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Edição 2114

27 de maio de 2009
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O método escocês:
nem dó nem piedade

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FECHE A PORTA, DEPRESSA
A nutricionista Gillian McKeith: você faz o que ela manda

Baixinha, magrinha e ruim como uma dose de purgante, a nutricionista escocesa Gillian McKeith, 49 anos, é uma celebridade improvável. Através do Você É o que Você Come, exibido no Brasil pelo canal pago GNT, ela se transformou na mais conhecida especialista em alimentação da Inglaterra. Gillian confirma as suspeitas de quem vê um pendor masoquista no público e, principalmente, nos participantes: propõe receitas horríveis como alternativa saudável, pressiona até as lágrimas os gordinhos que caem em suas garras e examina resíduos alimentares – isso mesmo que você está pensando – em excessivos detalhes. Aqui ela fala a sério, mas com a habitual impiedade, sobre sua especialidade.

A senhora sempre foi durona?
No começo, não tinha coragem de falar aquilo que pensava. É muito difícil dizer a verdade a pessoas que já estão inseguras sobre sua aparência. Mas aprendi que alguém tem de dizer a verdade. Elas não são gordas à toa, seguem um estilo de vida totalmente errado, e eu não sou paga para dizer que está tudo bem. Isso a família e os amigos já fazem.

Já teve algum caso perdido?
Nunca. Eu não trato só da comida, mas descubro a causa dos maus hábitos. Para mudar a dieta de uma pessoa, entro na vida dela. Quem vem a mim está desesperado, enfrentando problemas de saúde e de convívio social. Precisa dar um jeito não só no peso, mas na vida.

Qual é o paciente mais difícil?
É a pessoa fechada a novas ideias. Hábitos alimentares se criam na infância. Quando peço a alguém para deixar de comer alguma coisa que traz boas lembranças, a pessoa fica vulnerável. Eu a tiro da zona de conforto e a obrigo a olhar para si mesma e ver o que está errado.

A senhora gosta de maltratar quem tem excesso de peso?
Não teria coragem de fazer isso. O que eu faço é forçar a pessoa a encarar seus problemas pela primeira vez na vida. Não aceito desculpa. Existe um lado bondoso dentro de mim que, na edição do programa, não aparece. Uma vez, um participante começou a contar que comia porque havia perdido o pai muito cedo e sentia muita pressão para cuidar da família. Ele nunca tinha chorado e se abriu comigo. No ar, só apareceu eu mostrando tudo de errado que ele comia e ele caindo no choro. As pessoas na rua me diziam que eu tinha ido longe demais. Tentei explicar que ele precisava chorar, que tinha sido bom. Mas ninguém acreditou.

Obrigar a tomar suco de salsão não é tortura?
Imagina. Essa é apenas uma das maravilhosas opções que ofereço. Salsão é um diurético natural e funciona como relaxante para corpo e mente. Eu me vejo como educadora. Apresento opções que as pessoas desconhecem, mas que fazem bem ao corpo.

Elas aprendem a conviver com a ideia de nunca mais comer chocolate?
Não digo que nunca mais vão comer chocolate, só não admito que comam enquanto estiverem seguindo meu plano. Aliás, faço uma vitamina de cacau, banana e leite de arroz que é deliciosa e não contém as substâncias químicas nem o açúcar do chocolate industrializado.

Seus pacientes reconhecem o que faz por eles?
Depois que emagrecem, eu pareço mais boazinha. Muitos me mandam cartas. Há pouco tempo, uma menina escreveu que eu fui uma santa que entrou na vida dela. Eu sei que não sou uma santa. Foi ela quem disse.

A senhora sempre controlou o que come?
Não. Quando entrei na faculdade, não ia muito bem e comecei a descontar na comida. Engordei 18 quilos, fiquei mal, não tinha vontade de sair da cama. Quando me dizem "você não sabe como é ser gordo", respondo: "Sei, sim. E acho horrível. Pare de reclamar e me obedeça".

O que a senhora mais gosta de comer?
Manga. Faço vitaminas de manga maravilhosas. Também faço uma torta de feijão-azuqui e um sanduíche de alga que são deliciosos. Adoro comida e como muito, mas só o que é certo e faz bem.

Existe alguma comida saudável de que a senhora não goste?
Eu aprendi a gostar de tudo o que faz bem. Funciona assim: é preciso experimentar de tudo pelo menos doze vezes. Se na 12ª a pessoa ainda não gostar, é porque não tem jeito mesmo.

Qual é a maior reclamação de seus pacientes?
Bom, eu adoro minha sopa de abacate e pepino, mas ninguém concorda comigo. Abacate é muito polêmico. As pessoas amam ou odeiam. Igual a mim.

A senhora percebe problemas de saúde só de olhar para a pessoa?
Eu considero a língua uma janela dos órgãos, que mostra pela coloração o que está acontecendo dentro do corpo. Ela deve ser rosada e sem manchas. Unhas e cabelos quebradiços também mostram deficiências de vitaminas. Pele manchada, olheiras profundas e erupções são sinais óbvios de que alguma coisa está errada. O sinal mais fácil de ver é prisão de ventre. Quem come corretamente vai ao banheiro duas vezes por dia.

Examinar o resultado disso diante das câmeras não é apelativo demais?
As fezes dão excelente indício de como anda a saúde do paciente. Consigo ver se está comendo muita gordura, se está digerindo os alimentos corretamente, se o fígado está funcionando bem. Não é agradável, mas é necessário. As pessoas ficam horrorizadas. Minha mãe me liga perguntando se tenho mesmo de fazer isso, porque meu programa passa bem na hora do jantar dela. Eu respondo: "Mãe, 20 horas é muito tarde para jantar".

Seus amigos controlam o que comem na sua frente?
A maioria dos meus amigos come direito, mas, se a pessoa não me conhece bem, fica pedindo desculpa a cada garfada. É muito irritante. E não recebo muitos convites para festas em que vai ter comida.

É possível ser gordo e feliz?
Não. Pode parecer que sim, mas ninguém é feliz estando na lista dos possíveis candidatos a um ataque cardíaco.

 



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