Guia
Check-up
esportivo
Antes de malhar, todo mundo tem
de fazer

Anna
Paula Buchalla (abuchalla@abril.com.br)
Sean
Justice/Corbis/Latinstock
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Segundo
os estudos mais recentes sobre a fisiologia do esporte, só uma coisa é
pior que o sedentarismo: a atividade física sem orientação
médica.
De quinze grandes academias
de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte consultadas por VEJA, apenas
quatro exigiram exames clínicos mais detalhados, como eletrocardiograma,
para a obtenção da matrícula. Algumas não pedem nem
atestado médico, o que é exigido por lei. "Esses exames devem
ser encarados com mais seriedade", diz o cardiologista Nabil Gorayeb. Os
principais hospitais e laboratórios do país já oferecem baterias
de exames próprias para quem está começando a treinar e para
os atletas profissionais. Elas não servem apenas para afastar os riscos
de quem treina. Quando feitos com regularidade, uma vez ao ano, esses exames são
um bom parâmetro para medir a evolução do condicionamento.
Check-up
básico
Indicação: sedentários e
atletas de fim de semana
Exames realizados: a bateria de testes é
mais enxuta porque seu foco é garantir a segurança do praticante.
Constam dela teste ergométrico, eletrocardiograma, teste de flexibilidade,
raio X do tórax, exames de sangue (hemograma, colesterol e triglicérides)
e avaliação clínica sobre hábitos de vida e histórico
de doença familiar
Preço médio*: 590 reais
Check-up
monitorado
Indicação: praticantes regulares que
se exercitam de três a quatro vezes por semana, de forma leve a moderada
Exames
realizados: aqui, pressupõe-se um esforço físico maior
e, portanto, alguns exames são acrescentados. Além de eletrocardiograma,
teste ergométrico e de flexibilidade, são feitos outros exames de
sangue para verificar a necessidade de reposição de sódio
e potássio. Há ainda orientação nutricional com teste
de bioimpedância, que mede o índice de gordura corporal
Preço
médio*: 890 reais
Check-up
completo
Indicação: atletas de alto nível
Exames
realizados: o desgaste físico maior requer avaliações
mais completas. Durante três horas de exames, o esportista passa por análise
antropométrica (relação entre as medidas do corpo, como peso,
altura, índice de massa corporal, circunferências e dobras cutâneas)
e postural, teste ergoespirométrico (trinta minutos de esteira, para medir
as condições cardiorrespiratórias e pulmonares), ecocardiograma
com doppler (no caso de atletas, o crescimento do coração pode ser
confundido com doenças), medição de massa muscular e orientação
nutricional
Preço médio*: 1 390 reais
* Valores
referentes aos check-ups esportivos, que não são cobertos por planos
de saúde. Para utilizar os convênios, uma alternativa é realizar
os exames separadamente, com pedido médico
Atentados
à saúde
Especialistas consultados
por VEJA elencaram os quatro principais erros de quem se exercita sem orientação
e os riscos que eles acarretam:
Uso
de tênis inadequado
Grau de risco: alto
O que pode
ocorrer: o mau uso é responsável por quatro das nove principais
lesões causadas pela prática incorreta de exercícios, entre
elas fratura por estresse, tendinite no calcanhar e no joelho e bursite, que é
a inflamação nas articulações
Exame recomendado:
teste da pisada. O tênis é escolhido de acordo com o tipo de pé
(cavo, normal ou plano) e de pisada (neutra, pronada ou supinada)
Onde fazer:
lojas de tênis e artigos esportivos
Comentário dos especialistas:
as lesões acontecem porque, a cada passada, os membros inferiores recebem
de três a quatro vezes o peso do corpo. O amortecimento do tênis ajuda
a diminuir esse impacto, mas é preciso respeitar a sua vida útil:
500 quilômetros de uso é o limite máximo
Não
avaliar a função cardíaca e respiratória
Grau
de risco: altíssimo
O que pode ocorrer: a pressão
alta, presente em cerca de 25% da população acima de 40 anos, é
um mal silencioso que, durante o esforço físico, pode levar a um
derrame cerebral. Entre 2% e 5% das mortes súbitas no esporte decorrem
de anormalidades no sistema elétrico do coração.
Exames
recomendados: teste ergométrico e eletrocardiograma. O primeiro monitora
a atividade do coração enquanto o paciente se exercita na esteira
ou na bicicleta. Já o eletro percebe sinais de isquemias e outros males
Onde
fazer: centros de medicina esportiva, hospitais ou laboratórios
Comentário
dos especialistas: obrigatórios em qualquer avaliação
física, esses exames são essenciais. Um estudo de uma grande academia
mostrou alterações em 33% dos testes ergométricos feitos
por alunos saudáveis. Destes, 21% apresentavam pressão alta, 11%
arritmias e 1% isquemia
Não
medir a capacidade aeróbica máxima
Grau de risco:
alto
O que pode ocorrer: esforços além do limite também
podem causar de arritmias a parada cardíaca
Exames recomendados:
teste ergoespirométrico ou cardiopulmonar. Na esteira, o atleta é
submetido a um teste ergométrico ao mesmo tempo em que são medidos
o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico.
O médico define, então, o ritmo adequado da atividade aeróbica
Onde fazer: hospitais ou laboratórios
Comentário
dos especialistas: detectar de forma precisa a faixa ideal de frequência
cardíaca durante o treino não apenas evita esforços prejudiciais
ao organismo como ajuda a aprimorá-lo. Ou seja: estabelece a zona de treinamento
apropriada para quem quer ganhar músculos ou perder peso
Exercitar-se
sem fazer uma avaliação nutricional
Grau de risco:
médio
O que pode ocorrer: fraqueza, queda de pressão,
osteoporose e desidratação
Exames recomendados: bioimpedância,
metabolismo de repouso e densitometria. O primeiro aponta as taxas de gordura,
massa magra e a quantidade de água no corpo. O exame que mede o metabolismo
revela como cada tipo de organismo queima calorias, se acima ou abaixo do recomendado.
A análise da massa óssea, muscular e de gordura ajuda na prescrição
da atividade física
Onde fazer: clínicas nutricionais
e laboratórios
Comentário dos especialistas: os exames
são a melhor forma de saber como gastar as calorias em excesso ou ingerir
as que faltam
Xando
Pereira
 | Parada
obrigatória O triatleta Duda Kleinubing,
de 31 anos, descobriu há cinco que sofre de uma insuficiência na
válvula aórtica. "Nunca havia feito um ecocardiograma. Por
ser atleta, eu me considerava saudável", diz ele, que abandonou as
competições |
A
repórter e a academia
"Estou matriculada
há três meses e até hoje não me pediram uma avaliação
física. O atestado médico, segundo me disseram, é só
para quem tem mais de 30 anos. Um cansaço me tirou de uma aula de spinning.
Fiquei insegura. Sentar-se naquela bicicleta sem ter feito um check-up é
como dirigir sem cinto de segurança. A aventura pode resultar em lesões
ou mesmo em um mal súbito, disse-me um dos médicos entrevistados
para este Guia VEJA. Fui orientada a fazer alguns exames, entre eles, um eletrocardiograma.
Para a minha sorte (e da academia), os resultados foram satisfatórios.
Falta ainda fazer um teste ergométrico. Até lá, as aulas
de spinning estão suspensas."
Gabriella
Sandoval