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Edição 2114

27 de maio de 2009
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Guia
Check-up esportivo

Antes de malhar, todo mundo tem de fazer


Anna Paula Buchalla (abuchalla@abril.com.br)

Sean Justice/Corbis/Latinstock


Segundo os estudos mais recentes sobre a fisiologia do esporte, só uma coisa é pior que o sedentarismo: a atividade física sem orientação médica.

De quinze grandes academias de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte consultadas por VEJA, apenas quatro exigiram exames clínicos mais detalhados, como eletrocardiograma, para a obtenção da matrícula. Algumas não pedem nem atestado médico, o que é exigido por lei. "Esses exames devem ser encarados com mais seriedade", diz o cardiologista Nabil Gorayeb. Os principais hospitais e laboratórios do país já oferecem baterias de exames próprias para quem está começando a treinar e para os atletas profissionais. Elas não servem apenas para afastar os riscos de quem treina. Quando feitos com regularidade, uma vez ao ano, esses exames são um bom parâmetro para medir a evolução do condicionamento.

Check-up básico
Indicação: sedentários e atletas de fim de semana
Exames realizados: a bateria de testes é mais enxuta porque seu foco é garantir a segurança do praticante. Constam dela teste ergométrico, eletrocardiograma, teste de flexibilidade, raio X do tórax, exames de sangue (hemograma, colesterol e triglicérides) e avaliação clínica sobre hábitos de vida e histórico de doença familiar
Preço médio*: 590 reais

Check-up monitorado
Indicação: praticantes regulares que se exercitam de três a quatro vezes por semana, de forma leve a moderada
Exames realizados: aqui, pressupõe-se um esforço físico maior e, portanto, alguns exames são acrescentados. Além de eletrocardiograma, teste ergométrico e de flexibilidade, são feitos outros exames de sangue para verificar a necessidade de reposição de sódio e potássio. Há ainda orientação nutricional com teste de bioimpedância, que mede o índice de gordura corporal
Preço médio*:
890 reais

Check-up completo
Indicação: atletas de alto nível
Exames realizados: o desgaste físico maior requer avaliações mais completas. Durante três horas de exames, o esportista passa por análise antropométrica (relação entre as medidas do corpo, como peso, altura, índice de massa corporal, circunferências e dobras cutâneas) e postural, teste ergoespirométrico (trinta minutos de esteira, para medir as condições cardiorrespiratórias e pulmonares), ecocardiograma com doppler (no caso de atletas, o crescimento do coração pode ser confundido com doenças), medição de massa muscular e orientação nutricional
Preço médio*: 1 390 reais

* Valores referentes aos check-ups esportivos, que não são cobertos por planos de saúde. Para utilizar os convênios, uma alternativa é realizar os exames separadamente, com pedido médico

 

Atentados à saúde

Especialistas consultados por VEJA elencaram os quatro principais erros de quem se exercita sem orientação e os riscos que eles acarretam:

Uso de tênis inadequado
Grau de risco: alto
O que pode ocorrer: o mau uso é responsável por quatro das nove principais lesões causadas pela prática incorreta de exercícios, entre elas fratura por estresse, tendinite no calcanhar e no joelho e bursite, que é a inflamação nas articulações
Exame recomendado: teste da pisada. O tênis é escolhido de acordo com o tipo de pé (cavo, normal ou plano) e de pisada (neutra, pronada ou supinada)
Onde fazer: lojas de tênis e artigos esportivos
Comentário dos especialistas: as lesões acontecem porque, a cada passada, os membros inferiores recebem de três a quatro vezes o peso do corpo. O amortecimento do tênis ajuda a diminuir esse impacto, mas é preciso respeitar a sua vida útil: 500 quilômetros de uso é o limite máximo

Não avaliar a função cardíaca e respiratória
Grau de risco: altíssimo
O que pode ocorrer: a pressão alta, presente em cerca de 25% da população acima de 40 anos, é um mal silencioso que, durante o esforço físico, pode levar a um derrame cerebral. Entre 2% e 5% das mortes súbitas no esporte decorrem de anormalidades no sistema elétrico do coração.
Exames recomendados: teste ergométrico e eletrocardiograma. O primeiro monitora a atividade do coração enquanto o paciente se exercita na esteira ou na bicicleta. Já o eletro percebe sinais de isquemias e outros males
Onde fazer: centros de medicina esportiva, hospitais ou laboratórios
Comentário dos especialistas: obrigatórios em qualquer avaliação física, esses exames são essenciais. Um estudo de uma grande academia mostrou alterações em 33% dos testes ergométricos feitos por alunos saudáveis. Destes, 21% apresentavam pressão alta, 11% arritmias e 1% isquemia

Não medir a capacidade aeróbica máxima
Grau de risco: alto
O que pode ocorrer: esforços além do limite também podem causar de arritmias a parada cardíaca
Exames recomendados: teste ergoespirométrico ou cardiopulmonar. Na esteira, o atleta é submetido a um teste ergométrico ao mesmo tempo em que são medidos o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico. O médico define, então, o ritmo adequado da atividade aeróbica
Onde fazer: hospitais ou laboratórios
Comentário dos especialistas: detectar de forma precisa a faixa ideal de frequência cardíaca durante o treino não apenas evita esforços prejudiciais ao organismo como ajuda a aprimorá-lo. Ou seja: estabelece a zona de treinamento apropriada para quem quer ganhar músculos ou perder peso

Exercitar-se sem fazer uma avaliação nutricional
Grau de risco: médio
O que pode ocorrer: fraqueza, queda de pressão, osteoporose e desidratação
Exames recomendados: bioimpedância, metabolismo de repouso e densitometria. O primeiro aponta as taxas de gordura, massa magra e a quantidade de água no corpo. O exame que mede o metabolismo revela como cada tipo de organismo queima calorias, se acima ou abaixo do recomendado. A análise da massa óssea, muscular e de gordura ajuda na prescrição da atividade física
Onde fazer: clínicas nutricionais e laboratórios
Comentário dos especialistas: os exames são a melhor forma de saber como gastar as calorias em excesso ou ingerir as que faltam

Xando Pereira
Parada obrigatória
O triatleta Duda Kleinubing, de 31 anos, descobriu há cinco que sofre de uma insuficiência na válvula aórtica. "Nunca havia feito um ecocardiograma. Por ser atleta, eu me considerava saudável", diz ele, que abandonou as competições

 

A repórter e a academia

"Estou matriculada há três meses e até hoje não me pediram uma avaliação física. O atestado médico, segundo me disseram, é só para quem tem mais de 30 anos. Um cansaço me tirou de uma aula de spinning. Fiquei insegura. Sentar-se naquela bicicleta sem ter feito um check-up é como dirigir sem cinto de segurança. A aventura pode resultar em lesões ou mesmo em um mal súbito, disse-me um dos médicos entrevistados para este Guia VEJA. Fui orientada a fazer alguns exames, entre eles, um eletrocardiograma. Para a minha sorte (e da academia), os resultados foram satisfatórios. Falta ainda fazer um teste ergométrico. Até lá, as aulas de spinning estão suspensas."
Gabriella Sandoval

 

 



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