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Dentro do peito

Em breve, americanos testam
o primeiro coração artificial
totalmente implantável

 

Abiomed, Inc.

AbioCor: no compasso e na intensidade dos batimentos cardíacos

Dentro de algumas semanas, cinco americanos em estado terminal devido a doenças cardíacas graves receberão um coração de plástico e titânio, o AbioCor, capaz de bater na mesma intensidade e compasso de um coração de verdade. Caso os pacientes consigam sobreviver mais do que o esperado (dois meses, no mínimo), o FDA, a agência de controle de remédios e alimentos dos Estados Unidos, deve liberar o AbioCor para testes abrangentes. Se tudo der certo, será um salto e tanto. A tecnologia disponível não é capaz de produzir um coração inteiramente artificial, mas apenas dispositivos que substituem temporariamente parte das funções cardíacas até que o paciente possa ser submetido a um transplante.

Os corações artificiais mais modernos presentes no mercado são o Heartmate e o Jarvik 2000. Seus usuários têm de conviver com uma parafernália acoplada ao corpo, que limita muito as atividades cotidianas. O gaúcho Dionísio Eloi, que teve um Heartmate implantado no peito em 1999, era obrigado a carregar dentro de uma sacola uma bateria elétrica ligada por fios ao aparelho. Há pouco mais de um mês, ele finalmente conseguiu trocá-lo por um coração de verdade. Ao contrário das máquinas atuais, o AbioCor fica totalmente encerrado na caixa torácica. Segundo seus construtores, isso eliminaria o risco de infecções. De cada dez usuários dos corações artificiais hoje em uso, dois têm o tratamento comprometido pela presença de vírus e bactérias.

No caso do AbioCor, o paciente carrega um cinto com uma bateria externa. O inconveniente é que ela tem de ser reabastecida de quatro em quatro horas. O novo coração artificial incorpora pequenas vitórias conquistadas nos últimos anos – de válvulas que não fazem barulho a mecanismos de bombeamento que não provocam coágulos. Foi desenvolvido no laboratório americano Abiomed, fundado há vinte anos pelo médico David Lederman, que se dedica quase que exclusivamente à criação de corações artificiais. Ele prevê que, se o AbioCor chegar ao mercado algum dia, deverá custar algo em torno de 25.000 dólares. Hoje, um protótipo sai por 75.000 dólares. Segundo Lederman, como o tempo de vida útil do aparelho está estimado em cinco anos, ele poderá aumentar incrivelmente a sobrevida dos doentes que estão à espera de um transplante. É rezar para os testes darem certo.

   
 
   
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