Edição 1915 . 27 de julho de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
André Petry
Tales Alvarenga
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
Superação coletiva na CPI

 

Lula Marques/Folha Imagem
Parlamentares na CPI dos Correios: boas surpresas

Uma reportagem e a coluna de Tales Alvarenga da presente edição de VEJA ressaltam aspectos positivos da atual crise política. A reportagem fala do sucesso de audiência obtido pelas transmissões televisivas das longas sessões de inquirição das CPIs em andamento no Congresso. O texto lembra também que esse é apenas um dos muitos sinais de amadurecimento da democracia e das instituições brasileiras. A própria CPI dos Correios dá uma prova de maturidade ao escapar da maldição que fez de tantas outras teatros inúteis de exibicionismo. Parlamentares de todos os partidos têm sobressaído pela maneira coerente, corajosa e inteligente com que exercem seus quinze minutos diários de fama. É algo a comemorar. Se eles puderem ser tomados como uma amostra válida da qualidade do Congresso, então o Legislativo não está tão mal quanto se apregoa. Mesmo que sejam apenas exceções, os parlamentares que se destacam na CPI terão prestado um serviço à democracia se forem tomados como modelos de candidatos nas próximas eleições.

A crise fez aflorar no Brasil um raro momento de superação coletiva, situação em que o resultado global positivo dos diversos agentes sociais supera a somatória das virtudes das partes. Mesmo na busca frenética por uma saída jurídica e política para o beco moral em que se meteu, até o governo do PT tem seus méritos na preservação da normalidade institucional. Em nenhum momento os governantes fizeram ameaças de usar mecanismos autoritários ou de supressão da liberdade de expressão. Em sua coluna, Tales Alvarenga descreve como "dores do crescimento" o inevitável sofrimento dos que são atingidos mais diretamente pelo atual processo de depuração. Escreveu ele: "As crises que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, à renúncia de Jânio Quadros e à derrubada de João Goulart e de Fernando Collor criaram momentos de enorme suspense institucional. Desta vez, não há alarme desse tipo". É um enorme avanço. É vital lembrar também que a crise atual não apenas demonstrou a necessidade de mudanças nas tenebrosas relações dos políticos com o erário. A crise trouxe a oportunidade para que as mudanças sejam feitas.

 
 
 
 
topovoltar