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Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
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Dias alegres

Parque de diversões promove
Dia Gay e ensina funcionários
a tratar visitante homossexual

Thaís Oyama

 
Mário Rodrigues

Drag queens na montanha-russa: piadinha proibida

Teve pai tapando os olhos do filho e famílias pedindo o dinheiro de volta. Foram, porém, exceções. No cômputo geral, o primeiro Dia Gay no Hopi Hari transcorreu em perfeito clima de coexistência pacífica. Ao assumir o risco de abrir seus portões especialmente para o público homossexual, o maior parque de diversões do país, na cidade paulista de Vinhedo, faturou duplamente: ganhou espaço gratuito na mídia e associou sua imagem a uma causa que parece ser recebida com crescente civilidade, quando não simpatia.

Como é mais fácil quebrar um salto alto que um preconceito, deu algum trabalho. Preocupado em não constranger os visitantes habituais nem o público homenageado, o Hopi Hari fez ampla divulgação do evento, realizado no dia 16, de forma a deixar de sobreaviso potenciais incomodados. Internamente, também tomou providências: para neutralizar eventuais gafes por parte de funcionários, organizou uma "palestra de esclarecimento", com dicas de atitudes politicamente corretas a ser observadas na ocasião. "Disseram para a gente não ficar dando risadinha nem fazer piadas. E, se víssemos dois homens se beijando, era para olharmos para eles como se olha para um casal de marido e mulher", esclareceu Dalila Correia Roberto, 38 anos, encarregada da portaria.

A divisão dos banheiros – outra dúvida do parque – foi resolvida de comum acordo com os representantes do movimento gay. Em reunião às vésperas do evento, deliberou-se que os visitantes que viessem vestidos de mulher freqüentariam o banheiro das mulheres e os que trajassem roupas masculinas usariam o toalete masculino. Acordo feito, nenhum incidente foi relatado, e a convivência de heteros e homos criou um clima de Suécia na ensolarada tarde interiorana. "Tirando um senhor que tapou os olhos do filho quando eu beijei meu namorado na fila da montanha-russa, foi tudo na maior tranqüilidade", comemorou o estudante Ronaldo Fontolan, 26 anos. Das 12.000 pessoas que estiveram no parque (8.000 homossexuais, segundo avaliação do Hopi Hari), só dez procuraram o setor de atendimento para reclamar da presença do público especial. A sugestão de promover um dia gay num parque brasileiro partiu da Associação da Parada do Orgulho GLBT – sigla que significa gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros e vem substituir a já superada GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). "Eventos como esse ensinam as crianças a respeitar as diferenças", justificou a gerente de marketing do Hopi Hari, Renata Lasalvia.

 
Monica Zarattini/AE

A prefeita Marta Suplicy na parada: "É uma honra"

Ao centrar a militância em temas de apelo mais amplo, como respeito à diversidade e direito à cidadania, o movimento gay de São Paulo tem conseguido avanços num campo espinhoso. O dia no parque foi parte de uma semana de comemorações que culminou com o maior evento anual da categoria: a Parada do Orgulho Gay. Em sua quinta edição, o desfile teve recorde de público – 200.000 pessoas – e contou com a presença de Marta Suplicy. Popularíssima entre os gays graças ao projeto de união civil dos homossexuais, a prefeita paulistana foi saudada aos gritos de "maravilhosa" e "poderosa". Aproveitou a festa para tomar um banho de plumas: desfilou em carro aberto, posou com drag queens, fez discurso e, ao final, sacou da manga do suéter lilás uma promessa especialmente formulada para a ocasião: no ano que vem, a prefeitura vai participar oficialmente das comemorações da Semana Gay. "É um orgulho para o país ter uma cidade que recebe os homossexuais com palmas", conclamou a prefeita. Arrasou.

   
 
   
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