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Dias alegres
Parque
de diversões promove
Dia Gay e ensina funcionários
a tratar visitante homossexual
Thaís
Oyama
Mário Rodrigues

Drag
queens na montanha-russa: piadinha proibida |
Teve pai
tapando os olhos do filho e famílias pedindo o dinheiro de volta.
Foram, porém, exceções. No cômputo geral, o
primeiro Dia Gay no Hopi Hari transcorreu em perfeito clima de coexistência
pacífica. Ao assumir o risco de abrir seus portões especialmente
para o público homossexual, o maior parque de diversões
do país, na cidade paulista de Vinhedo, faturou duplamente: ganhou
espaço gratuito na mídia e associou sua imagem a uma causa
que parece ser recebida com crescente civilidade, quando não simpatia.
Como é
mais fácil quebrar um salto alto que um preconceito, deu algum
trabalho. Preocupado em não constranger os visitantes habituais
nem o público homenageado, o Hopi Hari fez ampla divulgação
do evento, realizado no dia 16, de forma a deixar de sobreaviso potenciais
incomodados. Internamente, também tomou providências: para
neutralizar eventuais gafes por parte de funcionários, organizou
uma "palestra de esclarecimento", com dicas de atitudes politicamente
corretas a ser observadas na ocasião. "Disseram para a gente não
ficar dando risadinha nem fazer piadas. E, se víssemos dois homens
se beijando, era para olharmos para eles como se olha para um casal de
marido e mulher", esclareceu Dalila Correia Roberto, 38 anos, encarregada
da portaria.
A divisão
dos banheiros outra dúvida do parque foi resolvida
de comum acordo com os representantes do movimento gay. Em reunião
às vésperas do evento, deliberou-se que os visitantes que
viessem vestidos de mulher freqüentariam o banheiro das mulheres
e os que trajassem roupas masculinas usariam o toalete masculino. Acordo
feito, nenhum incidente foi relatado, e a convivência de heteros
e homos criou um clima de Suécia na ensolarada tarde interiorana.
"Tirando um senhor que tapou os olhos do filho quando eu beijei meu namorado
na fila da montanha-russa, foi tudo na maior tranqüilidade", comemorou
o estudante Ronaldo Fontolan, 26 anos. Das 12.000
pessoas que estiveram no parque (8.000 homossexuais,
segundo avaliação do Hopi Hari), só dez procuraram
o setor de atendimento para reclamar da presença do público
especial. A sugestão de promover um dia gay num parque brasileiro
partiu da Associação da Parada do Orgulho GLBT sigla
que significa gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros e
vem substituir a já superada GLS (gays, lésbicas e simpatizantes).
"Eventos como esse ensinam as crianças a respeitar as diferenças",
justificou a gerente de marketing do Hopi Hari, Renata Lasalvia.
Monica Zarattini/AE

A prefeita
Marta Suplicy na parada: "É uma honra" |
Ao centrar
a militância em temas de apelo mais amplo, como respeito à
diversidade e direito à cidadania, o movimento gay de São
Paulo tem conseguido avanços num campo espinhoso. O dia no parque
foi parte de uma semana de comemorações que culminou com
o maior evento anual da categoria: a Parada do Orgulho Gay. Em sua quinta
edição, o desfile teve recorde de público
200.000 pessoas e contou com a presença
de Marta Suplicy. Popularíssima entre os gays graças ao
projeto de união civil dos homossexuais, a prefeita paulistana
foi saudada aos gritos de "maravilhosa" e "poderosa". Aproveitou a festa
para tomar um banho de plumas: desfilou em carro aberto, posou com drag
queens, fez discurso e, ao final, sacou da manga do suéter lilás
uma promessa especialmente formulada para a ocasião: no ano que
vem, a prefeitura vai participar oficialmente das comemorações
da Semana Gay. "É um orgulho para o país ter uma cidade
que recebe os homossexuais com palmas", conclamou a prefeita. Arrasou.
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