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Tales
Alvarenga
Assume mas não leva
"Romero Jucá pediu que as investigações
contra ele sejam apressadas para provar
sua inocência mais cedo. Polícia Federal e
procuradores não andarão mais rápido só
por isso. Quem terá de se mexer é o autor
do gol contra, Lula, por mais que relute em fazê-lo"
Conclave no Palácio do
Planalto decidiu nomear o senador peemedebista Romero Jucá,
de Roraima, como ministro da Previdência. Jucá assumiu
o cargo há um mês e até hoje não tomou
posse de fato. Não se sabe quanto tempo de seu dia Jucá
dedica aos problemas da Previdência. Mas tudo que os jornais
publicam a seu respeito são novas denúncias e as tentativas
que ele faz de responder aos ataques, alegando inocência.
O presidente Lula e seus ministros
também foram sugados pela crise. São obrigados a comentar
o caso Jucá com mais insistência do que são
chamados a opinar sobre a eleição do papa. Nessas
condições, Romero Jucá dificilmente terá
condições de se transformar em ministro de fato.
Não se pode condená-lo
antecipadamente, mas há casos perdidos diante da opinião
pública. Este é um deles. Ou Jucá se demite
para deixar o governo Lula respirar outra vez, ou o presidente o
convence a se licenciar até que tudo esteja apurado com resultado
positivo para o senador. Se Jucá sair limpo das investigações,
todos nós que escrevemos contra ele lamentaremos o engano
e saudaremos sua bravura diante das intrigas políticas de
que se diz vítima.
As denúncias contra Romero
Jucá são tão variadas e numerosas que vamos
citá-las (resumidas) apenas no fim deste artigo. Caso contrário,
ocupariam estas duas colunas inteiras. A razão da escolha
de Jucá não tem nada de misteriosa. O PT quer ter
maioria no Congresso e reeleger Lula, dois objetivos perfeitamente
legítimos. Para atingir essas metas, no entanto, até
os contorcionismos políticos mais penosos são aceitáveis
para o partido de Lula. A ansiedade de fazer amigos explica a nomeação
descuidada de Romero Jucá, feita para agradar o PMDB e atraí-lo
ao redil do PT.
A ficha do senador já
era parcialmente conhecida. A parte ainda encoberta poderia ter
sido facilmente levantada pela Agência Brasileira de Inteligência,
a Abin. Para ficarmos num gênero de metáfora caro ao
presidente da República, o PMDB pôs Jucá na
sua frente e o instruiu a chutar o senador para dentro do ministério.
Lula não hesitou. Só com o passar dos dias descobriu
que fizera um gol contra.
Pressionado pelas denúncias,
Jucá pediu que as investigações contra ele
sejam apressadas para provar sua inocência mais cedo. Polícia
Federal e procuradores não andarão mais rápido
só por isso. Quem terá de se mexer é o autor
do gol contra, Lula, por mais que relute em fazê-lo. Está
fazendo o contrário. Na semana passada, declarou que "não
dá para tirar ou colocar ministro, em função
desta ou daquela manchete de jornal". Segundo Lula, "por enquanto,
há muitas insinuações. É preciso que
surjam coisas concretas". Pelo visto, as acusações
só ganharão concretude quando saírem publicadas
no Diário Oficial.
P.S.: O
ministro Jucá foi acusado de desvio de verbas públicas,
por indícios de compra de votos, uso de funcionários
públicos em campanha eleitoral, tomada de empréstimo
no Banco da Amazônia, com a apresentação de
sete fazendas inexistentes como garantia, e abuso do poder econômico,
sem contar indícios de esconder bens da Receita Federal por
meio da doação de suas propriedades aos filhos.
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