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Hipocrisia mata
Falar
abertamente sobre sexo ajuda a prevenir a Aids
Ao contrário do
que os moralistas apregoam, a liberdade com que uma
sociedade trata os assuntos relacionados ao sexo, longe
de servir de estímulo a comportamentos promíscuos,
ajuda a evitar a proliferação de doenças sexualmente
transmissíveis, em particular a Aids. Um estudo
publicado na Revista Americana de Saúde Pública
comparou o comportamento de ingleses e americanos quando
se trata de sexo. Constatou que os americanos são um
paradoxo nessa área. Puritanos, condenam muito mais do
que os ingleses o sexo antes do casamento, na proporção
de 25% contra 8%. São igualmente rigorosos quanto ao
homossexualismo. O paradoxo está em que, enquanto falam
isso, são muito mais ativos na cama do que os súditos
da rainha Elizabeth. Quando heterossexuais, chegam a ter
o dobro de parceiros ao longo da vida. Quando
homossexuais, idem. Com o adendo de que a incidência da
homossexualidade entre os americanos é o dobro da
observada na Inglaterra.
O autor do estudo,
Robert Michael, acredita que essa contradição entre o
que "eu faço e o que eu falo" é responsável
pelos índices alarmantes de disseminação do vírus HIV
na população americana. Como homens e mulheres se
apresentam muito recatados, as campanhas de prevenção
da Aids seguem esse figurino. Quando a epidemia começou
a se alastrar pelos Estados Unidos, no início da década
de 80, os estrategistas da área de saúde oscilavam
entre ignorar o problema e fazer campanhas incentivando a
abstinência sexual. Nada mais inadequado. Por baixo dos
panos, a festa sem camisinha continuava sem freios. Na
Inglaterra foi diferente. Logo as autoridades lançaram
campanhas francas sobre as formas de prevenção. Os
resultados são eloqüentes. Enquanto os americanos
amargam a dolorosa estatística de 9,4 óbitos por
100.000 habitantes, os ingleses ostentam índice bem mais
modesto, 0,7. No Brasil, em que os óbitos se contam em
4,1 a cada 100.000 habitantes, o exemplo inglês pode
servir para lembrar ao Ministério da Saúde que a
franqueza é a melhor arma contra o vírus.

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