Manobra radical
Surfe
brasileiro movimenta
mais
de 1 bilhão de dólares
Silvia Rogar
Durante
décadas o surfe foi visto como marginal no milionário mercado
esportivo. Não dava dinheiro, não tinha a popularidade do
futebol nem o glamour aristocrático do tênis. Ao longo dos
anos 90 a maré mudou. As competições se organizaram
e grandes empresas correram para patrocinar atletas e eventos, de olho
nos jovens consumidores que acompanham as manobras radicais. O resultado
é um verdadeiro boom. As companhias que apostaram nessa onda esperam
crescer, pelo menos, 10% neste ano. Nos Estados Unidos, o maior mercado
do esporte, essa indústria movimenta hoje 4,5 bilhões de
dólares anuais. No Brasil, terceiro no ranking de negócios
ligados ao surfe, o faturamento é de 1 bilhão de dólares
por ano.
Também a imagem do surfista passou por uma grande reviravolta.
A turma que passa o dia na praia e vive de mesada ainda existe, claro,
mas abriu espaço para um time com conta bancária digna de
executivo. Neste ano, a premiação para cada etapa da primeira
divisão mundial do surfe, o World Championship Tour (WCT), subiu
de 150.000 para 250.000 dólares. São oito paradas mundo
afora, 2 milhões de dólares distribuídos e mais um
campeão consagrado. A próxima rodada começa nesta
semana, quando os atletas baixam nas areias da Barra da Tijuca, no Rio
de Janeiro, para o Rio Surf International. Só para se ter uma noção
da mudança, em 1976 a praia carioca do Arpoador sediou uma fase
do primeiro circuito internacional da história. O prêmio
total? Módicos 2.500 dólares. Hoje um surfista nacional
de primeira linha não recebe menos que 20.000 reais mensais dos
patrocinadores.
Com 2 milhões de praticantes, o Brasil tornou-se um bom formador
de feras, logo atrás de Estados Unidos e Austrália. Depois
de 25 anos do campeonato pioneiro, continua como um dos pontos tradicionais
para as baterias do circuito mundial. Dos 45 competidores da elite do
esporte, onze são brasileiros. O mais bem colocado até agora
é o catarinense Teco Padaratz, em terceiro lugar. Mas o brasileiro
mais premiado é o paraibano Fábio Gouveia, 31 anos. Ele
é de um tempo em que o surfe não passava de hobby e já
acumula 505.000 dólares em premiações, só
de mundiais. "Hoje, é moleza para quem está começando",
diz.
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