Edição 1817 . 27 de agosto de 2003

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Noticiada: pelo jornal O Globo a morte da ex-vedete Elvira Olivieri Cozzolino, a Elvira Pagã, diva do teatro rebolado nos anos 50. Elvira foi a primeira da América Latina a desfilar de biquíni, posou nua e fez uma cirurgia plástica por motivos unicamente estéticos – diminuiu os seios para seguir os padrões de beleza da época. Foi rainha do Carnaval carioca e participou de oito filmes. Afastou-se dos palcos na década de 60 e, nos últimos anos, vivia sozinha num apartamento de Copacabana. Morreu no dia 8 de maio, numa clínica do bairro carioca de Santa Tereza. Sua família não divulgou a causa da morte. Dia 20, no Rio de Janeiro.

Incendiou-se: o Hospital da Restauração, o maior centro de emergência de Pernambuco. O fogo começou na lavanderia. Os pacientes foram retirados às pressas. Ninguém ficou ferido. Dia 20, no Recife.

Presos: cinco vereadores e quatro empresários acusados de abuso sexual contra meninas de 11 a 16 anos. De acordo com a polícia, eles organizavam festas e recrutavam as crianças pagando cerca de 50 reais para que se prostituíssem. Dos acusados, o presidente da Câmara Municipal, Luís César Lanzoni, um suplente de vereador e um empresário ainda estavam foragidos até a noite de sexta-feira. Dia 21, em Porto Ferreira, em São Paulo.

Lançada: a candidatura do economista Celso Furtado ao Prêmio Nobel de Economia. Autor de um clássico da economia brasileira, Formação Econômica do Brasil, foi criador da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, nos anos 50. A indicação foi feita pela organização Political and Ethical Knowledge on Economic Activities, que tem representantes em 45 países. Dia 18, no Rio de Janeiro.

 
Morreram

Francisco Carlos, cantor, ídolo dos anos 50. Participou de filmes e foi eleito o rei do rádio em 1958. Dia 19, aos 75 anos, de câncer, no Rio de Janeiro.

 

José Nélson Schincariol, dono da fábrica de cervejas Schincariol. Assaltado em Itu, no interior paulista, levou três tiros. Dia 19, aos 60 anos, em São Paulo.

 


Antonio Milena


Haroldo de Campos,
poeta, tradutor e ensaísta. Com o irmão Augusto de Campos e o poeta Décio Pignatari, fundou o concretismo, decretando o fim do "ciclo histórico do verso", como descreveram no manifesto Plano-Piloto para Poesia Concreta, de 1958. Essa poesia tem influência da arquitetura e é apresentada com formas gráficas ousadas. Haroldo se dizia influenciado pelos poetas João Cabral de Melo Neto e Oswald de Andrade. Publicou mais de trinta livros e traduziu a Bíblia e autores como Homero, Goethe, Maiakovski e James Joyce. Sofria de diabetes e teve várias internações nos últimos dois meses. Dia 16, três dias antes de completar 74 anos, de falência de múltiplos órgãos, em São Paulo.

 


Rogerio Albuquerque
Caio de Alcantara Machado


As grandes feiras de negócio mudaram o perfil econômico de São Paulo. Exposições como o Salão do Automóvel, a Feira Internacional da Indústria Têxtil (Fenit) e a Feira de Utilidades Domésticas (UD) tornaram-se tão identificadas com a cidade como o Obelisco do Ibirapuera. A cada ano elas atraem 4,2 milhões de visitantes do país e do exterior, são responsáveis por 60% da ocupação da rede hoteleira e geraram em 2002 um movimento de 2,6 bilhões de reais. Essas feiras foram criadas pelo empreendedor Caio de Alcantara Machado, que morreu na quarta-feira passada, aos 77 anos, depois de ter promovido 2 600 eventos. "Diziam que eu era louco porque ninguém iria pagar entrada para fazer compras", contava. Aconteceu o contrário. Até hoje, a UD, um de seus primeiros empreendimentos, recebe 500.000 consumidores a cada ano. É o mesmo público do Salão do Automóvel, inaugurado em 1960, quando a indústria automobilística brasileira ainda engatinhava. A Fenit, concebida em 1957, já chegou à 54ª edição. Fundador da agência de publicidade Alcantara Machado, ex-presidente do Instituto Brasileiro do Café e idealizador do Parque Anhembi, o complexo que abriga suas feiras, ele era um otimista em tempo integral. "Vai dar jacaré", afirmava diante de qualquer dificuldade, numa referência ao jogo do bicho e ao animal, que considerava um amuleto. Seu corpo seria cremado na quinta-feira, mas por decisão judicial permanecerá quinze dias no Instituto Médico-Legal de São Paulo para a realização de exames que esclarecerão a causa da morte.

 

 
 
 
 
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