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Cimitarra
afiada
Egito
pode obrigar escritora
feminista
a se divorciar
O
mundo islâmico já esteve na vanguarda da civilização,
mas ameaça passar cada vez mais para a lanterninha, graças
à ação dos fundamentalistas religiosos. Por causa
de sua visibilidade, os intelectuais se acham entre os alvos favoritos.
Segundo organizações especializadas no assunto, aqueles
mortos ou encarcerados por esses regimes já se contam às
dezenas. Mesmo em Estados como o Egito, que se apresentam como liberais,
a pressão dos fundamentalistas é cada vez mais forte. O
romancista e ganhador do Prêmio Nobel Naguib Mahfouz, por exemplo,
já havia sido esfaqueado no pescoço, em 1994, por um louco
que o julgava apóstata. Agora, sofre ameaças novamente,
por ter permitido que obras suas fossem traduzidas para o hebraico e lançadas
em Israel. Nas próximas semanas, a perseguição pode
atingir uma das mais influentes figuras femininas do mundo árabe.
A escritora e feminista egípcia Nawal el-Saadawi, de 70 anos, pode
ser não só presa como obrigada a se divorciar do marido
por decisão de um tribunal. Isso porque numa entrevista concedida
no início deste ano Nawal disse que o ritual da peregrinação
a Meca guarda vestígios pagãos. A afirmação
despertou a ira de um advogado conservador, para quem Nawal "renunciou
ao Islã" e por isso não deve continuar casada com um fiel:
está sujeita à punição do divórcio.
A decisão deve sair no dia 9 de julho e nem a repercussão
negativa do caso no Ocidente permite prever qual será seu desfecho.
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