusou os russos de delicadeza em situações de guerra, mas os termos usados para descrever a invasão na Ossétia do Sul e na Geórgia denotam preconceito e desinformação, quando não pura manipulação. É natural que as simpatias se inclinem para o lado mais fraco, a Geórgia, e é previsível que a Rússia seja julgada tanto à luz do que fez no passado quanto do que se tema que venha a fazer no futuro. Mas o que está fazendo no presente não inclui "atrocidades", "barbaridades", "orgia de estupros" ou "limpeza étnica". Até a foto de prisioneiros georgianos no alto de um tanque russo incluiu uma boa dose de encenação. Os mais fortes chegaram para ocupar um porto, os mais fracos tiveram de fingir resistência para salvar a honra; nada de combates – aliás, soldados sentados em cima de tanques indicam que ninguém está atirando em ninguém. É certamente errado exibir prisioneiros, ainda por cima amarrados e de olhos vendados. Também foi sob responsabilidade da Rússia que milícias de ossetas se lançaram à milenar prática da vingança contra os odiados vizinhos georgianos – Simon Sebag Montefiore, autor de uma biografia do mais notório dos georgianos, Stalin, conta que na fase pós-soviética o conflito no Cáucaso foi retomado por agricultores usando tratores "transformados" em tanques. Da ação das forças irregulares redundaram os maiores abusos: saques, vilarejos incendiados e mortes. Quantas? Até a semana passada, a Geórgia havia informado oficialmente 213, entre militares e civis. Já a Rússia, confrontada com os fatos, fez uma rara adaptação à realidade. Das 1 500, 1 800 ou 2 000 mortes denunciadas no ataque militar da Geórgia à capital da Ossétia, por onde tudo começou, recuou para 133 civis e sessenta militares.



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