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Edição 1 706 - 27 de junho de 2001
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Os dois PMDBs

O partido queria ocupar mais
espaço no governo. Agora que
ganhou, fala em sair


Ed Ferreira/AE
Maguito, presidente do PMDB: "Ministros têm de deixar o governo FHC"

Na semana passada, o PMDB deu uma demonstração de que os políticos possuem um conceito próprio de coerência. Numa solenidade ocorrida na quarta-feira, expoentes do partido aplaudiam a nomeação do novo ministro da Integração Nacional, Ramez Tebet, do PMDB de Mato Grosso do Sul. A posse aconteceu após uma série de reclamações formuladas por deputados e senadores peemedebistas que clamavam por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. Àquela hora do dia, portanto, o partido parecia estar feliz em integrar a base de sustentação do governo. No dia seguinte, o senador Maguito Vilela, do PMDB goiano, fez um discurso no Congresso. Vilela convocou os três ministros do partido a abandonar o cargo e deixar o governo. O parlamentar não fala sozinho, mas em nome de uma ala infeliz do PMDB que não quer mais ser governo. Essa ala defende o lançamento de um candidato próprio e independente à sucessão presidencial. Foi essa agremiação que o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu prestigiar.

Faz parte do processo político que, em sua fase final, o governo perca o viço original. O presidente já não exerce o mesmo fascínio sobre os congressistas e os partidos não vibram com a mesma intensidade quando emplacam um ministro nesta fase. Daí por que a alegria peemedebista durou tão pouco. O próprio ministro Ramez Tebet saiu da posse declarando que defende a tese da candidatura própria. Essa queda na taxa de encantamento atinge todos os partidos da base, não apenas o PMDB. Até um tempo atrás, os tucanos não queriam falar em sucessão para não atrapalhar o andamento do governo. Agora, mudaram de opinião. Não querem que os erros do Planalto atrapalhem a vida do futuro candidato. Um pedaço do partido defende que o ministro da Saúde, José Serra, assuma sua candidatura quanto antes e deixe o cargo em seguida. Numa tentativa de reaglutinar PMDB, PFL e PSDB, o presidente deu um recado na posse de Tebet: "Esse ministério também foi pensado como integração da base partidária". É improvável que isso ocorra.


José Paulo Lacerda/AE
Itamar: melhor chance para chegar à Presidência


Desde o fim do regime militar, o PMDB tem sua primeira chance real de eleger um presidente nas urnas. O partido esteve no poder com José Sarney, mas não mandava para valer. Ulysses Guimarães acabou em sétimo lugar na corrida presidencial de 1989. Em 1994, Orestes Quércia entrou na disputa pelo Palácio do Planalto e acabou atrás do folclórico Enéas. O PMDB teve espaço com Itamar Franco, mas o vice-presidente de Fernando Collor ficou no poder apenas dois anos. Também tem certo prestígio com FHC, mas a jornada está chegando ao fim. Nas pesquisas de opinião, o governador Itamar Franco aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com 15% das intenções de voto, apenas 4 pontos atrás de Ciro Gomes, do PPS, e 15 pontos atrás de Lula, do PT. Essa é a melhor marca já atingida por um candidato do PMDB. Os peemedebistas fazem a seguinte tradução desses números: Itamar está muito mais bem colocado que qualquer candidato do governo e tem chances reais de disputar uma vaga para ir ao segundo turno. Diante disso, a lógica manda abandonar o barco de Fernando Henrique e embarcar na canoa de Itamar. Confortável nessa posição, o PMDB começou a falar mais grosso.

 
 
   
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