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Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
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SHOW

Noites do Norte, Caetano Veloso (de sexta a domingo no DirecTV Music Hall, São Paulo) – Baseado no disco homônimo do cantor e compositor baiano, Noites do Norte traz todas as qualidades que marcaram os espetáculos de Caetano nos últimos dez anos. A começar pelo tratamento especial que ele dá a algumas das principais canções de sua carreira. Menino do Rio, Gente e Trem das Cores soam praticamente novas. Esse frescor é obtido sobretudo por causa do uso maciço da percussão – são quatro batuqueiros de primeira linha no palco, além do baterista Cesinha. Caetano prova mais uma vez ser um grande intérprete de composições alheias, ao recriar O Último Romântico, de Lulu Santos, Magrelinha, de Luiz Melodia, e gemas da bossa nova, como Eu e a Brisa, de Johnny Alf. Do novo disco foram pinçadas, entre outras, as belas Zera a Reza e 13 de Maio. Destaque ainda para a banda afiadíssima, em que se destacam o guitarrista Davi Moraes (ex-Marisa Monte) e o celista Jaques Morelenbaum. Noites do Norte fica em cartaz em São Paulo apenas neste fim de semana. Caetano parte em seguida para apresentações na Espanha e em Portugal.

 

LIVROS

Bruno Andreozzi
Murilo: imagens surpreendentes

Poesia Liberdade e Tempo Espanhol, de Murilo Mendes (Record; 160 páginas e 20 reais cada um) – Dos grandes poetas modernistas, o mineiro Murilo Mendes (1901-1975) foi o mais maltratado pelo mercado. Praticamente inexistiram reedições de seus livros. Excetuado o excelente e caro volume Poesia Completa e Prosa (Nova Aguilar), é impossível encontrar seus versos nas livrarias. Daí o valor do relançamento dessas duas coletâneas, as melhores do autor. A primeira é originalmente de 1947. A segunda, de 1959. Numa e noutra percebe-se como o escritor, admirado pelos contemporâneos e influência para quem veio depois, como os concretistas, sempre soube depurar sua arte de imagens surpreendentes e dicção rigorosa. "Saudemos Murilo, grande poeta", escreveu certa vez Manuel Bandeira. Assim seja.

 

DISCOS

Coltrane for Lovers, John Coltrane (Universal) – O saxofonista americano John Coltrane (1926-1967) entrou para a história do jazz como um dos pais do bebop. Era reverenciado por seu jeito furioso de tocar saxofone e nos últimos anos de vida fez experiências com a música africana e instrumentos japoneses. Coltrane, no entanto, também foi um baladista de imensos predicados. Essa coletânea pinça as canções mais ternas de seu repertório, gravadas com seu grupo ou em duetos especiais. Há momentos apaixonantes, como My One and Only Love e They Say It's Wonderful, cantadas pelo lendário crooner Johnny Hartman; ou ainda My Little Brown Book e In a Sentimental Mood, do clássico CD que o saxofonista gravou ao lado do maestro Duke Ellington.

Miss E... So Addictive, Missy "Misdemeanor" Elliott (WEA) – Esse trabalho é indicado para aqueles que associam o rap apenas a marmanjos insolentes, de calças largas e arriadas, que cantam o machismo e a violência. Compositora e cantora de boa qualidade, Missy Elliott abastece o gênero com outros valores e idéias. O segredo: ela já tinha uma carreira respeitável como produtora de grupos de soul music quando se arriscou no disco solo Supa Dupa Fly (1997). Desde então, a moça se firmou como principal nome feminino do hip hop e já cantou em discos de divas do quilate de Mariah Carey e Whitney Houston. Miss E, seu terceiro trabalho, traz misturas sonoras que muitos considerariam impensáveis. Como as tablas e cítaras indianas, que reforçam o funk racha-assoalho Get Ur Freak On. Um disco acima da média.

 

VÍDEO

Tigerland – A Caminho da Guerra (Tigerland, Estados Unidos, 2000. Fox) – Depois do fiasco Batman & Robin, o diretor americano Joel Schumacher se curou de seu fraco pela extravagância. Rodou o drama Tigerland a baixo custo, em questão de dias, e se saiu com o melhor filme de sua carreira. No início dos anos 70, um grupo de soldados que se prepara para lutar no Vietnã conhece uma figura inesquecível: o recruta Bozz (o novato Colin Farrell), que não leva nada nem ninguém a sério. O destaque da fita (inédita nos cinemas brasileiros) é a atuação extraordinária do irlandês Farrell – que já está filmando com Steven Spielberg e ainda vai dar muito que falar.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Para seduzir o máximo de gente, a estratégia de Marcelo Duarte e Jairo Bouer em O Guia dos Curiosos – Sexo (Cia. das Letras, 432 páginas, 33 reais) é das mais "libertinas": eles atiram para todos os lados. O resultado é um livro divertidíssimo. Em sexto lugar na lista dos mais vendidos de VEJA, na categoria de não-ficção, o manual traz uma quantidade alucinante de minúcias sobre tudo que se relaciona a sexo. Descobre-se que a cada segundo ocorrem 2.638 orgasmos no planeta e que os índios aimarás permitem o casamento entre irmãos gêmeos. A obra também contribui para a propagação das fofocas picantes a respeito de figuras históricas e celebridades, não poupando disso o líder indiano Mahatma Gandhi ou o comediante Charles Chaplin. Pansexual por excelência, o livro explora a fundo todos os ângulos do assunto, do onanismo às operações de mudança de sexo.


Pisco Del Gaiso
Joseti Capuso
Duarte e Bouer: a resposta é 13 centímetros. Pronto para a ação

Essa profusão de números e informações não chega a surpreender em se tratando de um guia produzido pelo jornalista Marcelo Duarte – os anteriores, sobre conhecimentos gerais, esportes e o Brasil, somaram mais de 200.000 exemplares vendidos. A novidade é que a dobradinha com o médico e apresentador do programa Erótica, da MTV, trouxe uma aura de aconselhamento à obra. As deliciosas futilidades são entremeadas com perguntas e respostas para as dúvidas mais freqüentes sobre gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e virgindade, por exemplo. Às vezes quase se ouve a voz professoral de Bouer dando suas explicações aos adolescentes na telinha – mas, assim como não soa chato na TV, seu didatismo funciona por escrito. Ah, sim, sobre aquela questão eterna que atormenta os marmanjos: a média nacional é 13 centímetros, ou o tamanho de uma caneta Bic sem a tampa. Pronto para a ação, é claro.


Marcelo Marthe

   
 




Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Livraria Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
 
   
 
   
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