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Os dois PMDBs
O
partido queria ocupar mais
espaço no governo. Agora que
ganhou, fala em sair
Ed Ferreira/AE
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| Maguito,
presidente do PMDB: "Ministros têm de deixar o governo FHC" |
Na semana
passada, o PMDB deu uma demonstração de que os políticos
possuem um conceito próprio de coerência. Numa solenidade
ocorrida na quarta-feira, expoentes do partido aplaudiam a nomeação
do novo ministro da Integração Nacional, Ramez Tebet, do
PMDB de Mato Grosso do Sul. A posse aconteceu após uma série
de reclamações formuladas por deputados e senadores peemedebistas
que clamavam por mais espaço na Esplanada dos Ministérios.
Àquela hora do dia, portanto, o partido parecia estar feliz em
integrar a base de sustentação do governo. No dia seguinte,
o senador Maguito Vilela, do PMDB goiano, fez um discurso no Congresso.
Vilela convocou os três ministros do partido a abandonar o cargo
e deixar o governo. O parlamentar não fala sozinho, mas em nome
de uma ala infeliz do PMDB que não quer mais ser governo. Essa
ala defende o lançamento de um candidato próprio e independente
à sucessão presidencial. Foi essa agremiação
que o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu prestigiar.
Faz parte
do processo político que, em sua fase final, o governo perca o
viço original. O presidente já não exerce o mesmo
fascínio sobre os congressistas e os partidos não vibram
com a mesma intensidade quando emplacam um ministro nesta fase. Daí
por que a alegria peemedebista durou tão pouco. O próprio
ministro Ramez Tebet saiu da posse declarando que defende a tese da candidatura
própria. Essa queda na taxa de encantamento atinge todos os partidos
da base, não apenas o PMDB. Até um tempo atrás, os
tucanos não queriam falar em sucessão para não atrapalhar
o andamento do governo. Agora, mudaram de opinião. Não querem
que os erros do Planalto atrapalhem a vida do futuro candidato. Um pedaço
do partido defende que o ministro da Saúde, José Serra,
assuma sua candidatura quanto antes e deixe o cargo em seguida. Numa tentativa
de reaglutinar PMDB, PFL e PSDB, o presidente deu um recado na posse de
Tebet: "Esse ministério também foi pensado como integração
da base partidária". É improvável que isso ocorra.
José Paulo Lacerda/AE
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| Itamar:
melhor chance para chegar à Presidência |
Desde o fim do regime militar, o PMDB tem sua primeira chance real de
eleger um presidente nas urnas. O partido esteve no poder com José
Sarney, mas não mandava para valer. Ulysses Guimarães acabou
em sétimo lugar na corrida presidencial de 1989. Em 1994, Orestes
Quércia entrou na disputa pelo Palácio do Planalto e acabou
atrás do folclórico Enéas. O PMDB teve espaço
com Itamar Franco, mas o vice-presidente de Fernando Collor ficou no poder
apenas dois anos. Também tem certo prestígio com FHC, mas
a jornada está chegando ao fim. Nas pesquisas de opinião,
o governador Itamar Franco aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com
15% das intenções de voto, apenas 4 pontos atrás
de Ciro Gomes, do PPS, e 15 pontos atrás de Lula, do PT. Essa é
a melhor marca já atingida por um candidato do PMDB. Os peemedebistas
fazem a seguinte tradução desses números: Itamar
está muito mais bem colocado que qualquer candidato do governo
e tem chances reais de disputar uma vaga para ir ao segundo turno. Diante
disso, a lógica manda abandonar o barco de Fernando Henrique e
embarcar na canoa de Itamar. Confortável nessa posição,
o PMDB começou a falar mais grosso.
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