| Fale conosco |
| Ajuda |
| Mapa do site |
![]() |
|
Crie seu grupo |
A vidraça do PTPrograma do partido tem algumas qualidades, muitos defeitos e erros flagrantes de informação
Eliana Giannella Simonetti e Murilo Ramos
Ao atingir a maioridade, 21 anos de vida, o Partido dos Trabalhadores divulgou, na semana passada, seu programa de governo para as próximas eleições presidenciais. O PT sempre foi criticado por bater no governo sem apresentar alternativas. Agora, procura contornar esse viés negativo com um projeto a ser aplicado no Brasil se o partido vencer a batalha eleitoral de 2002. O programa apresenta dois avanços notáveis. Reconhece a importância do equilíbrio fiscal e da estabilidade da moeda. Para uma legenda que menos de uma década atrás pregava a estatização do sistema financeiro nacional, é uma evolução interessante. Ela indica que o PT decidiu livrar-se do que havia de mais radical e retrógrado em sua plataforma política. O projeto Brasil do PT também reúne desejos que são comuns a todos os brasileiros, como a melhoria dos serviços de educação e saúde e o fim da injusta distribuição de renda no país. Os pontos negativos do documento, no entanto, são muito mais numerosos e arrasadores. Os principais são os seguintes:
Quer dizer, o PT deu um sinalzinho de maturidade, mas não é assim uma mudança para valer. O partido sabe que boa parte de seu insucesso nas eleições presidenciais deriva do temor que sua imagem radical desperta nos eleitores. Com o programa divulgado na semana passada, o PT tenta apresentar-se numa roupagem menos agressiva, recurso de marketing que ajudará a legenda na hora de colher votos. O próprio presidente de honra do partido, Lula, está adotando um ar mais comportado, inclusive no vestuário. Procure-se a verdadeira alma do PT, no entanto, e ela estará lá, inteira, no documento da semana passada, a começar pelo palavreado, que é revelador. O vocábulo soberania aparece três vezes na primeira página do programa, quando na vida real a soberania brasileira só está ameaçada nas fantasias petistas. Fala-se em capitulacionismo, conformismo fatalista, reformas regressivas, sociedade de bem-estar social. Combate-se quase tudo o que é atual: a globalização, a abertura dos mercados, a privatização de empresas e investimentos, a redução do papel do Estado na economia e a internacionalização das culturas. Os petistas cometem alguns deslizes reveladores. Insinuam a intenção de promover um governo assemelhado ao de Hugo Chávez, o charlatão que governa a Venezuela. Rechaçam o Plano Colômbia, que combate o narcotráfico com o apoio americano, pois consideram que ele busca isolar o Brasil e militarizar a Amazônia, uma concepção a que não falta certa dose de paranóia. Por fim, o programa petista demonstra arrogância diante de questões que o partido não tem a mais remota chance de alterar. "Teremos de tensionar e promover rupturas em toda a blindagem internacional que sustenta o neoliberalismo globalizado", escrevem os redatores da peça. Como se isso não fosse o bastante, o programa do PT ainda contém alguns erros factuais: Em suma, em matéria de programa maduro de governo, o PT continua devendo.
|
|
|