Cuidados

Reis da queixa

Saiba como agir antes de comprar seus móveis

Montagem sobre foto
de Fernando Miranda

Observe os números dos serviços de defesa do consumidor e descubra uma boa razão para redobrar os cuidados na hora de comprar a mobília de sua casa. O Procon de São Paulo registrou em 1997 mais de 7.000 reclamações contra fabricantes e lojas de móveis em todo o Estado. Foram os campeões. É uma quantidade maior do que a soma das queixas contra convênios médicos e escolas particulares. O primeiro lugar se repete nas listas do Procon no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Uma das justificativas para a liderança incômoda é a característica dessa indústria. Existem no Brasil 13.500 fábricas de móveis — e 60% delas são micros e pequenas empresas. "Muitos fabricantes não têm conhecimento tecnológico e usam material inadequado", reconhece Nestor Bergamo, presidente da Abimóvel, a associação que reúne os produtores de móveis do Brasil. "Uma parte dessa indústria é predatória." A responsabilidade não é só dos fabricantes.

As lojas também prometem prazos que não podem cumprir, danificam os móveis durante o transporte e não treinam seus instaladores. "O consumidor não aceita mais prestação de serviço ruim", diz Cristina Ferreira Pratine de Castro, coordenadora de atendimento ao público do Procon do Rio Grande do Sul. "Ele até concorda em pagar um pouco mais em troca de atendimento de primeira qualidade." A Abimóvel está preparando um programa de treinamento para fabricantes, lojistas e transportadores. O primeiro passo será a edição de uma cartilha com orientações sobre o atendimento aos clientes. Em seguida, haverá uma série de cursos para os empresários e os funcionários encarregados de executar os serviços.

A alternativa, enquanto o programa não produz resultados, é aprender a lidar com as empresas do ramo. "O cliente pode impor condições para fechar o negócio", diz Maria Cecília Rodrigues, coordenadora da área de produtos do Procon de São Paulo. "Se elas não forem aceitas, a solução é procurar outra loja." Com tanta empresa no ramo, não será difícil encontrar outro lugar para comprar a mesma mesa ou o mesmo armário. Nenhuma das exigências sugeridas pelos organismos de defesa do consumidor garante entrega do móvel no prazo combinado. O que fazem é oferecer maior possibilidade de sucesso no caso de ser preciso reclamar.

Uma das sugestões é escrever todos os detalhes do negócio na nota de pedido — e aí não importa se a encomenda foi feita a uma grande loja ou ao marceneiro da esquina. Outra providência: nunca aceitar prazo de entrega genérico, do tipo uma ou duas semanas depois da venda. Exija, antes de fechar o negócio, que a data seja oficializada no pedido ou no contrato. O Código de Defesa do Consumidor permite ao cliente solicitar a rescisão do contrato no dia seguinte ao vencimento do prazo de entrega.

Peça ao lojista informações sobre o material utilizado no produto e exija tudo especificado no pedido. Não aceite código no lugar das características do móvel (material, cor e tamanho). Verifique se o móvel será entregue montado ou não (isso também precisa estar escrito). Outra providência é procurar saber, antes da compra, se a loja é assídua na lista do Procon. "Quem recebe muitas reclamações e não atende às queixas não merece confiança", diz Maria Cecília Rodrigues.




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