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Palmas para ele
Emissoras
trazem de novo o público para os estúdios
Os programas de
auditório estão novamente em alta. Coqueluche nacional
nos anos 60 e 70, quando eram comandados por Flávio
Cavalcanti, J. Silvestre, Moacyr Franco e Chacrinha, eles
entraram em decadência na década passada e foram
perdendo espaço na televisão brasileira. De cinco anos
para cá, a situação mudou. Existem atualmente 27
programas de auditório indo ao ar pelas principais
emissoras de canal aberto do país, o dobro do que havia
em 1993 (veja quadro abaixo). Só na Globo, o número de
horas semanais desse tipo de atração quintuplicou. A
novidade é que, além de música, jogos e entrevistas,
em algumas emissoras eles agora incluem brigas de casais
e entre vizinhos. Até deficientes físicos aparecem no
horário nobre, como atração principal. Mais baratos e
fáceis de produzir do que as novelas, os programas de
auditório garantem bons índices de audiência e ótimo
retorno financeiro.
Prova disso é o
salário pago ao apresentador Gugu Liberato. Incluindo
suas participações em merchandising, ele fatura 1
milhão de reais por mês. "O grande atrativo do
programa de auditório é a emoção do inesperado,
principalmente quando é ao vivo", acredita Gugu.
Mesmo sem atingir a cifra milionária de Gugu, os outros
apresentadores têm salários invejáveis. Márcia
Goldschmidt, também do SBT, embolsa 60.000 reais por
mês. Os altos cachês representam a maior parte do custo
de um programa de auditório, que é irrisório quando
comparado ao de uma novela. A produção de Ratinho
Livre, por exemplo, consome apenas 25.000 reais por
apresentação. Um único capítulo de Por Amor exigia
100.000 reais. Até um programa caro como Domingão do
Faustão, que chega a custar 300.000 reais cada, acaba
compensando, uma vez que sua duração equivale à de
quatro capítulos de uma novela. O polpudo orçamento do
Domingão traz embutido o atual esforço da Rede Globo
para ganhar a guerra da audiência contra o SBT. E já
está dando resultado: nos últimos três domingos,
Faustão voltou a liderar o ibope na Grande São Paulo. O
programa, que está sendo remodelado e conta com nova
direção, agora aposta em nova versão dos concursos de
calouros, entre outros quadros.
Ao resgatar esse
formato, a televisão brasileira segue uma tendência
mundial. Os americanos e principalmente os italianos,
franceses e espanhóis têm usado e abusado desses
produtos na sua programação. "O aumento da
concorrência faz com que as emissoras optem por
programas mais populares, mais baratos e com brechas para
sorteios e promoções", sintetiza o consultor da
presidência da Globo, José Bonifácio de Oliveira
Sobrinho, o Boni.


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